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Morre de parada cardíaca estilista e deputado Clodovil Hernandes, "o polêmico"

A constatação foi anunciada as 18h50. Clodovil sofreu uma parada cardíaca, que ocorreu enquanto o corpo era preparado para a retirada dos órgãos a serem doados. Afirmou o médico Lúcio Lucas.

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17/03/2009 às 20h52

O deputado federal, ex-apresentador de televisão e estilista Clodovil Hernandes morreu nesta terça-feira (17), aos 71 anos, em Brasília. A morte cerebral foi anunciada em entrevista coletiva pelo diretor técnico do hospital Santa Lúcia, Cícero Henrique Dantas Neto, por volta das 16h.

Às 18h50, foi anunciada a parada cardíaca, que ocorreu enquanto o corpo era preparado para a retirada dos órgãos a serem doados. O médico Lúcio Lucas afirmou que a parada impede o procedimento.

A doação dos órgão
"Todos os órgãos são perfundidos por sangue, menos a córnea, que tem a capacidade ímpar de ser viável até seis horas depois da parada cardíaca", afirmou. Pela legislação, a captação das córneas deve ser feita pelo banco de olhos do Distrito Federal, que vai analisar a viabilidade da doação.

Cícero Henrique Dantas Neto havia informado que a doação de órgãos foi consentida por assessores do deputado e autorizada pela Promotoria de Justiça. Córnea, rins, válvulas cardíacas e fígado seriam doados. Segundo sua assessoria, esta sempre foi a vontade de Clodovil.

O velório
A deputada Sandra Rosado (PSB-RN), uma das mais próximas a Clodovil na Câmara, afirmou que, em razão da doação de órgãos, que deve levar de 5 a 6 horas, não haverá velório em Brasília. O corpo de Clodovil seguirá direto a São Paulo. O enterro acontece nesta quarta (18) no cemitério do Morumbi. O corpo será velado na Assembleia Legislativa paulista.

"Ele é uma pessoa muito sincera, verdadeira, de boa fé. É uma figura ímpar", afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio. "Sempre fui alvo da generosidade dele."

A personalidade
"Foi uma passagem de muita presença porque ele é uma figura de muita personalidade e às vezes também gera muitas contestações. Mas, ao mesmo tempo em que foi uma atuação de muita personalidade, também teve uma atuação muito suave no que diz respeito às relações e à amizade, inclusive comigo", afirmou o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP).

Vacância
De acordo com informações da Agência Câmara, quem assume o lugar de Clodovil é Jairo Paes Lira, do PTC de São Paulo. A morte não suspendeu os trabalhos na Câmara.

O crise
As causas da morte Clodovil passou mal em casa no domingo (15). O deputado sofreu uma queda em decorrência de um AVC (acidente vascular cerebral). Chegou ao hospital Santa Lúcia, em Brasília (DF), às 8h17 de segunda (16), conduzido pelo serviço médico da Câmara dos Deputados, onde permaneceu em estado grave internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Por volta das 14h15 de segunda, Clodovil chegou a ter uma parada cardíaca que durou cerca de cinco minutos, que foi revertida. No hospital, os médicos fizeram uma drenagem de sangue de seu cérebro por meio de um cateter. Nesta terça, foi examinado por duas equipes médicas antes de ter a morte cerebral confirmada.

O lado estilista
Polêmico A trajetória do deputado Clodovil Hernandes (PR-SP) começou longe de Brasília. Nasceu em 17 de junho de 1937 no município de Elisiário (402 km de São Paulo), na região de São José do Rio Preto (SP). Adotado por um casal de espanhóis, foi educado em um colégio interno por padres católicos.

Clodovil tornou-se conhecido, na década de 1960, como estilista de alta costura, rivalizando com Dener Pamplona de Abreu (1936-1978) a atenção para a primeira geração de importantes estilistas brasileiros.

Na década de 1980, Clodovil tornou-se uma das principais atrações do "TV Mulher", da Rede Globo. Comandado por Marília Gabriela, o programa também tinha a participação do cartunista Henfil e da sexóloga Marta Suplicy (bem antes de ela seguir carreira política). Muitos anos depois, Clodovil criticaria o projeto de união civil homossexual, apresentado por Marta como deputada federal.

No início da década de 1990, foi contratado pela antiga Rede Manchete para apresentar o programa "Clodovil Abre o Jogo". Na televisão, ficou famoso por alguns bordões, entre eles o de pedir para seus entrevistados que "olhassem para a câmera da verdade", para responder a alguma pergunta mais difícil. Pilar da alta-costura no país.

Em paralelo à carreira na televisão, Clodovil trabalhou como figurinista de teatro, ator e cantor. Em 2001, passou a apresentar o programa "Mulheres" na TV Gazeta. Em 2003, foi contratado para comandar o programa vespertino "A Casa é Sua" pela RedeTV!. No programa, referiu-se à vereadora petista e militante do movimento negro Claudete Alves como "macaca de tailleur metida a besta". A vereadora entrou com uma queixa-crime alegando racismo, que resultou em dois processos criminais no Tribunal de Justiça de São Paulo contra Clodovil.

Ainda na RedeTV!, Clodovil foi o alvo preferido das brincadeiras provocativas dos membros do programa "Pânico na TV!", exibido na mesma emissora. A dupla de repórteres Vesgo e Silvio perseguia Clodovil para que ele calçasse as famosas "sandálias da humildade". Cansado das provocações, o apresentador fez um desabafo ao vivo durante o seu programa e, em seguida, abandonou os estúdios da RedeTV!. Dois dias depois, os diretores da emissora decidiram demitir o apresentador.

A carreira política

A carreira como deputado Sem espaço na mídia, Clodovil candidatou-se ao cargo deputado federal por São Paulo nas eleições de 2006. Com slogans que faziam referências explícitas a sua homossexualidade ("Vocês acham que eu sou passivo? Pisa no meu calo para você ver…", ou ainda dizendo que seu número era o 3611, porque 24 já era, o negócio era "um atrás do outro"), o ex-apresentador de televisão, então filiado ao PTC (Partido Trabalhista Cristão), recebeu 493.951 votos e foi o terceiro deputado mais votado em todo o Estado, atrás somente de Paulo Maluf e Celso Russomano, ambos do PP (Partido Progressista).

Após eleger-se deputado federal, Clodovil trocou o nanico PTC pelo PR (antigo PL), alegando ter sido abandonado pelo partido durante o pleito, não ter recebido material de campanha, nem assessoria jurídica. Acusado de infidelidade partidária, foi absolvido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no último dia 12 de março, por unanimidade. Para os ministros do tribunal, Clodovil sofreu perseguição interna no PTC, condição que permite ao eleito transferir-se para outro partido.

Fonte: UOL

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