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Áudios mostram quadrilha de SP aliciando criminosos do RJ. CONFIRA!

Promessas para seduzir criminosos vão de armas a mordomia na cadeia. Em troca, bandido precisa pagar mensalidade à facção.

Por Estagiário

28/11/2016 às 09h43

A maior facção criminosa de São Paulo, o PCC, está aliciando criminosos do Rio de Janeiro há pelo menos 8 meses, de acordo com investigação da Polícia Civil fluminense, e oferecendo vantagens para convencê-los. As conversas por telefone foram gravadas com autorização da Justiça.

A quadrilha pretende ser a única fornecedora de drogas no Estado do Rio e já teria 80 aliados no Rio. Os diálogos, como mostrou o Bom Dia Rio desta segunda-feira (28), mais parecem entrevistas de emprego.

“O comando vai mandar mercadoria para você fiado. Você vai ter 15 dias para pagar. Se você precisar de uma arma, de alguma coisa, você pode pedir emprestada pro comando pra você ir pra um corre, fazer um assalto”, diz o aliciador.

Os aliciadores, segundo a investigação, já estão presos e faziam as ligações da penitenciária. A pena deles pode ser aumentada em mais de 10 anos. “Nós também faz [sic] uma rifa que concorre a carro, concorre a moto, tudo feito pela Loteria Federal”, promete ele em outro trecho.

Em troca de uma mensalidade, a facção oferece todo tipo de ajuda — de armas a rifa, passando por mordomias em penitenciárias e até o apoio de advogados. A facção oferece ainda proteção em quatro países e em outros Estados.

“Esses 400 reais é [sic] revertido em ajudar todos os seus irmão que tá [sic] preso no sistema carcerário. Que é pra pagar advogado, que é pra pagar tudo”, afirma o aliciador.

Para retirar os criminosos das outras facções, a quadrilha de São Paulo optou por expandir seus negócios de uma forma diferente: em vez de eliminar rivais através do confronto, tira apoio e território dos adversários.

De acordo com o delegado Antenor Lopes Júnior, responsável pela investigação, a quadrilha é mais organizada “no entanto, seus criminosos são tão perversos quanto os do Rio de Janeiro”. Os desertores são tratados com crueldade: considerados traidores, pagam com a própria vida.

Os benefícios se estenderiam até mesmo durante o período em que o aliado estivesse preso.

“Tem dois pão [sic] com cafezão com leite de manhã. Aqui vem aqui um bife feito à tarde. Aí de noite vem um frango frito. No outro dia vem outra mistura diferente, nunca repete mistura”, diz o aliciador.

Veja abaixo trechos da conversa entre aliciador e aliciado:

– Você aceitou entrar de coração, Oscar?

– De coração, de coração, com certeza.

– Você leu o estatuto aí do primeiro ao décimo-oitavo item? Você teve entendimento total, irmão?

– Tive entendimento sim, com certeza.

– Eu vou pegar seus dados, seu nome completo. Eu tenho o maior prazer de ser seu padrinho também.

G1

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