header top bar

Francisco Cartaxo

section content

Padre Rolim e Revolução de 1817 (2)

14/05/2017 às 10h19

Na abertura da 2ª edição do livro do padre Heliodoro Pires, “Padre mestre Inácio Rolim”, Sebastião Moreira Duarte assim resumiu a relação do padre Rolim com os movimentos rebeldes do começo do século XIX:

“Formando-se no seleiro da agitação política onde se gestou uma dolorosa revolução e sendo contemporâneo de tantos movimentos armados no seu Nordeste e pelo Brasil a fora, não há notícia de que tenha tomado parte ou dado uma palavra sequer a favor ou contra qualquer dessas lutas, a favor ou contra qualquer facção ou partido político”.

O “seleiro de agitação” era o Seminário de Olinda, onde Inácio estudou cerca de três anos até 1825, e de onde, é pertinente lembrar, saiu o subdiácono José Martiniano de Alencar, no início de 1817, com a missão de conquistar a adesão do Ceará à causa da Revolução.  Junte-se a isso, a amizade de Bárbara de Alencar (mãe de Martiniano) com os pais de Inácio Rolim, como vimos em crônica anterior.

Por que Inácio não entrou no embalo revolucionário?

Salta à vista a idade. Inácio Rolim tinha apenas 16 anos. E quando se fixou no Crato, Martiniano de Alencar já tinha voltado da prisão na Bahia. Pode-se especular então: Inácio poderia ter sido contagiado pelo clima de rebeldia dominante em Pernambuco, antes e depois do 7 de setembro de 1822. Na Confederação do Equador, por exemplo. Mas isso não ocorreu. Nem como aluno nem como professor do Seminário de Olinda. O silêncio foi uma constante.

Que razões levariam Inácio ao silêncio?

Difícil saber. É possível que a ligação de Vital Rolim e Mãe Aninha com Bárbara de Alencar tenha provocado um efeito contrário no espírito e na disposição do jovem Inácio. Avesso ao engajamento político. Como assim? Pode-se admitir duas razões. Primeira, Inácio Rolim tinha uma predisposição para rejeitar lutas daquele tipo, mercê de sua formação conservadora, forjada no ambiente familiar, mais ajustada a seus ideais e aos anseios de sua devotada mãe. Mãe que escolheu o local e construiu a capela para o filho padre.

A outra razão, estaria na possível repercussão emocional no imaturo Inácio das consequências dramáticas da ação revolucionária dos Alencar. Ora, a saga de rebeldia dos Alencar foi trágica, a começar pelas prisões de Bárbara, filhos, parentes e amigos. E mais, quando Inácio ainda estudava em Olinda, em 1825, padre Martiniano foi preso de novo e levado para a Corte no Rio. Em plena viagem ele escreveu a famosa “Súplica” ao imperador Pedro I, na qual expõe a versão da sua participação nos acontecimentos de 1817 e 1824. Ao se referir às disputas políticas no Cariri, Alencar chama os inimigos de “canalha desenfreada e facinorosa”, e resume o caos vivido pela família, realçando o “triste espetáculo da miséria, desemparo e fome a que se acha reduzida uma numerosa família, composta de uma mãe sexagenária e de mais de vinte indivíduos entre viúvas, donzelas e tenras criancinhas, vítimas da orfandade em que deixou a morte de um irmão, de um tio, de um primo e de um sobrinho, consumidos na revolução”.

Mesmo sem comprovação documental ou amparo na tradição oral, é legítimo apontar essas causas do silêncio do padre Rolim diante dos movimentos libertários daquela época.

E Cajazeiras como entrou na história?

Não entrou. Em 1817, Cajazeiras não passava de uma fazenda. A casa de Vital de Sousa Rolim tinha sido construída há poucos anos. A capela e o colégio ainda não existiam. A povoação virou “distrito de paz da comarca de Sousa” em 1843, e só foi elevada à condição de vila, sede do município, em 1863.

Francisco Cartaxo

Francisco Cartaxo

Contato: cartaxorolim@gmail.com

ENTREVISTA

VÍDEO: Programa Psicologia no Ar recebe professor doutor de Cajazeiras pra falar sobre Psicologia Social

INTERVIEW

VÍDEO: Autor do filme “Memória Bendita” fala sobre os desafios de promover cultura na região de Sousa

EM CONTINÊNCIA AO SENHOR JESUS

Programa: Em Continência ao Senhor Jesus com os membros da Igreja Fonte de Água da Vida

MARIA CALADO NA TV

Maria Calado na TV recebe diretamente do Rio Grande do Norte, Fábio Carvalho; CONFIRA!

Francisco Cartaxo

Francisco Cartaxo

Contato: cartaxorolim@gmail.com