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Francisco Cartaxo

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Inimigos da diocese de Cajazeiras

16/07/2014 às 16h56

Dia desses escrevi a respeito da relevante missão entregue ao cônego Sabino Coelho de arrecadar fundos para formar o patrimônio da nascente diocese de Cajazeiras. Missão cumprida em onze meses de andanças por trilhas sertanejas, em lombo de burro, “sob a inclemência de um sol ardente, num percurso de 500 e tantas léguas”, como ele registrou no Relatório, de 25 de março de 1914, a dom Adauto, bispo da Paraíba. Sabino Coelho recolheu a expressiva quantia de quase 37 contos de réis, equivalente a mais de três vezes o valor das receitas do município de Cajazeiras em 1913! Para tanto, venceu muitos obstáculos físicos. Difícil, porém, foi aceitar a oposição à ideia de instalar aqui um bispado. Por isso, aquele sacerdote deixou explícita no Relatório sua indignação:

“Entretanto, é lamentável, Exmo. Snr., e com pesar o digo, no desenvolver desta propaganda que só visa o bem, a glória de Deus e a felicidade dos sertanejos, encontrei alguns filhos de Cajazeiras que, em lugar de coadjuvarem-me como era de esperar, deixaram-se arrastar por motivos inconfessáveis, opondo-se tenazmente à realização de tão magno desideratum.”

Quem seriam os inimigos da diocese?

Não sei. Em muitos anos de pesquisa sobre a história de Cajazeiras, eu não encontro referência a pessoas, grupos ou partidos contrários à criação da diocese. Por isso, levanto algumas hipóteses, na esperança de instigar quem, com mais conhecimento ou mais sorte do que eu, possa esclarecer esse ponto obscuro do nosso passado. Começo por estas indagações. Havia em Cajazeiras, no início do século vinte, intelectuais (ainda que fossem de meia tigela) adeptos do positivismo? Existia aqui um núcleo da maçonaria? O anticlericalismo cajazeirense chegaria ao ponto de opor-se abertamente à poderosa Igreja Católica? Os protestantes, então minoria insignificante, teriam força para contestar a criação da diocese?

Confesso minha incapacidade de resolver essas dúvidas, acerca das quais historiadores, memorialistas não deixaram registros ou pistas seguras. A tradição oral, se por ventura repassou nomes dos que se opuseram à iniciativa da Igreja, não chegou até nós, dissolveu-se, quem sabe, na alegria, na vaidade, no orgulho, na importância das realizações materiais, espirituais e religiosas decorrentes da instalação da diocese de Cajazeiras.  

A reação teria origem nas lutas políticas locais?

Talvez. Nesse campo, o primeiro nome a surgir é o do coronel Justino Bezerra, como insinuou José Antônio de Albuquerque, em conversa recente. O coronel Justino exerceu influência política, fora da órbita do bloco familiar-partidário mais forte de Cajazeiras no Império e na República Velha, formado pelos Rolim, Cartaxo e Coelho. O coronel Justino Bezerra, um homem rico para os padrões da época, poucas vezes assumiu o comando político local. Comandou graças ao respaldo de chefes de oligarquias estaduais, com as quais mantinha vínculos. E o fez em oposição àquele grupo hegemônico. Justino Bezerra morreu em 05 de agosto de 1913, justo no período em que o cônego Sabino Coelho andava sob o sol inclemente do sertão amealhando recursos para a diocese. De qualquer sorte, os adeptos do antigo Partido Conservador, com ou sem Justino vivo, podem ter sido os espíritos de porco mencionados pelo cônego Sabino. Persiste a dúvida.

Francisco Cartaxo

Francisco Cartaxo

Contato: cartaxorolim@gmail.com

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