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Francisco Cartaxo

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O gavião e o bem-te-vi

28/11/2015 às 20h57

Por Francisco Frassales Cartaxo

Da varanda do meu apartamento no Recife acompanhoa construção do ninho de bem-te-vis,nos galhos mais altos de um jambeiro,poucoabaixo do 9º andar, onde moro. Portanto, olho o ninho de cima para baixo e sigovoo a voo, graveto a graveto a edificação do aconchego dereprodução da espécie.Situação distinta da que observo,em Cajazeiras,no gigantescopé de tamarindo, ao lado da casa do meu irmão Tantino Cartaxo. Lá,o canto, os gorjeios me chegam das alturas da secular tamarineira,no balançoda sua verde folhageme da ácida fruta. É outra paisagem, outro clima, outra árvore.São outroscasais de pássaros, que o bem-te-vi não é ave de tradição migratória.

Apesar disso,eles, os bem-te-vis de lá e de cá,têm a mesma índole, a valentia, as ousadas técnicas de defesa, usando a tática de agredir os que lhesameaçam. Ainda hoje, presenciei da varanda – privilegiado posto de observação – a aproximação de um gavião. (Não pense a leitora que esse predador é ave rara no Recife. Não é, sempre vejo seu esvoaçar entre prédios e até já surpreendi um gavião comendo a carne que descongelava na área de serviço do vizinho…).Hoje pela manhã, lá estava um gavião pousado no muro do edifício em frente ao meu, à sombra do pé de jambo, exatamente, onde se acha o ninho do bem-te-vi. É claro que só tive olhos para acompanhar os movimentos dovalentão. Não esperei muito. O voo seguinte domalvado foi rumo àgrade do terraço de um apartamento, tentandochegar mais perto do ninho. Mal o gavião abriu as asas para novo deslocamento, eu vi chegar o bem-te-vi feito uma bala. E já veio afiado, bicando o dorso do gavião que, de asas abertas, voou apressado em ziguezague, sem rumo e, pior para ele, atraindo a presença de mais dois bem-te-vis, saídos de repente não sei de onde. Aí foi mais fácil ainda, botaram o gavião para correr, na repetição de espetáculo já visto aqui em outras situações. E, obviamente, muitas vezes em Cajazeiras e no sertão. 

Foi um gavião, como poderia ser o primo carcará, aquele bicho malvado que avoa que nem avião, que come cobra queimada, que pega, mata e come sua presa indefesa, nas paragens sertanejas, como o maranhense João do Valemuito bem captou em sua veia artística.E transformou no sucesso de canto e poesia que encantou a esquerda festiva no tempo da ditadura, o “Carcará” feito hino de luta dos contestadores ao regime político de exceção. A baiana Maria Betânia, mais do que a carioca Nara Leão, soube dar sentido de guerra àquela música, com sua interpretação firme e altiva, ela, tão pequena, magra e frágil, mais próxima da aparência de um bem-te-vi do que dotemível carcará, devorador de cobras e borregos que nascem na baixada…Ah, as aparências! Como enganam! 

Entre os homens, há muitos gaviões. 

Fortes, ameaçadores, aproveitam-se das fragilidades dos outros, das dificuldades dos pequenos, e também de grandes, em se defenderem de suas garras afiadas, usadas para sobreviver às custas de vidasalheias. Ao longo da história da humanidade, às vezes, historiadores e estudiosos têm os sentidos voltados para os gaviões, que avoam como avião, gigantes, poderosos, singrando nas alturas,a observar lá embaixo potenciais vítimas.Mas é bom olhar com atenção os bem-te-vis humanos, parecidos com os que observei, hoje pela manhã,tangendo para bem longe o ameaçador gaviãono coração do bairro de Casa Forte.

Francisco Cartaxo

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Contato: cartaxorolim@gmail.com

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