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Francisco Cartaxo

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Pausa para forrozeiros paraibanos

25/06/2017 às 11h44

Você escuta, canta, assovia, solfeja, cantarola, dança a música. Rumina. Em torno da fogueira, a família se reúne, solta traque, canhão, chuvinha, bombas, foguetes de São João. A música está ao fundo, instigando alegria e, quem sabe, o reviver de quadrilhas ou cenas de amores furtivos ou paixões incontroláveis. Você dança. Ah, a dança! Dança à vontade, solta o corpo e a mente, trina a voz ao ouvido do parceiro, rebola, ginga, volteia, o suor a escorrer de mansinho pelo corpo, a sensualidade revelada no passo afoito, no sussurro cúmplice, no beijo descuidado, no gesto de afastar corpos em vibração para deixar que o olhar confirme a expressão do desejo, a aflorar ali mesmo no embalo da música.

O cantor você conhece.

O nome badalado em emissoras de rádio e televisão, em vídeos na internet, os anúncios invadindo todos os lugares. Nesta época de festa junina a curtição é enorme, abrindo-se mais portas ao nosso forró a espalhar-se com músicas de ontem e de hoje. E de sempre. A cantora você conhece. Até já esteve em show dela.
E o compositor?

Você não sabe quem é. Talvez um outro você lembre, a maioria, todavia, passa batido. Penso essas coisas e recordo, também, campanhas eleitorais, quando muitos políticos adotam músicas do agrado popular para seduzir eleitores. Lá atrás, João Agripino colou sua fama de valente, destemido, corajoso, cabra macho do sertão, ao famoso Homem com H: nunca vi rastro de cobra/ nem couro de lobisomem/ se ficar o bicho pega/ se correr o bicho come/ porque eu sou é homem/ E como sou! Caiu como uma luva em João Agripino que sempre vendeu a imagem do cabra de Catolé do Rocha!

Em única aventura eleitoral em busca da prefeitura de Cajazeiras, em 1982, eu usei a música Debaixo do lençol: o que a gene faz/ é por debaixo do pano/ pra ninguém saber. Por quê? Porque naquele ano, votar na oposição era gesto de coragem, dada a força repressiva do poder, ainda impregnado da cultura política e de instrumentos da ditatura, a eleição submetida à legislação restritiva da liberdade do voto, até de usar o Guia Eleitoral, salvo para a leitura do currículo do candidato. O jeito era apelar para o carro de som, e pregar o voto em segredo, o voto por debaixo do pano. Foi uma tática do PMDB de Cajazeiras. Do velho PMDB, não esse de hoje, claro.
E o compositor, quem é afinal?

Homem com H e Debaixo do Lençol são composições de Antônio Barros, paraibano de Queimadas. Ainda menino, tinha a mania de cantar. Em Campina Grande, meteu-se a tocar bandeiro em cabaré, na Rádio Caturité e, mais tarde, aqui no Recife, na Rádio Tamandaré. Tomou gosto. Do Recife para o Rio foi um pulo. Descobriu que fazer música não era bicho de sete cabeças. E fez. Muitas em parceria com sua mulher Mary Maciel- Cecéu), com quem formou dupla e gravou as próprias músicas. Suas criações ganharam o mundo nas vozes de um monte de cantores nordestinos. E de gente de fora do ambiente regional, como Ney Matogrosso, que fez enorme sucesso com Homem com H.

Mais de 700 composições!

Bate coração, É proibido cochilar, Óia eu aqui de novo, Amor bandido, Bulir com tu, Sou o estopim e lá estão elas em qualquer recanto onde houver ouvido para ouvir, voz para cantar, lábios para assoviar. Gente para dançar. Quase ninguém sabe, no entanto, que ele e Cecéu estão vivos, moram em João Pessoa e ainda fazem show. Não como os de antigamente que a idade é cruel. Antônio Barros tem hoje 87 anos. Por isso preferem, os dois, pequenas reuniões nas quais tocam, cantam e contam histórias da vida.

Francisco Cartaxo

Francisco Cartaxo

Contato: cartaxorolim@gmail.com

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Francisco Cartaxo

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Contato: cartaxorolim@gmail.com