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Calheiros e Sarney teriam prometido acelerar cassação de Cunha Lima a Maranhão

Articulação entre Calheiros e Maranhão foi de apressar a votação do processo envolvendo Cássio Cunha Lima no TSE, em troca de votos para a eleição de Sarney no Senado

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17/02/2009 às 18h15

Depois da eleição para as presidências da Câmara e do Senado, no início do mês, a movimentação dos parlamentares no Congresso Nacional parece mais uma chaleira em ebulição, prestes a explodir. Tudo por conta das articulações e costuras que têm sido feitas para colocar em prática as promessas de campanha que levaram às vitórias do senador José Sarney (no Senado) e do deputado Michel Temer (na Câmara). A última delas, comentada a boca pequena nos corredores dos salões verde e azul do Congresso desde a última semana, envolve a votação do processo de cassação do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB) – prevista para hoje, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A notícia, a principio circulou como "fofoca" e mero comentário de parlamentares. Depois ganhou fôlego em sites e blogs pessoais na internet até que tomou corpo com uma nota veiculada pela Revista Época, na edição de 9 de fevereiro. A história é que, desde que foi anunciada a possível cassação do governador paraibano, o senador José Maranhão (PMDB), que ocupará a vaga, passou a trabalhar incessantemente para conseguir a aprovação da mesma nas instâncias superiores do Judiciário.

Maranhão é tido como aliado antigo de Sarney e do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), um dos principais batalhadores pela vitória de Sarney. Mas diante do seu trabalho para conseguir assumir o governo da Paraíba, teria recebido a promessa, por parte de Calheiros, de que o grupo vencedor da presidência do Senado tentaria de tudo junto aos ministros conhecidos e a interlocutores, no TSE, para conseguir a cassação de Cunha Lima na votação desta semana.

O temor de Calheiros, segundo se comenta, era que o outro grupo fizesse essa mesma proposta para Maranhão e, assim, Sarney perdesse um aliado importante nas eleições para a Casa. Em troca do "favor", o senador paraibano trabalharia junto aos colegas com quem é mais ligado – sobretudo em função da sua influência enquanto presidente da Comissão Mista de Orçamento do Congresso – para conseguir o maior número possível de votos para José Sarney.

Ouvidos a respeito, os senadores José Maranhão e Renan Calheiros negaram veementemente a versão. A assessoria de imprensa de Maranhão afirmou que o senador no momento participa de uma reunião e não pode dar entrevistas. Contou, ainda, que Maranhão não chegou a se abalar com a divulgação da notícia pelo fato de não ser verdadeira e, sobretudo, por não ter ouvido qualquer comentário posterior sobre o caso.

Já Renan Calheiros, divulgou por meio de sua assessoria que o assunto é mera especulação da imprensa, argumentando ainda que, se fosse verdade, José Sarney tentaria, antes de qualquer coisa, acelerar o processo que envolve no Judiciário a cassação do governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), o que colocaria a sua filha, Roseana Sarney, no governo maranhense.
Apesar disso, informações de políticos de diversos partidos dão conta de que, desde a última sexta-feira, o senador Calheiros e outros aliados da chamada "tropa de choque de Sarney" – caso dos senadores Romero Jucá (PMDB-RR), Gim Argelo (PTB-DF) e Valdir Raupp (PMDB-TO) – têm atuado neste sentido.

Casamento providencial
O histórico dessa articulação teria começado em 28 de novembro do ano passado, quando o senador José Sarney esteve em João Pessoa para o casamento da filha de Maranhão, Alice Maranhão. Sarney chegou a declarar, na solenidade, seu apoio a Maranhão, enfatizando: "a Justiça eleitoral foi feita justamente para assegurar a lisura das eleições. O senador Maranhão já foi governador do estado e um grande governador. Sem dúvida alguma, continuará sua obra".

O casamento foi um evento pessoal da filha do senador. Mas, em função da coincidência de datas, terminou se transformando num momento bastante oportuno para José Maranhão. Participaram da festa, além de Sarney, o próprio senador Garibaldi Alves (RN), então presidente do Senado, e os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) César Asfor Rocha, Francisco Falcão e Fátima Nancy Andrighi. Um dos padrinhos foi o casal Verônica e Renan Calheiros.

Poucos dias depois do episódio, em 17 de dezembro, o então presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), participou de uma reunião com senadores da bancada do PMDB, na qual ficou decidido que ele disputaria um novo mandato com o apoio dos seus pares – acerto que acabou não se cumprindo. Na reunião, estiveram ausentes, Jarbas Vasconcelos (PE) e José Maranhão.

