
Autoestima - uma leitura saudável para começar bem o seu dia!
Deusdediti Leitão, em seu livro Ruas de Cajazeiras, reportando-se a atual Praça Coronel Matos escreve: “O antigo sangradouro do Açude Grande desaguava na pequena rua que, depois, foi incorporada à atual Avenida Presidente João Pessoa. Percorria uma pequena distância e mudava seu curso, seguindo, paralelamente, à rua Joaquim de Sousa, até o local que tem a denominação de Praça Cristiano Cartaxo. Naquela pequena rua, existiam, em 1890, seis casas, ocupando aquele trecho que tomou o primitivo nome de Rua da Baixa, em virtude da depressão do terreno entre a Praça da Matriz e o terreno existente nas proximidades da casa de Mãe Aninha”.
“Posteriormente - continua esse notável historiador - essa rua recebeu a denominação de Rua 15 de novembro, numa pequena extensão que começa na Rua Epifânio Sobreira. Em 1968, por ocasião das comemorações de centenário de nascimento do saudoso político e industrial cajazeirense, passou a ter a denominação de Praça Coronel Joaquim Matos, quando foi colocado ali o busto do homenageado, feito pelo escultor Mathias Fernandes, do Rio de Janeiro, oferecido à cidade pela família Matos”.
Hoje essa praça é reconhecidamente um patrimônio histórico. Nela residimos desde 1985, e lembro bem que naquela época era bastante arborizada e limpa, servindo algumas vezes para instalação de parques de diversão, onde todas as noites e, principalmente em finais-de-semana, os pais traziam seus filhos para divertirem-se.
Com a vinda da feira livre para essa praça, sem nenhuma obediência ao Código de Postura do Município, e sem elaboração de um projeto de diagnóstico arquitetônico-urbanístico por mais simples que fosse, houve uma mudança total nessa área da cidade, principalmente a matança de árvores – frondosas algarobeiras, castanholas e acácias. Poucas dessas árvores resistiram ao machado bronco. Na frente de nossa casa, cuido de duas acácias e duas castanholas, que teimam em sobreviver e que servem para armação de redes de ambulantes que vêem de outras cidades negociar na feira livre. Acrescente-se que, durante toda a semana, elas dão sombra aos carros e motocicletas que por ali permanecem horas estacionados.
A praça Coronel Matos tem piores precariedades. Ali, com exceção dos sábados, transforma-se em um amontoado de madeiras das barracas dos feirantes/ambulantes, com sério risco de um incêndio por parte de vândalos. Há pouco tempo, sob esses entulhos, um cidadão que se dizia em situação de rua, acampou. Só que esse “pária”, conforme a população, praticava em altas horas da noite atos obscenos, além de outros delitos.
Registramos com tristeza, que o busto do Coronel Matos já foi pichado e utilizado para amarrar cordas para sustentação de barracas. Esses fatos constituem-se em grave desrespeito à memória de um homem que se dedicou ao desenvolvimento comercial e industrial do sertão paraibano, fere o mais elementar princípio educacional e o código de postura municipal, além de significar um descaso pela história e um agravo ao patrimônio cultural da cidade que “ensinou a Paraíba a ler”.
No sábado, dia da feira, além do leito da Praça Coronel Matos, desnecessariamente as calçadas das residências são ocupadas, impossibilitando o trânsito livre das pessoas, bem como a saída de veículos de garagens. A Rua Sousa Assis, por exemplo, até poucos dias, ficava totalmente obstruída. Realce-se aqui que, durante nove anos, embora tenhamos reivindicado, por escrito, aos poderes executivo, judiciário e legislativo, somente agora esse problema foi solucionado pelo atual Secretário de Trânsito, Marco Túlio. Mencione-se, por justiça, que o Coronel Soares, quando esteve à frente dessa pasta, colocara sinalização vertical e horizontal, reduzindo, na época, um pouco o problema.
Para piorar a situação, o trajeto da Praça Coronel Matos e adjacências apresentam trechos, cujo calçamento danificado avaria os carros pequenos que por ali transitam, face a existência de uma depressão na Rua Sousa Assis, direção Centro-Tênis Club. Como se não bastasse, essa mesma depressão em tempos de chuva, empoça água, servindo de habitat para proliferação de muriçocas e Aedes Aegypti (o mosquito da dengue). Saliente-se que moradores desse setor já custearam reparos e repuseram lâmpadas de postes.
Essa precarização da feira livre de cajazeiras perdura desde 2002. Agora, pondo a crença de que a atual gestão municipal interesse-se pela solução - o que é perfeitamente executável e viável - sugerimos que seja elaborado um projeto de reestruturação da feira livre, para formar uma espécie de “ilha do consumidor”, contemplando além das barracas de comercialização de frutas, legumes e verduras, o Centro de Abastecimento de Hortifrutigranjeiros Leonardo Rolim, no qual deve ser incentivada, em local único, a venda de carnes, peixes, aves, derivados do leite e outros, sob orientação e fiscalização da vigilância sanitária; e que seja dada a Continuidade dos trabalhos educativos iniciados pelo Sebrae/Prefeitura, em 2003, para os feirantes/ambulantes, cujos conteúdos contemplam temas, como informações sobre valor nutritivo e cuidados para evitar desperdício dos produtos hortifrutigranjeiros, relações humanas, higiene e medidas de biossegurança, informações sobre o Código de Postura de Cajazeiras, sobre o Código do Consumidor e de outros documentos normativos e de promoção da cidadania e valorização da vida.
Senhor prefeito, faça isso e, de certeza, receberá o reconhecimento da população, dos feirantes, dos ambulantes e dos visitantes. Cajazeiras merece ter uma feira livre organizada, higiênica e bonita.E a praça Coronel Matos ser efetivamente reconstruída.
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Equipe Portal Diário do Sertão
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06
set
Adriana
adrianascimento09@hotmail.com
16h19
Embora more há tempo no Rio de Janeiro, ao ler esse maravilhoso texto, veio-me à memória minha terra natal Patos, da Paraíba, e muito mais a feira de lá. Acho que os governantes deveriam dar mais valor as feiras livres da cidade´. É uma das coisas que não me sai da lembranças:a feira de Patos. Não foi à- toa que Luiz Gonzaga cantou em poesia a feira de Caruaru. Por isso valeu, mestre. Tomara que os politicos atente para essa eivindicação coletiva idependente de partido e sim pelo bem da cultura. Abraços. Adri.
06
set
Rosilene
rosilenesantossg@hotmail.com
16h11
Parabéns pela crítica sempre construtitva e em favor do progresso da cidde e da população. Rose
06
set
adao
adao@hotmail.com
10h30
Ta doido que ajeite sua rua nao é? vamos votar em Carlos Rafael pq ele vai resolver sim esse problema.
05
set
Valdir
avnascim@bol.com.br
21h39
Excelente comentário! Quem, nesse interiozão de meu Deus, não frequentou uma feira livre, não sabe a beleza que tem esse tipo de comércio. Sinto saudade de quando minha mãe vinha do mercado trazendo macaiba e mariola. Era uma festa para todos nós filhos. A feira é um local que todo gestor deve olhar com muito carinho. Taí um omentário ao qual deva ser dada a importância devida. Como diz o autor: acudam a feira de Cajazeiras. Parabéns.