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Francisco Cartaxo

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A Morte do tenente João Cartaxo (Final)

09/03/2015 às 10h01

Encerro com este artigo a série que programei escrever sobre o mais grave e sangrento episódio da história política de Cajazeiras. Encerro, não por ter esgotado o tema, mas porque eu mesmo ando cansado de falar dele. Imagine o leitor! Deve estar tiririca com essas coisas do arco da velha, desenterradas a conta-gotas de surrados baús do século XIX. A uns poucos amigos, de quem recebi sinais de agrado por abordar tal assunto, prometo retomá-lo, porém, noutro formato. Em livro, para ser mais claro. Aliás, livro já esboçado, no qual tentarei dar uma arrumação na história política de Cajazeiras. O primeiro volume será dedicado ao Império, isto é, desde o povoado que nasceu na fazenda das cajazeiras à beira do riacho até o advento da República em 1889. Aí sim, sistematizarei com mais cuidado a sequência dos fatos, o perfil dos principais atores, o entrelaçamento, as intrigas das famílias, a formação dos partidos Liberal e Conservador, o domínio da cada um deles na esfera municipal, enfim, tentarei organizar melhor nosso o olhar sobre o passado. Para isso uso muitas fontes, sobretudo os relevantes apanhados deixados por Deusdedit Leitão. O projeto está pronto e começo a escrever após a conclusão do ensaio sobre as origens da diocese de Cajazeiras, ora em fase de revisão e ajustes finais. Se tudo correr bem, o volume contendo a história política de Cajazeiras no Império sairá no começo de 2016.

Pronto, termino hoje esta série de seis crônicas históricas, homenageando os versejadores populares, cordelistas, contadores de causos das feiras de antigamente e os violeiros dos programas de rádio dos dias atuais. Por quê? Porque o massacre eleitoral de Cajazeiras de 1872 foi relatado em versos, dos quais o historiador Deusdedit Leitão deixou uma amostra, que transcrevo ao final. Amostra incluída em artigo publicado no jornal Correio do Sertão, de 1955, na sua coluna Homens e Coisas de Cajazeiras. 

As quatro estrofes narram o desfecho da tragédia de 18 de agosto de 1872. Naquele dia, homens armados adeptos do Partido Conservador, chefiado pelo alferes João Pires Ferreira, de Santa Fé, enfrentaram o reduzido grupo comandado pelo tenente João Cartaxo, na Praça da Igreja onde deveria realizar-se a eleição. Eleição para vereadores e juízes de paz do município de Cajazeiras. A tradição oral, relatos históricos, o processo criminal aberto por iniciativa da mãe do tenente João Cartaxo, Ana Josefa de Jesus, viúva do português Joaquim Antônio do Couto Cartaxo, dão conta de que havia 300 homens em armas do lado do alferes João Pires, contra cerca de 50 acompanhantes do tenente assassinado, chefe do Partido Liberal. Confronto desigual. Desequilibrado. Quase um suicídio. Os versos são de autor anônimo. Deusdedit Leitão fala que “um dos nossos bardos matutos de então rememorava a chacina de 1872, dando às suas quadras dolentes um gosto romanesco que até parece o panegírico do Alferes”: 

Entre homes e muieres 
E a monarquia inteira,
Vou contá uma desgraça 
Qui se deu in Cajazeira

Seu Alferes João Pires
Foi fazê a inleição,
Na vila de Cajazeira
Correu sangue pelo chão

Seu Tenente João Cartaxo
Em frente a seu pessoa
Era um homem muito macho
Do Partido Liberá.

Coitado, naquele dia,
Foi ele muito infeliz
Incontrou outro mais macho
Lá na porta da Matriz.

Francisco Cartaxo

Francisco Cartaxo

Contato: cartaxorolim@gmail.com

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