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Papa critica ‘excesso’ de desigualdades sociais na América Latina

Pontífice pediu que 'cultura do diálogo' permaneça no continente

Por Priscila Belmont

30/06/2017 às 10h26

© REUTERS/Tony Gentile

O papa Francisco falou sobre a situação da América Latina nesta sexta-feira (30) durante uma audiência pelo 50º aniversário do Instituto Ítalo-Latino Americano (Iila) e criticou o “excesso de desigualdades” que existem no continente.

Segundo o Pontífice, a “atual crise econômica e social atingiu a população e produziu um aumento da pobreza, do desemprego, das desigualdades sociais assim como a exploração e o abuso de nossa ‘casa comum’ [o meio-ambiente]”.

“Perante essa situação, há a necessidade de uma análise que leve em conta a realidade concreta das pessoas, a realidade de nosso povo. Isso ajudará a perceber quais são as necessidades reais que existem, bem como perceber a riqueza que cada pessoa tem e que cada povo leva consigo”, disse aos membros do Iila.

O Papa argentino destacou que o continente latino-americano tem países com “riqueza de histórias, cultura e recursos naturais” e disse que as populações locais são formadas por “pessoas boas e solidárias com outros povos”.

Citando as recentes tragédias naturais que atingiram, por exemplo, a Colômbia e o Chile, Francisco ressaltou que os latino-americanos “deram um exemplo a toda a comunidade internacional” na solidariedade demonstrada nesses momentos e que isso deve ser “apreciado e potencializado”.

No entanto, ele fez um apelo para que a “cultura do diálogo”, um dos temas de seu Pontificado, seja usada para resolver as graves crises que atingem as nações locais e criticou a corrupção existente.

“Alguns países estão atravessando momentos difíceis em níveis políticos, sociais e econômicos. Os cidadãos que têm menos recursos são os primeiros a perceber a corrupção que existe em diversos estratos sociais e a má distribuição das riquezas. Mas, a promoção do diálogo político é essencial”, acrescentou o sucessor de Bento XVI.

Jorge Mario Bergoglio ainda pediu que esse diálogo não seja “entre pessoas surdas”, que só queiram falar e não ouçam o que os outros tem a oferecer para o crescimento de todos. “É uma troca de confiança recíproca, que sabe que do outro lado há um irmão com a mão estendida para ajudar, que deseja o bem para ambos e quer reforçar as ligações de amizade e fraternidade para progredir nos caminhos da justiça e da paz”, disse.

O líder católico ainda falou sobre a emigrações e pediu que as pessoas que vivem esse “drama” tenham seus direitos respeitados por todos.

“A emigração sempre existiu, mas nos últimos anos aumentou de uma maneira nunca vista antes. A nossa gente, impulsionada pelas necessidades, vai em busca de ‘novos oásis’, onde pode encontrar mais estabilidade e um trabalho que garanta dignidade. Mas, nessa busca, muitas pessoas sofrem violações dos próprios direitos”, afirmou. (ANSA)

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