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Fernando Caldeira

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Carnaval com seca não dá samba

29/11/2015 às 06h00

O semiárido paraibano, onde está Cajazeiras, entrará para o 4° ano sem chuvas. Açudes vazios, terra esturricada e animais que mais parecem esqueletos em pé emolduram o quadro dantesco desta seca nordestina.

Como extensão dessa triste realidade, a “cidade da cultura” ou “terra quem ensinou ao Paraíba a ler” vive momentos de estagnação econômica com atividade comercial muita fraca. Poucas vendas, poucas compras, pouca geração de empregos…, poucas esperanças.

Nesse trágico cenário, mais trágico do que estas letras possam narrar, cabe ao poder público ainda mais responsabilidades. Num linguajar direto, quer dizer que, mais do que nunca, os prefeitos têm obrigação de dar aplicação correta das verbas públicas. Ou seja, dinheiro público é para ser investido nas demandas populares: pagamento da máquina administrativa, saúde, educação e limpeza públicas, principalmente! Tudo o mais, neste momento, é supérfluo e secundário.

Estou me referindo à festividades de momo patrocinadas pelo poder público! Na iniciativa privada não há nenhum problema que se faça carnaval. Afinal de contas, cada um faz do seu dinheiro o que bem entende. Já com o dinheiro do povo é diferente. 

Como se pode falar em verba pública para carnaval do próximo ano quando estas verbas rareiam até para as prioridades mais básicas? Como se pode falar em carnaval quando milhares de cajazeirenses da zona rural estão sem perspectivas futuras até que as chuvas cheguem e as águas do Rio São Francisco deságuem por aqui? Como falar em carnaval quando a água de beber já não é tão segura? Como pensar ou imaginar carnaval numa ambientação como esta? A quem pode interessar carnaval nesta época, senão aos vendedores de bandas, palcos e outros que tais, que estão pouco se lixando para seca e suas consequências? Esses vêm, trazem bandas, palcos, iluminação, etc, pegam o dinheiro público e vão embora. 

Dia seguinteo empresário está no "bem bão" e nós, sertanejos, sem água, sem comércio, sem emprego, sem renda…, sem qualquer esperança! Se é paras as prefeituras gastarem o dinheiro público para fazerem carnaval, que gastem perfurando poços artesianos e oferecendo água: vai ser o maior carnaval!   

Façam como Ricardo Coutinho: dinheiro pra festa, zero! Dinheiro público é pra investir no que produz e gera emprego, renda e bem estar social.

S O L T A S

*Lá em casa só faço churrasco e feijoada, depois de pagar água, luz, telefone, escola, feira…, as obrigações de um pai de família. O que alguns ‘empresários’ de olho nas verbas públicas querem é inverter essa lógica, ou seja: fazer primeiro o carnaval para depois ver o que dá para pagar das obrigações. Para mim isso é crime de lesa- município! 

*A criação e instalação do Tribunal de Contas dos Municípios da Paraíba, não trará novos gastos ao tesouro estadual, garante o Presidente da Assembleia, Adriano Galdino.

*Segundo todos os institutos de meteorologia do Brasil o fenômeno 'El Ninõ' este ano está mais forte que nunca. Consequência: agravamento da seca!

*Neste domingo (29) o Trem das Onze realiza mais um Debates Populares com dois temas: 1°) Fundamentalismo religioso, e 2°) Prefeituras do Semiárido devem ou não realizar carnaval em plena seca? Domingo – 11h!    

Fernando Caldeira

Fernando Caldeira

Contato: caldeira.fernando@bol.com.br

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Fernando Caldeira

Fernando Caldeira

Contato: caldeira.fernando@bol.com.br