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18/10/2016 às 05h00 • atualizado em 17/10/2016 às 16h37

postado por: Estagiário

Pedofilia e orgias: padre acusado de fazer sexo até dentro da própria Igreja na Paraíba

Alguns dos atos teriam sido praticados dentro de igrejas e casas paroquiais

Monsenhor Jaelson é acusado por mais de um depoente (Foto: Arquivo/JP)

Pelo menos quatro depoentes ouvidos pelo Ministério Público do Trabalho na Paraíba (MPT-PB) acusaram o ex-arcebispo Dom Aldo Pagotto, os monsenhores Jaelson de Andrade e Ednaldo Araújo e outros padres católicos por assédios e orgias sexuais envolvendo jovens e adolescentes. Alguns dos atos teriam sido praticados dentro de igrejas e casas paroquiais.

Cópias dos depoimentos já estariam circulando na Internet. O vazamento ocorre após a Procuradoria-Geral da República ter decidido que as denúncias sobre pedofilia na Igreja Católica da Paraíba devem ser investigadas pelo Ministério Público Estadual e não pelo MPT-PB, porque os fatos apurados não caracterizam exploração sexual de menores para fins comerciais.

Um dos depoentes, J.A.S., relata que Monsenhor Jaelson, dez anos atrás, quando vigário-geral da Arquidiocese e celebrando missa na Catedral em João Pessoa, costumava levar coroinhas e meninos “para os quartos construídos atrás da Igreja”. Os menores dormiriam com o religioso, que recompensaria os adolescentes pagando-lhes roupas e lanches. Um desses garotos, segundo o denunciante, teria se formado em Medicina e montado consultório na Avenida Epitácio Pessoa, na Capital.

O mesmo depoente diz ainda que “pegou Padre Jaelson fazendo relação sexual dentro da própria Igreja” e que, por essa e outras, foi afastado da Catedral, onde trabalhava fazendo limpeza, inclusive na Casa Paroquial.

Já J.J.B.A, coroinha aos 6 anos de idade em Guarabira, contou que veio para João Pessoa com quase 17 anos e logo nos três meses na Capital passou a sofrer assédio e começou a ter relações sexuais com o Padre Severino Melo, suspenso de suas funções sacerdotais pela nova Administração da Arquidiocese no final de setembro último, juntamente com Jaelson e Ednaldo.

O mesmo depoente disse ainda que se envolveu sexualmente com Monsenhor Ednaldo e foi assediado por Dom Aldo, que lhe teria tocado a genitália e o convidado para dormir em um apartamento no 13 de Maio, bairro de João Pessoa. De outro lado, teria reagido às investidas de Jaelson porque conhecia um adolescente de Cacimba de Dentro apaixonado pelo monsenhor e não queria ‘trair’ o garoto.

Dois dos depoimentos vazados se referem a orgias sexuais com vários jovens e adolescentes das quais participariam outros padres não citados nesta matéria porque o blog ainda não conseguiu meios de contato com qualquer um deles, embora venha tentando desde ontem.

Também ouvido, A.R.B.P., então com 29 anos de idade, ativo participante de atividades religiosas na Capital, disse que não teve envolvimento com qualquer dos padres e monsenhores denunciados, mas soube de relacionamentos do Padre Jaelson com menores e o denunciou a Dom Aldo, que nada fez além de atribuir paróquias em João Pessoa ao monsenhor.

A acusação de A.R.B. P. teria ainda como base a informação que lhe teria sido passada por um rapaz encarregado de formatar o computador de Jaelson, onde teria sido encontrado farto material pornográfico. Confira a seguir a reprodução de cópias de dois dos depoimentos aos quais o blog teve acesso.

“Fazendo relação sexual dentro da própria Igreja”

depoimento-jas-1

depoimento-jas-3

“O arcebispo (…) acariciando seus órgãos sexuais”

depoimento-jjba

depoimento-jjba-2

Sem o outro lado

Desde a divulgação do afastamento dos Monsenhores Jaelson e Ednaldo e do Padre Severino, em 29 de setembro último, o blog vem tentando contato com os três e com Dom Aldo Pagotto. Por telefone e através de pessoas que dizem ter acesso direto aos quatro religiosos. Tudo para abrir espaço a qualquer tipo de manifestação deles em contraponto – seja a guisa de defesa ou desmentindo – às acusações formuladas nos depoimentos ao MPT-PB. Nenhum deles deu retorno.

Novas tentativas foram feitas ontem (16) à noite e hoje pela manhã. Os números de telefone fornecidos chamam até ‘cair à ligação’ ou a operadora notifica quem liga que os celulares chamados estão desligados ou fora da área de cobertura. Fontes da própria igreja informaram que os padres denunciados costumam trocar com frequência suas linhas telefônicas desde que passaram a ser investigados pelo MPT-PB.

De qualquer modo, se eles quiserem falar, o blog está à disposição e pronto para registrar.

Jornal da Paraíba

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