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Francisco Cartaxo

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Nos braços de Frida Kahlo

18/01/2015 às 18h24

Ele “encostou Frida contra a fachada e beijou-a nos lábios enquanto, entre pausas, lhe dizia o quanto a desejava.” Assim o escritor cubano Leonardo Padura descreve a cena na qual Leon Trotski extravasa sua paixão por Frida Kahlo, mulher de Diogo Rivera. Antes disso, cartas e poemas de amor escondidos em páginas de livros sinalizavam o nascente caso de amor entre os dois, ela impactada pela descoberta da recente traição do marido com a própria cunhada, Cristina Kahlo. O caso Diego/Cristina foi objeto de longas conversas de Trotski com Frida, após o russo levar um fora da irmã de Frida. Isso mesmo. Trotski e Cristina trocaram olhares e carícias em feição de sexo… Ela, porém, cortou delicadamente: não confunda “admiração e afeto com outros sentimentos”. Trotski avermelhou. De vergonha. 

Expulso da Rússia, Leon Trotski e a esposa Natália – depois de passagens turbulentas por vários países europeus – foram acolhidos no México, onde passaram a morar na residência do casal de artistas plásticos Diego Rivera e Frida Kahlo. Ali o russo continuou a desenvolver intensa atividade intelectual e política de contestação ao rumo tomado pelo regime comunista, à época, chefiado por Stalin. Pois bem, naquele ambiente, o intelectual revolucionário teve seus instintos despertados pelo “esvoaçar das irmãs Kahlo”, na expressão do narrador do romance. A história registra o assassinato de Trotski pelo espanhol Ramón Mercader, em 1940, com uma picaretada na cabeça. Ramón era um militante comunista escondido em falso nome e falsa nacionalidade, a quem um grupo restrito de dirigentes russos dera a missão de por fim a vida do mais temível adversário do regime comandado com mão de ferro por Stalin. 

O romance “O homem que amava os cachorros” expõe, com elegância de linguagem, as travessuras sexuais do apaixonado personagem e Frida, cuja inteligência e liberalidade em abordar questões íntimas o seduziram. Além de ter metade de sua idade… O narrador do romance fala do deslumbre do personagem Trotski: “Embora o corpo da pintora impusesse a barreira de uma deformidade física que a obrigava a se valer de espartilhos ortopédicos e uma bengala para ajudar a mais afetada das pernas, (…) a mulher assumia o sexo e a sensualidade de forma agressiva, transbordante”. Isso provocou uma explosão de virilidade em Trotski, que reviveu os tempos de sua juventude, quando era poderoso comissário do povo.

Esse clima tórrido de sexo e paixão perdurou até que Frida e Trotski viram chegar ao fim uma aventura gozada intensamente. Para ele foi mais difícil encarar a realidade de uma paixão exótica e erótica, vivida em meio às agruras de exilado político, aguerrido militante antes, durante e depois da vitória da revolução socialista que prometia substituir a sociedade de classes na Rússia pelo governo do proletariado. Um sonho. Sonho, aliás, já transformado para o próprio Leon Trotski em pesadelo, a partir da derrota interna travada com os grupos que, mais tarde, tiveram em Stalin o chefe supremo do poder político, militar, partidário e administrativo de seu país. 

A paixão de Frida durou pouco. Feneceu ante as enormes dificuldades de convivência num contexto adverso e hostil, como narra com recursos literários o cubano Leonardo Padura, num livro de qualidade e múltiplos temas. 

Francisco Cartaxo

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Contato: cartaxorolim@gmail.com

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