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É BRASIL: Sem leito de UTI, adolescente morre após 17 horas em trabalho de parto. Vídeo!

Jovem de 15 anos sofreu convulsões e atestado aponta morte por eclampsia.

Por Campelo - Diário do Sertão em Sousa

19/05/2016 às 09h20 • atualizado em 19/05/2016 às 09h36

A família de uma adolescente que morreu após 17 horas em trabalho de parto acusa a Santa Casa de Barretos (SP) de negligência médica. O bebê nasceu saudável, com 3,2 quilos, mas Maria Eduarda de Lourdes Almeida, de 15 anos, entrou em coma após sucessivas convulsões e não resistiu.

O atestado de óbito aponta como causa da morte edema cerebral e doença hipertensiva da gestação, mais conhecida como eclampsia. “Uma menina tão nova, nem soube que foi mãe. Não teve o prazer de ver o filho”, diz a vendedora Angélica de Almeida Oliveira, irmã da vítima.

A Santa Casa de Barretos informou que havia leito disponível no Centro de Terapia Intensiva (CTI), mas que o médico que fez o parto decidiu manter a paciente na sala de recuperação. O hospital abriu uma sindicância interna para apurar a conduta do médico e vai encaminhar o caso ao Ministério Público.

Maria Eduarda de Lourdes Almeida, de 15 anos, morreu na Santa Casa de Barretos (Foto: Reprodução/EPTV)

Maria Eduarda de Lourdes Almeida, de 15 anos, morreu na Santa Casa de Barretos (Foto: Reprodução/EPTV)

Família diz que jovem estava bem
Angélica conta que Maria Eduarda realizou todos os exames do pré-natal e nenhum deles apontou algum tipo de problema com ela ou o bebê. Na madrugada de domingo (15), já com 36 semanas completas de gestação, a adolescente entrou em trabalho de parto.

“A gente foi para a Santa Casa andando, rindo, brincando, ela estava bem. Ela não sentia nada, só as contrações, porque já estava em trabalho de parto. Ela não teve alteração na pressão. Nunca foi alta a pressão dela”, afirma.

A vendedora relembra que Maria Eduarda deu entrada no hospital por volta de 5h e os médicos decidiram aguardar o parto natural. No início da tarde, sentindo muitas dores, a jovem chegou a pedir que fosse realizada uma cesárea.

“Eles falaram que tinha 10 centímetros [de dilatação], e ela começou a falar que não estava aguentando mais. Ela começou a não falar coisa com coisa, a repuxar a perna e eu chamei o médico. Ele disse que podia ser cansaço”, conta a irmã.

Por volta de 22h, ainda de acordo com Angélica, a adolescente teve a primeira convulsão e a equipe decidiu levá-la para o centro cirúrgico, onde foi realizada a cesárea. Nycollas nasceu com uma infecção e foi internado. Maria Eduarda sofreu outras convulsões.

Sem leito de UTI
“O médico veio avisar que ela tinha entrado em coma induzido e que precisava de uma UTI [Unidade de Terapia Intensiva]. Só que a Santa Casa não tinha leito de UTI disponível. No outro dia ela teve que ir para a sala de emergência”, relembra Angélica.

Segundo a irmã, Maria Eduarda passou 30 horas em coma e respirando com a ajuda de aparelhos, enquanto aguardava transferência para outro hospital que tivesse uma vaga em UTI. Ela morreu na madrugada desta terça-feira (18).

“O pobre sofre um descaso total. Se fosse particular, alguém que tivesse dinheiro para pagar um quarto, acho que conseguiria. Existe UTI particular, mas a gente não tem dinheiro, não tem condições. Ali era, simplesmente, uma sala de emergência”, reclama.

Negligência
A família registrou um boletim de ocorrência sobre o caso. O advogado Edson Garcia afirma que já pediu os prontuários referentes ao pré-natal e aos procedimentos realizados na Santa Casa para entrar com um processo contra o hospital por negligência.

“Foi um parto muito comprido. Apesar de a irmã ter solicitado para o profissional fazer uma interferência cirúrgica, não foi feito, só no final do expediente. Intriga a maneira que se operou: deixá-la 17 horas em trabalho de parto, uma criança, uma adolescente”, diz.

Garcia destaca que o fato de Maria Eduarda ter sido tratada em uma sala de emergência, quando precisava de cuidados específicos de uma UTI também reforçam a acusação de descaso por parte da Santa Casa.

“O leito poderia ter evitado o dano maior, que foi o óbito dela. Ela saiu de um pós-cirúrgico, precisava de um tratamento intensivo e não conseguiu por falta de vagas. O responsável nesse caso é o Estado ou as pessoas que estão por trás daquela instituição”, afirma.

G1

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