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Distrito de Engenheiro Ávidos e a construção do açude IV

20/11/2015 às 20h00

Por José Antônio

Foi com a corajosa decisão do presidente Epitácio Pessoa, que as obras do Açude de Boqueirão, foram iniciadas, o escritor paraibano José Américo de Almeida, em seu livro A Paraíba e seus Problemas (pgs. 394 a 396), retrata com detalhes:

“Os serviços, iniciados a 1 de julho de 1921, um pouco lentamente, nos primeiros meses, por dificuldades de transportes, tinham logrado extraordinário andamento, depois da ligação à estrada de ferro de Baturité. Havia no local 3.300 metros de linha com o tráfego, para diversos serviços, de três locomotivas de 20 toneladas e 40 carros. Afigurou-se-me um sonho e percurso pelos contrafortes da serra solitária par a pedreira próxima.

Era regular a organização dos serviços pelo sistema central para distribuição de força termoelétrica. Estavam instaladas as oficinas, a usina de força motriz, servida por quatro caldeiras verticais, tipo Wickes de 300 H.P., assim como quatro geradores de 225 KW, três compressores de 450 pés cúbicos por minutos para suprimento de 24 perfuratrizes, os britadores, as betoneiras e os distribuidores de concreto.

Acabavam de ser montadas uma das torres do  cabo aéreo e três guindastes de 35 metros de lança e dois de 20 metros.

Tinha sido construída uma represa, com tanque e filtros para o abastecimento d’água.

A fundação era reputada excelente. O volume total da escavação já se elevava a 122.000 metros cúbicos sendo 120.000 de terra e 2.000 de rocha.

Essa grande obra, que se ultimaria no prazo máximo de quatro anos, deveria ficar com uma barragem de 54 metros de altura e 440 de comprimento e com a capacidade de 590 milhões de metros cúbicos de água.”

Infelizmente, o presidente Arthur Bernardes, mandou suspender os trabalhos, o Brasil estava sob Estado de Sítio, sob protesto de José Américo: “se amanhã, repontar outra seca, com a desorganização que não puder ser inteiramente remediada, pelas obras incompletas, será tremenda a responsabilidade de quem, por bem pouco, se despercebeu desse desastre”.

Mas coube ao grande paraibano, José Américo de Almeida, como Ministro da Viação e Obras públicas, em 1932, mandar reiniciar os trabalhos de construção do Açude de Boqueirão, que estavam paralisados desde 1925.

Com a paralisação todo o material ficou exposto a uma total destruição e parte , não só do material, mas também de ferramentas, sob o pretexto de ser ferro velho, foi vendido, mas algumas delas ainda tinham a etiqueta de fábrica. 

1930 foi um ano fraco de inverno, em 1931 foi mais fraco ainda e em 1932 tivemos uma das maiores secas já registradas no nordeste e em 20 de junho de 1932, sob a direção do Engenheiro Lauro de Mello Andrade, que tinha como auxiliares os Drs. Gentil Ferreira e Hugo Sobral, as obras foram reiniciadas.

Foi uma tarefa difícil para Dr. Lauro: além de ter que reaparelhar todo o equipamento mecânico, montado há dez anos e praticamente abandonado, teve que enfrentar sérios problemas decorrentes da calamidade criada com a seca, principalmente com a leva de flagelados, as questões sanitárias e a escassez de água.

Em outubro de 1932 Dr. Lauro adoeceu e foi substituído pelo Engenheiro Moacyr Monteiro Ávidos, que faleceu a 15 de dezembro daquele ano, vitima da epidemia de tifo-desintérica que dizimou grande parte daquela população improvisada.

Este epidemia, será tema de um dos capítulos do livro: “Os filhos da Seca”.

José Antonio

José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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José Antonio

José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br