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Mariana Moreira

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A natureza pariceira

06/03/2015 às 20h57

As últimas chuvas que caíram na cidade de Cajazeiras, em razão do forte calor que as antecedeu, foram marcadas por muitos trovões, relâmpagos e raios. Estes últimos que, em minha infância, eram carinhosamente chamados de corisco e, nos seus bailados a frente das escuras e amojadas nuvens que antecipavam as enxurradas, clareavam os céus e iluminavam nossas travessuras enquanto celebrávamos as alvíssaras que as chuvas traziam em prazerosos banhos nas biqueiras de casa. Trovoadas que, nas madrugadas sertanejas de invernos fartos, nos acordavam dos sonos e sonhos infantis pelo cheiro carinhoso da mão paterna que nos cobria dos respingos que escapavam pelas frestas do telhado de caibos roliços e telhas humildes.

O som ensurdecedor dos trovões nos lembrando o barulho dos vazios silos metálicos que, no final da safra, eram gentilmente limpos e preservados para guardar as sementes de milho, feijão e arroz que iriam abastecer as carências durante a entressafra. Barulhos de trovões que, pela intensidade e pujança, chegavam a sacolejar a chave na fechadura da porta principal da casa. E tudo se resumia a um grande espetáculo da natureza que, em sua enigmática capacidade de recriar a vida, nos presenteava, ao amanhecer, com o cinza do Riacho de Impueiras em sua cheia que lambia as ribanceiras, e o som mágico das pequenas cataratas que se formavam nas quedas d'água do acanhado córrego de Tio Amaro.

O som das trovoadas traz para a cena também uma questão que, no entanto, ainda continua sem merecer a importância que representa para nós que vivemos em uma região semiárida onde a ocorrência das precipitações normalmente é marcada pela inconstância. A revelia de um enorme esforço que, nas últimas décadas, um leque de entidades da sociedade civil organizada vem empreendendo no sentido de pensar estratégias que subsidiem o sertanejo na empreitada de ter uma relação amistosa no seu percurso de convivência com a semiaridez, ainda estamos num estágio fetal quando a questão assume a dimensão de políticas e ações do Estado e, dessa forma, se convertam em práticas que resistam a governos e humores partidários. Políticas e  ações que, contextualizados com os vários perfis e cenários que compõem a caleidoscópica paisagem do semiárido brasileiro, tenha a necessária longevidade para alterar as formas que, na contemporaneidade, o homem produz para habitar e dar humanidade a esse espaço.

Sem se imiscuir por meandros filosóficos ou teóricos de se projetar sobre realidades estrangeiras me apego ao universo onde, há mais de vinte anos, desempenho as atividades de docência, ou seja, o Centro de Formação de Professores, da Universidade Federal de Campina Grande, aqui em Cajazeiras. Com recorrência me surpreendo observando a significativa quantidade de telhados contínuos que, se inteligentemente utilizados, poderiam se converter em captadores da água da chuva.

Água que, guardada em reservatórios, poderia ser utilizada para as funções de limpeza, de rega de canteiros e jardins, de uso de descargas e chuveiros. Estaríamos promovendo uma extraordinária economia financeira, reduzindo a cota de consumo de água tratada, e, ao mesmo tempo, também promovendo uma extraordinária econômica ecológica, na medida em que estaríamos preservando nossos mananciais.

Os telhados dos inúmeros prédios do CFP também me instigam, com assiduidade, a pensá-los como grandes territórios para abrigar placas para captação da luz solar e sua conversão em energia. Luz do sol que, diferente das chuvas, é mais abundante e constante em nossa realidade.

Assim, a água da chuva que cai nas biqueiras poderia ter, além da felicidade de um lúdico banho, a propriedade de nos ensinar como sermos racionais e usar a natureza como “pariceira”

Mariana Moreira

Mariana Moreira

Professora Universitária e Jornalista

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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Mariana Moreira

Mariana Moreira

Professora Universitária e Jornalista

Contato: altopiranhas@uol.com.br