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Francisco Cartaxo

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Memórias do padre Raymundo Honório Rolim

20/08/2014 às 18h59

O padre Raymundo Honório Rolim tem atribulada trajetória de vida. Com 84 anos de idade, incluindo quase 55 como sacerdote, ele viveu episódios inusitados metendo-se em muitas encrencas. Disso dá conta até mesmo o título de seu livro, Vida e missão atropeladas. São 91 pequenos textos, distribuídos em 178 páginas, impressas na Gráfica Real, de Cajazeiras, em fevereiro de 2014. Fez muito bem o vigário, nascido em 1930 no sítio Vale Verde, em registrar suas memórias sem aquelas chatices usuais nesse tipo de literatura, marcado por excessivo apego ao “eu fiz isso, eu fiz aquilo”, ou ao “por que me ufano de mim mesmo”… Ao contrário, ele abre mão de narrar na primeira pessoa, optando por usar a terceira pessoa do singular, e elege três protagonistas: Mousinho, Raymundinho e padre Raymundo. Os três são um só cristão, cada qual simbolizando uma fase de sua vida. 

Mousinho, apelido do tempo de menino, permanece até sua entrada no seminário de João Pessoa, em 1948, quando passa a ser Raymundinho. Após ordenar-se por dom Zacarias Rolim de Moura, em dezembro de 1959, vira o padre Raymundo. Aquele mesmo que, em 2000, mandou cercar de arame farpado a igreja matriz de Fátima. Por quê? Ele explica: “em consequência do carnaval que era instalado na Praça João Pessoa, dado que a farra e a sacanagem da folia se estendiam até as dependências do patamar da matriz, que se transformava em palco de todo tipo de safadeza, inclusive de sexo explícito.” Como a prefeitura não tomou as providências, ele agiu. O reboliço foi enorme, ampliado pela mídia, que teve no episódio um prato cheio!

O livro, segundo o autor, “não é um romance de aventuras, muito menos um relato de uma tragédia vital, é apenas um resumo de uma história pessoal entremeada de lutas pela sobrevivência frente às adversidades, que qualquer pessoa enfrentou ou poderá encontrar”. Na verdade, trata-se do registro de situações de sua vida devidamente contextualizadas. Situações vividas em lugares por onde andou, desde menino de roça em Cajazeiras, até renunciar à função de vigário da paróquia de Fátima e de deixar de cuidar de pequena gleba onde “construiu uma casa que foi alvo de 23 arrombamentos praticados por desconhecidos, no intuito de roubar ou simplesmente destruir o que estava à mercê do vandalismo”. Que horror!

Dos anos de matuto pobre no Vale Verde, destaco suas lembranças de histórias ouvidas acerca de “heróis ausentes” como Antonio Silvino, justiceiro do Nordeste, Raimundo Augusto, de Lavras, e Zequinha das Contendas. Mais tarde, os heróis viraram bandidos, como os Bentivi, que vinham do Cariri com aparência de inofensivos trabalhadores rurais. Um deles, conta padre Raymundo, Joaquim Bentivi, trabalhou no sítio de seu pai, mas seu Honório descobriu tratar-se do remanescente cangaceiro, conhecido pelo apelido de Bage. Dispensado, o pistoleiro sumiu, mas reapareceu dois anos depois com a intenção de matar seu Honório. Apavorado, este avisou a polícia, que cercou a casa, deu início a tiroteio do qual Bage saiu cadáver. O relato me causou emoção, afinal, Bage foi modelo do conto “Escanchado feito um porco”, numa referência à imagem que guardei desde menino, do corpo de Bage transportado pela polícia nas costas de um jumento, feito um porco. O conto foi premiado em concurso nacional da Revista Acauã, em 2006. Voltarei ao livro.

Francisco Cartaxo

Francisco Cartaxo

Contato: cartaxorolim@gmail.com

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