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Mariana Moreira

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Ao amigo Solinho

06/03/2014 às 18h51

A notícia chega com a melancolia da Quarta Feira de Cinzas. A morte, no Rio de Janeiro, do médico cajazeirense Solidonio Palitot que, aos noventa anos, nos deixa com a certeza de que Cajazeiras está mais vazia mesmo que sua presença física nas últimas setenta décadas tenha sido expressa somente em visitas anuais. O seu amor por sua terra natal era a mais sincera e sensível expressão que conheci de um amor filial e de uma identidade e identificação com sua terra, sua gente e sua história.

Conheci Solidônio na década de 1980 quando trabalhava em emissoras de rádio de Cajazeiras e também desempenhava a função de corresponde de jornais de João Pessoa. A sua identificação com alguns parentes meus que conheceu na infância nos aproximou. Inicialmente, através de correspondências e, depois, em vários contatos pessoais em suas inúmeras visitas a Cajazeiras. Nosso último contato foi nos primeiros anos da década passada, durante viagem minha ao Rio de Janeiro. 

Já limitado pelo peso da idade e ancorado em uma bengala Solidônio mantinha a jovialidade de um adolescente que, longe de casa, se depara inesperadamente, com alguém conhecido ou familiar. Sob a proteção da beleza mágica, natural e envolvente da Praia de Copacabana nos largamos preguiçosos e despretensiosamente em uma mesa de restaurante, na beira mar, apenas para atualizar conversas e prosas sobre a cidade, sua gente, os rumos da política e casos triviais da província cajazeirense. As horas passam como a roubar o tempo imprescindível para estreitar e entrelaçar o carinho de pessoas que se amam apenas pelo prazer de partilhar o mesmo sentimento: o amor ao sertão.

Na nossa prosa Solidônio expressa sua tristeza em reconhecer que as limitações impostas pela idade não mais permitiam que ele voltasse a Cajazeiras para, como dizem lá em nós, morder a batata de negro e restaurar as forças para dar prosseguimento as pelejas que a vida coloca em nosso tablado. Lamentava que seus irmãos já não mais existiam ou estavam afetados pela demência senil e revê-los em tal estágio lhes era doloroso. 
A tarde anuncia os primeiros sinais do fim do dia. Nas montanhas que circundam a cidade maravilhosa sombras antecipam a noite que se avizinha. É hora de despedidas e saudades. O abraço de carinho, o gesto de afeto no aperto de mão.

Como a antecipar a premonição do derradeiro encontro Solidônio se apóia na bengala e anuncia que o encontro terminou. Na porto do ônibus que o levaria para casa uma expressão de tristeza e despedida talha nossos rostos e invade nossos sentimentos. De forma singela ele expressa o desejo de ter suas cinzas lançadas do alto do Cristo Rei e tangidas pelo vento do aracati sobre ruas, becos e vielas cajazeirense que, outrora, viram correr um menino branco e sarara que todos carinhosamente chamavam de Solinho.

Mariana Moreira

Mariana Moreira

Professora Universitária e Jornalista

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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Mariana Moreira

Mariana Moreira

Professora Universitária e Jornalista

Contato: altopiranhas@uol.com.br