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Francisco Cartaxo

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O livro de memórias de Tota Assis

27/06/2013 às 15h00

Livro de memória é baú de emoções da família e de amigos. E também fonte para curiosos, cientistas sociais e historiadores, embora usada com reserva em face do grau de subjetividade imanente ao memorialismo. O livro de Antonio Assis Costa desempenha esse papel com perfeição porque a história de Cajazeiras carece de depoimentos seguros, em especial, de informações políticas. Parece até que a imagem grandiosa do padre Inácio de Sousa Rolim projeta sombras fortes e desviam o foco de recantos históricos. Essa tradição vem desde a biografia pioneira do padre Heliodoro Pires, mais tarde retomada por Deusdedit Leitão. Eles e Antonio de Souza deixaram um legado fundamental, mas com visíveis lacunas. As memórias de Tota Assis ajudam a reduzi-las.

O livro de Tota Assis foi uma revelação quando comecei a estudar com mais cuidado a história política de Cajazeiras, mercê da riqueza de episódios narrados por ele, de pistas antes inexploradas, de perfis de figuras marcantes na área econômica, social, política, cultural e partidária da sua época. Tudo isso Tota registra com a simplicidade de quem escreveu suas memórias, sem preocupações com o rigor inerente aos cientistas. Isto não é função de quem divulga suas recordações. O memorialista fixa seu olhar em situações, e opina com total liberdade frente ao ambiente onde exerceu atividades profissionais, partidárias, políticas. Pouco importa o viés ideológico escondido nas opiniões. Separá-lo é tarefa para quem ler. O perfil que ele traça do mais influente chefe político de Cajazeiras do seu tempo extrapola uma ingênua impressão de criança. É o retrato perfeito do coronel, a célula básica do sistema político dominante na República Velha. Aluno do professor Crispim Coelho, o menino Tota Assis assim viu o coronel Sabino Rolim num dia de eleição:

Ao redor da mesa eleitoral, rondava com seu fraque preto e o correntão de ouro atravessado na barriga do colete, preso a um relógio de ouro maciço, pois fortuna não lhe faltava, o Coronel Sabino que gritava de dedo em riste: – É Epitácio e mais ninguém. A eleição é para Epitácio, é Epitácio… Presume-se que alguns goles de vinho do Porto ou conhaque Macieira legítimo, a bebida da moda, influenciavam os arroubos políticos dos Chefes.

Além de responsável chefe de numerosa família, Tota Assis desempenhou diferentes missões em Cajazeiras, militante que foi de muitas causas, sempre abraçadas com ardor, às vezes, até se indispondo com amigos, eventualmente, situados em campos opostos. Essa marca de sua personalidade e muitas outras afloram no seu A(s) Cajazeiras que eu vi e onde vivi, que seus familiares reeditam agora em formato e edição mais bem cuidada para marcar as comemorações dos cem anos de nascimento do bonachão Antonio Assis Costa. Homenagem justa, merecida, oportuna. E útil para a história de Cajazeiras.

P S – Este texto está na contracapa da terceira edição do livro A(s) Cajazeiras que eu vi e onde vivi, lançado no dia 20 de junho no Cajazeiras Tênis Clube.

Francisco Cartaxo

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Contato: cartaxorolim@gmail.com

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