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A construção do Açude de Boqueirão e a morte do americano

24/12/2015 às 12h48

Por José Antonio

Um Processo Crime da Comarca de Cajazeiras registra um duplo homicídio, ocorrido no acampamento dos operários que construíam o Açude de Boqueirão de Piranhas, na noite do dia 22 de fevereiro de 1922.

Os fatos que levaram a este crime foram relatados pelas testemunhas, depois da denúncia do Ministério Público, no dia 14 de março de 1922, pelo Promotor de Justiça da Comarca de Cajazeiras, Manoel Ferreira Júnior, oferecida ao Juiz de Direito Joaquim Victor Jurema.

O americano Jorge Hafield assassinou em 22 de fevereiro de 1925 o operário cearense José Frutuoso, sendo no mesmo dia assassinado pelo irmão da vítima, também operário cearense, Antonio Frutuoso.

Jorge e José eram grandes amigos e passaram o dia bebendo na Vila de São José de Piranhas, já que o americano era um contumaz bebedor de cachaça e quando bêbado praticava violência e era temido por todos os seus operários, que chegaram a comemorar a sua morte.

O motivo do assassinato, segundo relato das quatro testemunhas teria sido porque, durante o trajeto da volta da Vila de São de Piranhas para o acampamento do açude, José Frutuoso presenciou um plano que Jorge Hafield combinava com outro americano de nome Paker, que se tratava de diversos assassinatos que iam se dar naquela noite. José Frutuoso aconselha-os que abandonassem aquela terrível idéia, como os americanos persistiram no plano, José Frutuoso os ameaçou de levar ao conhecimento do superintendente.

Naquela noite chovia muito e Jorge Hafield temendo que José Frutuoso o denunciasse tentou convencê-lo de guardar o silêncio e que iria desistir do plano e tentou suborná-lo com dinheiro e roupas.

José Frutuoso acompanha o americano até a casa do mesmo, ao chegarem à residência de Jorge ele entra, prometendo-lhe roupas secas já que estava todo molhado da chuva e José fica na porta, o americano volta do interior com um rifle e dispara contra José Frutuoso matando-lhe imediatamente e depois sai atirando deliberadamente pelas ruas da vila.

Depois de algumas horas o americano foi bater a porta da casa onde o cadáver estava sendo velado e ao ser aberta, segundo relato das testemunhas, ouviram-se dois tiros ao mesmo tempo: um pelo americano e outro pelo irmão da vítima Antonio Frutuoso que atira de rifle no americano que cai vomitando e morre.

Após ter matado José Frutuoso, o americano, foi indagado por uma pessoa a causa do tiro e o mesmo respondeu que não era nada, apenas acabara de tocar fogo no umbigo de um brasileiro e com José Frutuoso completava uma lista de dez, sendo três brasileiros e 07 americanos. 

Mesmo o promotor tendo tomado conhecimento da conduta e do grau de periculosidade do americano fez a denúncia como procedente e  lançou Antonio Frutuoso no rol dos culpados e o juiz concedeu o pedido do Ministério Público, mandou expedir o mandado de prisão, mas o culpado, depois do crime, nunca mais apareceu e nem foi localizado, nem apresentou defesa, sendo o processo crime subscrito por tempo.

Os conflitos sociais, as misturas de costumes e as disparidades culturais existentes entre os que participaram da construção do açude provocavam as mais diversas situações e uma das características mais marcantes era a da violência. 

A maioria dos casos de violência que se tem conhecimento ou se resolvia na hora ou ficavam impunes por absoluta falta de autoridades nestes povoamentos que existiam em torno das construções de todos os açudes da região.

Tota Assis, em seu livro: “A(S) Cajazeiras que vi e onde vivi”, faz um relato de outro americano Maurice John Haniflin”que foi morto, a tiros de revolver, no dia 02 de março de 1923, em um duelo com o mestre de obras da construção do Açude de Piranhas, disputando uma bela mulher, que ambos haviam se apaixonado por ela. Estamos tentando resgatar este processo junto a comarca de Cajazeiras. O seu corpo está sepultado no Cemitério Coração de Maria, em Cajazeiras.

Raimundo Lira e a BR 230
Passe o seu e-mail para o senador Lira, autor da emenda no valor de 165 milhões para a duplicação da BR 230, para que as obras sejam iniciadas em sentido inverso: de Cajazeiras rumo a Campina Grande e não de Campina para Cajazeiras. Tem lógica a proposta e seria interessante iniciar por estas bandas este serviço. 

José Antonio

José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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José Antonio

José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br