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Pão, remédio e maquiagem são os primeiros a ficar mais caros por causa da alta do dólar

Pãozinho francês sofre efeito da alta do trigo, puxada pelo dólar, e tem reajuste

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24/09/2015 às 08h15

Pãozinho francês sofre efeito da alta do trigo, puxada pelo dólar, e tem reajuste (Fábio Guimar

Dependentes de muita mercadoria importada e com estoque de giro rápido, produtos farmacêuticos e o pãozinho de cada dia não têm como adiar o repasse da alta do dólar e já estão pesando mais no bolso do consumidor. Os alimentos à base de trigo, grupo que inclui também biscoitos e macarrão, já vêm subindo desde março, quando a moeda americana ultrapassou a barreira dos R$ 3, porque grande parte da farinha usada no Brasil é importada da Argentina e dos EUA. Com isso, o pãozinho francês ficou 8,1% mais caro de janeiro a agosto, quando a inflação medida pelo IPCA foi de 7,06%.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi) houve um aumento médio de custos da ordem de 5% decorrente do câmbio.

— Mas a tendência é que os fabricantes segurem ao máximo essa alta, porque não querem perder vendas. Por enquanto, dá para segurar, mas, se o dólar continuar subindo além dos R$ 4, não haverá como — diz Cláudio Zanão, presidente da Abimap, que não descarta que alguns repasses ocorram.

Nesta terça-feira, o dólar fechou a R$ 4,054, a maior cotação desde a criação do Plano Real, em 1994, ultrapassando a barreira dos R$ 4. Desde o fim de dezembro, a divisa americana acumula alta de 52,3%. Em 12 meses, avança 69,3%.

Na indústria farmacêutica, que tem 95% das matérias-primas importadas, o efeito imediato será na redução dos descontos oferecidos pela indústria ao varejo. Os preços da maioria dos medicamentos são controlados pelo governo, que autoriza um aumento por ano. Preços de perfumes e maquiagem também devem subir.

— A escalada do dólar reduz drasticamente a rentabilidade das empresas e o que deve acontecer é uma mudança nas condições comerciais com atacadistas e farmácias, que, para os consumidores, significa menos descontos nos preços — diz Nelson Mussolini, diretor-presidente da Sindusfarma.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) considerado a prévia da inflação oficial, fechou setembro em 0,39%, contra 0,43% em agosto. Em 12 meses, o IPCA-15 chega a 9,57%, o maior desde dezembro de 2003 (9,86%).

Já em outros segmentos, como o de eletroeletrônicos, os custos estão pressionados por causa do dólar, mas a recessão, os juros altos e o crédito escasso impedem o impacto imediato no bolso do consumidor.

— A recessão posterga o impacto porque as indústrias estão com estoques elevados, e esses produtos chegarão ao mercado sem necessidade de repasse. Quando o consumo é alto, e as empresas precisam repor estoques rapidamente, o efeito é imediato. Mas hoje, as pessoas já não estão comprando, se o fabricante repassar esse custo, aí é que não vende mesmo — explica Luís Otávio Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil.

A produção de televisores, por exemplo, usa 80% de componentes importados e de motos, 70%. Mas, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de produtos eletroeletrônicos (Eletros), no primeiro semestre, as vendas de fogões, refrigeradores e máquinas de lavar caíram 10%, as de micro-ondas, 16%, e de televisores, 37%.

— Assim que os custos com os insumos aumentarem, será repassado. Se já estava difícil, vai ficar mais complicado. A alta do dólar vai refletir, com toda certeza, nas vendas do fim do ano — lamenta Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de produtos eletroeletrônicos (Eletros).

O Globo

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