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Francisco Cartaxo

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A prisão dos corruptores

03/04/2016 às 11h56

A FÁBRICA DO CRIME - Por Carlos Gildemar

Francisco Frassales Cartaxo

Fato inusitado, grandes corruptores brasileiros estão presos. Neste começo de abril existem cerca de cem condenados pela Justiça por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha etc. São poderosos empresários, o principal deles, Marcelo Odebrecht, de um grupo que atua em 27 países. Uma potência que começou lá atrás, há 72 anos, graças à visão de Norberto Odebrecht, avô de Marcelo. Portanto, terceira geração familiar. Nada parecido, obviamente, com as empresas fantasmas de Francisco Justino, dissolvidas ao primeiro sopro da Operação Andaime.

Pois bem, Marcelo Odebrecht foi preso preventivamente, investigado, julgado e condenado pelo juiz Sergio Moro a 19 anos e quatro meses de cárcere. O processo teve começo, meio e fim na primeira instância. Igual a Marcelo estão donos e executivos de outras grandes empresas, como Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, Camargo Correa, OAS, Galvão Engenharia, Engevix, UTC. Alguns importantes empresários fizeram acordo de colaboração premiada, tal como Justino e sua família. Por isso, obtiveram redução de penas e outros benefícios. Mas todos os culpados, sem exceção, tiveram suas penas fixadas em sentenças do jovem magistrado. Estão presos ou usam tornozeleiras eletrônicas.

O leitor viu isso antes no Brasil?

Já ouviu falar de ladrão da elite ir parar na cadeia? Não. Nunca na história deste País, como diria Lula. É bem verdade que o juiz Lalau e o empresário-senador Luiz Estevão foram condenados por roubo na construção de um prédio da Justiça, em São Paulo. Um caso isolado. E assim mesmo o senador só foi para o cárcere no mês passado, 20 anos depois de proferida a sentença condenatória, graças a recente deliberação do STF determinando que, após a confirmação da decisão em segunda instância, o condenado não pode recorrer em liberdade. Estevão apresentara 34 recursos meramente protelatórios! Esse tipo de sacanagem acabou.

Nunca houve nada parecido no Brasil.

O bloco corruptor, hoje na prisão, financiou todos os partidos políticos. Quase todos. Senadores, deputados, governadores, presidentes da República. Essa gente é forte, detém parcela significativa do poder. Do poder real. Essa gente age na sombra, mistura o público e o privado, numa tremenda promiscuidade que, na prática, anula a eficácia das leis republicanas, falseando os legítimos canais de expressão da vontade do eleitorado. Escracham a democracia. Agora a Lava Jato alumia seus crimes e mostra a cara dos ladrões.

O Brasil começa a mudar.

Apesar de fatos tão significativos, não se vê na mídia, nas redes virtuais, nos partidos políticos, na academia nenhuma análise séria da realidade brasileira, tendo como foco a prisão de dezenas dos corruptores, autênticos deformadores do processo político e eleitoral brasileiro. Cadê a luz do saber científico de sociólogos, professores, cientistas políticos, historiadores? Que lições tirar da devassa da Lava Jato no submundo da corrupção? Como avaliar a ação dos órgãos de fiscalização e controle? Que papel a sociedade organizada poderá desempenhar?

Quase nada de escreve acerca disso com seriedade. Confesso minha decepção com a elite pensante do Brasil. Só tenho visto o comodismo maniqueísta: um “juiz da roça” eleito o inimigo número um! Ou então, tratado como herói! Gente, é muita masturbação intelectual a esconder interesses subalternos.

P S – “Juiz da roça”, foi assim, com deboche e preconceito, que o historiador Sidney Chalhoub, professor/doutor da Unicamp, apelidou Sergio Moro. O que não diria se o juiz fosse nordestino, hein?

Francisco Cartaxo

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Contato: cartaxorolim@gmail.com

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