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Crime organizado migrou do Sudeste para o Nordeste, dizem especialistas

Estados do Nordeste apostam na integração para conter avanço de grupos criminosos

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10/10/2011 às 10h03

Investigações recentes das polícias estaduais do Nordeste e da Polícia Federal indicam que o crime organizado se deslocou da região Sudeste para o Nordeste do Brasil há nove anos. Segundo o pesquisador do Instituto Sangari e autor dos trabalhos “Mapa da Violência”, Julio Jacobo, a primeira “notícia” de atuação de grupos criminosos do Rio de Janeiro e São Paulo no Nordeste ocorreu em 2002.

“Estamos publicando esse estudo desde 1998. E em 2002 começamos a observar que, enquanto em algumas cidades extremamente violentas diminuiu o número de homicídio, em outras áreas, que não eram consideradas violentas, o número cresceu. Começava ali um fenômeno de desconcentração da violência”, afirmou.

O pesquisador acredita que as organizações criminosas criaram espécies de “filiais” pelo Nordeste. “O crime é dinâmico. Grandes organizações criaram estruturas espalhadas pelo país. São as mesmas estruturas que existiam no Rio, em São Paulo. No Nordeste, geram-se condições ideais –onde falta o controle básico do aparelho público. Mas isso é um fenômeno que vai além do Nordeste. Hoje não existem zonas tranquilas. Houve uma massificação da violência nesse período”, disse.

Para Jacobo, as estruturas criminosas se mudam conforme há deficiência na estrutura policial e judicial. “Essa migração da violência ocorre do local de maior para o de menor eficiência policial. Malandro não vai atacar um banco com câmera, segurança; ele vai para um sem estrutura. Alagoas, que lidera hoje o ranking de homicídios, é o Estado que mais greve da polícia existiu nos últimos anos. E isso faz a festa do malandro”, disse.

O advogado Paulo Brêda, coordenador de uma comissão especial da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para analisar a proposta de um novo plebiscito sobre o desarmamento, acredita que houve uma "fuga" dos criminosos de centros mais populosos para o Nordeste, o que contribuiu para elevar a violência nos últimos anos.

“É inegável que os dois principais focos de violência até dez anos atrás –SP e RJ– fizeram o dever de casa. São Paulo reduziu significativamente a violência, e isso expulsou boa parte do crime organizado. O Rio foi da mesma forma, só que ainda é mais recente. Isso transferiu violência para outras regiões, e os Estados do Nordeste não estavam, e a grande maioria não está, preparada para combater esse tipo de crime.”

No estudo “Violência homicida no nordeste brasileiro”, os pesquisadores Jorge Zaverucha  e José Maria Nóbrega Júnior apontam que “muitos dos carregamentos descobertos pelas polícias vem de São Paulo, apontando para um processo migratório da criminalidade organizada do Sudeste para o Nordeste.”

Para tentar conter o avanço de organizações criminosas do Sudeste, em especial o PCC, indicado por investigações das polícias estaduais e da Polícia Federal, os Estados nordestinos têm buscado agir de forma integrada. Os nove Estados integram o Consene (Conselho de Segurança Pública do Nordeste), que reúne autoridades policiais para discutir o combate à criminalidade na região.

Segundo o secretário de Defesa Social do Rio Grande do Norte e presidente do Consene, Aldair da Rocha, os Estados têm trabalhado cada vez mais com a inteligência policial. “Nós temos no Nordeste uma excelente comunicação e integração. Para isso, desenvolvemos várias operações coordenadas e integradas, tanto de forma ostensiva, como operações de inteligência policial”, disse.

O secretário afirma que existe uma atenção especial da atuação de grupos criminoso do Sudeste no domínio de pontos de tráfico de drogas e de controle de presídios.

“Evidentemente, quando detectadas situações que apontam para a presença de representantes de facções criminosas nos presídios nordestinos, existe a preocupação das autoridades. Quando identificados alguns desses líderes, eles são transferidos para outras unidades, e a vigilância nesses presídios é reforçada, ou seja, as autoridades, de forma incessante, trabalham para evitar qualquer tipo de episódio irregular nesses locais.”

Para Rocha, a atração dos criminosos pelo Nordeste tem relação direta com a melhoria na renda per capita da população, o que aumentou a circulação de dinheiro nos últimos anos.

"Infelizmente, essa melhora cria um ambiente mais propício para o trafico de drogas, que ganha um maior mercado consumidor; na sequência temos disputas por pontos de vendas de drogas e cobranças de inadimplentes que, na lógica perversa dos traficantes, pagam com a vida pelas dívidas. Isto posto, percebemos que a chegada de criminosos do Sudeste impacta no aumento da oferta de drogas e também na lavagem do dinheiro proveniente do tráfico", informou.

UOL

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