O argumento de Maranhão foi bem claro: ele estaria envolvido com os assuntos relacionados à possibilidade de assumir, em pouco tempo o governo da Paraíba. Coincidência ou não, sua ausência e a justificativa da mesma serviram como uma espécie de recado de que o senador buscava apoio dos colegas para conseguir seu intento.

Amizade antiga
Voltando um pouco atrás na história das tramas e conchavos feitos no Senado, sabe-se que Renan Calheiros tem grande estima pelo senador paraibano. Tanto que, em outubro de 2007, chegou a cogitar emplacar José Maranhão para o seu lugar na presidência, como uma manobra para que ele (Renan), evitasse ser cassado contra as denúncias de que estaria pagando a pensão da filha – nascida a partir de relacionamento extraconjugal – por meio de dinheiro de empreiteiras.

Na época, o próprio senador Romero Jucá definiu Maranhão como um "nome de confiança para o governo, alinhado com Sarney e Calheiros". Jucá também acrescentou que, se a estratégia desse certo, Maranhão seria uma peça importante, porque poderia manter os dois políticos (Sarney e Calheiros) conectados com as decisões a serem tomadas na Casa.

Promessas "vazias"?
A manobra não deu certo em 2007, como todos sabem, mas o contato afinado entre os colegas continua. E, apesar dessa suposta campanha acirrada que está sendo feita em torno da votação no TSE, já há quem veja com suspeita essas possíveis "trocas de favores". No último dia 31 de janeiro, o economista João Pedro Ribeiro, analista de política da Tendências Consultoria, uma das mais prestigiadas de Brasília, foi procurado por jornalistas para falar sobre como ficariam as duas casas Legislativas diante de tantas promessas feitas pelos presidentes eleitos.

Ribeiro nem chegou perto de mencionar o caso Sarney/Renan/José Maranhão, mas avisou que, a seu ver, não acredita que os senadores que hoje gravitam em torno de Sarney venham a ter tanta influência na candidatura do ex-presidente da República. O economista reconheceu, entretanto, que o PMDB age com o que definiu como "profissionalismo" quando pretende alçar posições políticas, mesmo que seus principais líderes estejam marcados por escândalos políticos.

Resta lembrar que o dia de ontem foi tumultuado para o PMDB, diangte das declarações do senador Jarbas Vasconcelos (PE) no final de semana, quando criticou ferrenhamente a estratégia do partido para abocanhar as eleições das duas casas legislativas e disse, entre outras coisas, que o PMDB é hoje "uma máquina especializada em barganhar cargos".

Direito que lhe cabe
É importante destacar, entretanto, que o governador da Paraíba é réu num processo que envolve uso irregular de recursos públicos com o intuito de fazer campanha eleitoral. Caso Cássio Cunha Lima seja, de fato, cassado, Maranhão tem o direito legítimo à sua sucessão. E esse tipo de empenho do senador para conseguir uma vaga que, se o Judiciário julgar que o governo da Paraíba lhe pertence, pode ser considerado natural por ser um direito que lhe cabe, resguardados os limites éticos.

Além disso, diante dos meandros da política brasileira, é de se perguntar também quais estão sendo as articulações em torno do outro lado, para garantir o mandato de Cássio Cunha Lima – direito pelo qual também cabe ao governador lutar.

Pelo sim, pelo não, diante do burburinho dos últimos dias, o TSE mudou o comunicado da pauta desta terça-feira (17/02). Divulgou ontem, por meio da assessoria de imprensa, que o julgamento do caso Cássio Cunha Lima "poderá" ser incluído na pauta, mas não está entre os itens já garantidos para apreciação. Uma confirmação definitiva só será feita por volta das 16h, pouco tempo antes do início da sessão – marcada para começar às 19h.

Veja aqui: a nota da Revista Época, veiculada na matéria intitulada "A volta ao passado" na edição 560 (semana passada).

Em tempo: a Revista Nordeste publicará, na próxima edição, matéria especial sobre o poder do PMDB depois da vitória nas eleições da Câmara e do Senado Federal.

NOTA DA ÉPOCA

"Ao final da campanha em que Sarney derrotou o candidato do PT, senador Tião Viana (AC), por 49 votos a 32, a lama do barril não parava de crescer. Eis alguns dos episódios:

Para garantir o voto do senador José Maranhão (PMDB-PB), Renan prometeu a ele que vai apressar – só ele sabe de que maneira – o processo de cassação do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), no Tribunal Superior Eleitoral. Maranhão ameaçava votar contra Sarney porque não foi contemplado com um cargo na mesa diretora do Senado, posição que dá privilégios. Ele aceitou a oferta. Se Cunha Lima for cassado, Maranhão herdará o governo da Paraíba".

Fonte: Wscom

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