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21/11/2016 às 19h00 • atualizado em 21/11/2016 às 19h05

postado por: Estagiário

PRF faz campanha nacional em apoio a crianças com câncer

Iniciativa pretende chamar atenção para o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil

© iStock

Em 23 estados do Brasil, pelos menos 3 mil policiais rodoviários federais participam ao longo da semana de atividades do projeto Policiais contra o Câncer Infantil. A iniciativa surgiu em 2014 com o objetivo de marcar a data 23 de novembro, Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil.

Em Brasília, as ações começaram nesta segunda-feira (21) com a visita de crianças com câncer e outras doenças raras à sede da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Logo cedo, um grupo de 88 pessoas, entre crianças, voluntários e pacientes, saiu pelas ruas de Brasília em um ônibus escoltado por policiais e seguiu até a sede da PRF.

Armando Silva brincou com os cães farejadoresMarcelo Camargo/Agência Brasil

As crianças puderam passear nas viaturas, entrar no helicóptero, conhecer a ambulância de atendimento emergencial, brincar ao som das sirenes, assistir a uma apresentação de teatro e ainda chegar bem perto de cães farejadores. Essa foi a parte preferida de Armando Silva, 6 anos. “Achei muito legal, eu nunca tinha visto um cachorro desse tamanho. Eu jogo, ele pega”, disse Armando enquanto jogava um objeto para o cão farejador.

Armando tem uma imunodeficiência rara e precisa de transplante de medula. Ele é de Cantá, cidade do interior de Roraima e há três anos faz o tratamento pela rede pública do Distrito Federal. Junto com sua mãe, Deydiane Silva, 29 anos, ele passa meses em Brasília e apenas alguns dias na terra natal. “Pra gente isso aqui é uma distração muito grande, porque a vida do hospital é muito desgastante. É estressante, até a medicação para ele tomar às vezes é uma tortura e, hoje, por causa da atividade, ele tomou e nem lembrou que era remédio”, contou a mãe.

Crianças raspam os cabelos de policiais rodoviários Marcelo Camargo/Agência Brasil

Outra atividade que encantou as crianças foi o corte de cabelo de alguns policiais, que, em solidariedade aos pequenos pacientes, decidiram raspar a cabeça. “Essa interação com as crianças humaniza a atividade policial. Vamos raspar a cabeça para que elas se sintam parecidas com a gente. Para as crianças, os policias têm uma imagem de herói. Então, a gente dá a nossa imagem de herói para que elas acreditem que podem vencer e enfrentar o que elas têm sofrido”, afirmou o policial Igor de Carvalho Ramos.

Para José Teógenes Abreu, presidente da Comissão Regional de Direitos Humanos da PRF no DF, o principal resultado é a aproximação da PRF nas comunidades. “Nós que trabalhamos com armas, nosso uniforme muitas vezes afugenta as pessoas. É preciso que nos momentos em que não estamos em operações, a gente se misture, a gente se aproxime da comunidade e faça esse convite, para que a comunidade conheça melhor o nosso trabalho e possa respeitar, não precisa temer. Tem essa finalidade social”, destacou.

Desafios da assistência

As crianças que participaram da atividade em Brasília são assistidas pela Abrace, associação responsável pela assistência e apoio aos pacientes e seus parentes na capital federal. Atualmente, cerca de 6 mil pessoas, considerando as crianças com seus parentes, são acompanhadas pela ONG desde o diagnóstico até o tratamento.

“Este é um momento maravilhoso, porque é uma coisa muito distante da realidade desses meninos. Eles nunca viram um helicóptero pousar tão pertinho deles nem a apresentação dos cães. Tivemos também o corte de cabelos dos policiais, para que essa criança se sinta empoderada, se sinta igual ao policial. Então é um momento em que a criança vai esquecer que ela é um paciente. Isso faz muito bem para o tratamento de doenças tão complexas como o câncer”, afirmou Ilda Peliz, presidenta da Abrace.

Entre as ações de apoio feitas pela Abrace estão a melhora da residência familiar, doação de alimentos e medicamentos, ajuda na realização de exames e o suporte dentro do hospital por meio dos voluntários. A ação dos policiais chega em um momento oportuno para a associação. “A principal dificuldade é financeira. Vivemos de doações, não temos ajuda governamental e essa crise afetou nossa arrecadação, muita gente deixou de doar ou diminuiu valor, então temos diminuído algumas obras”, contou Ilda.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que em 2016 e 2017 o câncer infantil deve atingir aproximadamente 12,6 mil crianças no Brasil, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste. Os linfomas no sistema linfático, no sistema nervoso central e as leucemias são as ocorrências de câncer mais frequentes na infância e na adolescência. O diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento especializado garantem a cura em pelo menos 70% dos casos, segundo o Inca. Com informações da Agência Brasil.

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