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José Antonio

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Solidonio Lacerda “encantou-se”

08/03/2014 às 15h03

“Quando eu morrer minhas cinzas serão espalhadas aos pés do Cristo Redentor de Cajazeiras”. Ouvi esta frase mais de uma vez do cajazeirense Solidonio Lacerda, que ao visitar a sua querida e idolatrada terra natal me presenteava com a sua visita. 

Depositava em sua alma o mais puro sentimento de “cajazeiribilidade” e era tanto o seu amor por esta terra que nem as belezas da Cidade Maravilhosa o fazia esquecer-se dos encantos da sua Cajazeiras cujas noticias ecoavam em seu espírito como longínquos rumores de uma bendita tempestade.

O imperativo de sua consciência tinha um só destino, muitas lembranças e inúmeras e indeléveis memórias, que no relicário de seu coração se chamavam Cajazeiras.

As sementes das lembranças plantadas em seu coração desabrocharam com magníficas florações e uma delas – a gratidão – tornou a sua alma cativa, escrava e submissa ao amor a esta cidade que lhe serviu de berço.
Mas o que faz um homem, que residia e trabalhava no Rio de Janeiro e onde educou seus filhos e netos e se tornou uma referência nacional como radiologista, sentir-se plenamente feliz todas às vezes ao ser indagado de onde era, proclamar: sou cajazeirense!

Para Solidonio, Cajazeiras, era a consagração universal do seu mundo, um patrimônio do seu coração, um donatário de suas terras, das suas ruas, das suas praças e que a engrandecia na constância de seu devotamento filial.
Do seu reencontro com a cidade e com os amigos, todos eles povoados de muitas emoções, sempre era recebido como um filho ilustre e era reverenciado com os mesmos sentimentos fraternais por seus conterrâneos. 
Ele passeava pela cidade, por suas praças, ruas e vielas e delas recolhia os ecos do passado e bebia as seivas das saudades e quando erguia os olhos para a nossa Catedral, que se destaca na amplidão do céu, recebia silenciosamente, da Virgem da Piedade, num cenário de amor e veneração, a sua generosa benção.

Solidonio tinha incrustado na sua memória a imagem do Cristo Redentor, que estando em Cajazeiras, voltava os seus olhos para o alto da colina e devia sentir a necessidade da súplica, a necessidade de pedir, implorar para que os sacrifícios de seus conterrâneos fossem transformados em alegrias, que os rigores do sol fossem atenuados e os ventos abrandados e das nuvens caíssem chuvas para a seara fecunda.

Solidonio, ao declinar o desejo de ter o seu corpo cremado, talvez, não quis ser prisioneiro das alamedas da saudade de um cemitério lá no Rio de Janeiro, mas de serem as cinzas que voam em liberdade e que vão adubar a terra inóspita e seca do sertão de Cajazeiras para que nasçam, pelos campos, as flores que irão embelezar a face da terra da sua cidade.

Uma de suas filhas, Lúcia, deverá, possivelmente, no mês de abril transladar as cinzas de seu pai até a cidade de Cajazeiras, onde serão espalhadas do alto do morro do Cristo Redentor. Esta cerimônia merece de todos nós cajazeirenses uma participação e que neste dia sejam realizadas as homenagens à altura do amor e da devoção que ele tinha por esta cidade.
Solidonio faleceu, no Rio de Janeiro, no dia primeiro de março, aos 90 anos de idade.

Saudades!

José Antonio

José Antonio

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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