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Francisco Cartaxo

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Feito corno eleitoral

09/08/2014 às 13h32

Está aberta a temporada de compra e venda de votos neste curioso mercado de transações criminosas. O candidato senta com o dono da mercadoria, discute preço, quantidade de votos, modalidades de pagamento etc. etc. Tudo sem grande formalismo, na base da confiança, dada a natureza do negócio, um delito previsto na legislação eleitoral, poucas vezes punido, apesar de praticado a cada pleito. Engraçado, todo mundo sabe, inclusive as autoridades responsáveis pela fiscalização. Difícil é esse tipo de crime eleitoral deixar rastro, a não ser num caso ou noutro, tanto que as denúncias morrem por falta de provas. 

Quem não compra voto? 

Este ano, todos os candidatos são potenciais compradores de voto: postulantes a governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Deixo de lado, hoje, a traficância dos majoritários. Falo apenas dos deputados. Nem todos compram votos, é claro, até porque muitos não têm onde cair duro… Alguns, porém, não mercadejam por convicção democrática, adotam conduta ética em respeito à cidadania. Portanto, estão fora do mercado. Eles vendem ideias, respeitam o mandato conquistado graças à dedicação aos interesses coletivos. São poucos, lamentavelmente. 

Quem compra voto?

No caso do deputado federal, as transações assumem feições próprias. Ele está em Brasília, longe do eleitor. Parte dos vendedores possui vínculo funcional público, como assessor, secretária, motorista, enfim, gente do gabinete do deputado. Servidores da Câmara Federal, muito embora haja entre eles quem nunca pós os pés em Brasília… Contudo, são funcionários públicos, a serviço do deputado, com salário pago pelo governo, quer dizer, com impostos que todos nós pagamos. Para fazer o quê? Para fazer campanha o ano todo, arranjar votos para a reeleição do seu protetor. Dessa forma, os candidatos à reeleição entram, com vantagem, no mercado de compra e venda, pois têm uma máquina permanente de segurar votos. Mas essa prática não é suficiente para reeleger o deputado federal. Por isso, nesta época, ele chega com força para comprar, quase sempre em parceria com o candidato a deputado estadual. Este negocia no varejo repassando a grana recebida do deputado federal. É a famosa dobradinha. 

E as prefeituras municipais? 

A prefeitura vira centro de compra a prazo. Em muitos aspectos, usam táticas iguais às dos deputados federais. Empregam chefetes locais ou familiares em cargos comissionados (ou simplesmente pagam mediante recibo) durante meses. Compra-se na folha a mercadoria a ser entregue na urna, como se fazia no tempo do algodão. Com uma diferença essencial: o algodão era adquirido com dinheiro privado. Há muitos outros mecanismos usados, como se fosse a coisa mais normal do mundo misturar no mesmo bolso verba pública e grana particular do prefeito. Bom ainda tem o por fora, para garantir aumento do patrimônio pessoal e familiar. 

 Quem vende o seu voto?

Uma ruma de gente. Prefeito, vice-prefeito, vereador, chefe político, chefete local. São os donos dos votos. Às vezes, o eleitor nem sabe que seu voto entrou na transação! Mas o seu voto está lá, anotado no arquivo eletrônico do deputado assim: vendedor – fulano de tal, município – xis, votos prometidos n. Prego batido, ponta virada. Seu voto foi negociado no varejo e no atacado. E o eleitor entra na história, feito um corno eleitoral. 

Francisco Cartaxo

Francisco Cartaxo

Contato: cartaxorolim@gmail.com

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Contato: cartaxorolim@gmail.com