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Francisco Cartaxo

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De espingarda na mão

03/02/2013 às 12h14

O diretor-geral do DER, engenheiro Ivon Rabelo, antes mesmo de sentar-se à minha frente, foi logo adiantando:

– Secretário, temos um problema na estrada de Bonito, os técnicos do DER foram recebidos, lá perto de sua terra, de espingarda na mão.

Tomei um susto. De sofre, vieram à memória casos de brigas e crimes antigos relatados na porta do cemitério de Cajazeiras, em dia de finados. Ivon me tranquilizou. Com um sorriso maroto, que eu associei imediatamente à ênfase posta na frase “perto de sua terra”, ele que nasceu em Itabaiana, àquela altura ligada à BR 230 por asfalto ainda quente, inaugurado com discursos, foguetões e muitos elogios à competência do seu jovem filho. Ele fala do entrevero entre pequeno proprietário rural, um senhor de idade, cuja terra seria cortada pela rodovia, em consequência do novo traçado, previsto no projeto técnico. Recusava-se a permitir que seu pedaço de chão fosse partido ao meio pela nova estrada. Argumentou, discutiu, exaltou-se. E sem largar a espingarda, arrematou:

– Aqui ninguém entra sem minha ordem, fiquem sabendo que não vou deixar de jeito nenhum, o que é meu eu zelo até o fim. Ora já se viu, invadir propriedade alheia, quer saber mais, isso é coisa de comunista… E pra comunista o remédio é bala!

O homem estava indócil.

Só com muito ajeitado, admitindo recuar, o DER, auxiliado por chefes políticos locais, conseguiu acalmá-lo e, ao final de muitas tratativas, abrir-se um claro na mente do ferrenho caçador de “comunistas”… Penso hoje, tantos anos decorridos, que o então deputado José Lacerda interferiu junto a seu provável eleitor. E assim, o governo de Ivan Bichara Sobreira superou esse obstáculo para cumprir sua promessa. Aliás, cumprir além do prometido, pois havia assegurado tão somente implantar a estrada de Bonito a Cajazeiras, e não asfaltá-la como expliquei em crônica anterior.      

A pavimentação original da rodovia Cajazeiras-São José de Piranhas-Monte Horebe-Bonito de Santa Fé, numa extensão de 66 km, integrou o programa rodoviário do governo Ivan Bichara (1975/1979). Programa ampliado no meio do período, mantendo-se, porém, sua característica básica que era, desde a concepção anunciada no Plano de Ação do Governo (PLANAG), a da “integração, isto é, pequenos trechos de estradas ligando regiões e cidades à rede rodoviária existente”, como está escrito na Terceira Mensagem ao Poder Legislativo, encaminhada pelo governador no dia 1º de março de 1978. Outra diretriz previa a conclusão das obras iniciadas na administração anterior, comandada por Ernani Sátiro. Todas as metas rodoviárias de Ivan Bichara foram cumpridas em sua gestão, concluída por Dorgival Terceiro Neto, seu vice-governador, que assumiu quando Ivan afastou-se para ser candidato ao senado em 1978.

Por mais que puxe pela memória não consigo lembrar o nome do sítio ou qual o trecho exato da estrada e muito menos o nome do cidadão que, de espingarda na mão, pôs areia na mudança do traçado da nova estrada. Ele hoje deve estar ao lado de Ivan, rindo à beça deste cronista saudoso.  

Francisco Cartaxo

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Contato: cartaxorolim@gmail.com

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