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Advogada Cícera Cavalcanti

Alunas do GEO Definição esclarecem dúvidas sobre pedofilia

Por

24/10/2008 às 17h22

As alunas Jéssica Araújo Cartaxo e Hanna Olga Rodovalho, do colégio Geo Definição, realizaram em Cajazeiras uma importante pesquisa sobre um dos crimes que mais chocam a sociedade mundial e que, justamente por seu impacto, é um dos mais combatidos pela polícia: a pedofilia.

Dentro desse projeto de pesquisa, Jéssica e Olga entrevistaram a advogada Cícera Cavalcanti de Sousa (foto), conselheira dos direitos da criança e do adolescente em Cajazeiras, que esclareceu as principais dúvidas sobre o processo judicial que envolve casos de pedofilia no Brasil e até mesmo como se comporta um pedófilo. Confira.

J e O: o que é pedofilia?

CCS: na linguagem psicológica, pedofilia é um tipo de distúrbio causado no adulto, em que ele tem desejos sexuais por crianças. Já na área jurídica, é um comportamento que implica punição, é uma infração à Lei, porque entra na questão do abuso à criança e o adolescente e na corrupção de menores.

J e O: o que leva uma pessoa a abusar de uma criança?

CCS: o principal motivo é a doença psicológica. É o desvio no comportamento de um adulto que tem alguma frustração em relação a sua satisfação sexual, e que busca satisfazer essa frustração numa criança ou adolescente que muitas vezes está sob sua autoridade. Muitas vezes é um pai, um avô, um vizinho, um padrasto, às vezes acontece até com religiosos que lidam diretamente com crianças e adolescentes.

J e O: quais os comportamentos típicos de um pedófilo?

CCS: geralmente são pessoas que têm uma amizade pegajosa com uma criança, tem um certo controle sobre ela. Quando se trata de pai, avô ou padrasto, que tem uma convivência diária mais íntima, eles tem um certo poder sobre a criança: começa a impedir que ela saia com outras pessoas, que ela converse com outras pessoas, isso por medo que as pessoas descubram o que está acontecendo, ou que a criança ou adolescente se interesse por outra pessoa. É um comportamento muito estranho.

J e O: que atos estão relacionados à pedofilia?

CCS: a pedofilia é um desejo que o sujeito nutre nele mesmo. A partir desse desejo, ele começa a praticar atos como exibicionismo, começa a lançar olhares de desejo para a criança, começa a tocar as partes íntimas da criança, quer que ela tire a roupa, e aí vem a questão do assédio, e chega até ao estupro. A partir do primeiro ato sexual, que geralmente é o estupro, vem vários outros atos repetidos de estupro. Geralmente a criança não está preparada e nunca quer, porque está sendo obrigada.

J e O: o que modifica psicologicamente numa criança que foi abusada sexualmente?

CCS: muda completamente a mente das crianças, a visão de mundo, principalmente na relação intersexual. A vida da criança fica comprometida na questão de se relacionar de maneira saudável com alguém, na questão de namoro, construção de família. A criança vai crescer totalmente despreparada para uma relação a dois; totalmente desacreditada da felicidade a dois. Na verdade, compromete a sua auto-estima; torna-se uma pessoa sem sonhos, porque ela foi violentada no seu direito mais sagrado, que é a sua dignidade.

J e O: existem chances dessas crianças tornassem, futuramente, pedófilos?

CCS: com certeza. Porque o que a criança aprende com os adultos vai servir de escola. Se forem resgatar o histórico de alguns pedófilos, verão que foram pessoas que na infância foram, de certa forma, abusadas sexualmente.

J e O: no que interfere na vida social das vítimas?

CCS: compromete o convívio com outras pessoas na sociedade, porque a criança fica com a auto-estima totalmente abalada, como um animal acuado, acha que todo mundo que olha para ela está subjugando-a; ela se sente uma pessoa sem perspectiva de crescer na vida; se sente uma pessoa que não é boa companhia para ninguém, e que não pode contribuir em nada para com a sociedade.

J e O: a senhora colocou no início que a pedofilia é uma doença, um distúrbio psicológico. Como a sociedade pode ajudar a minimizar essa realidade?

CCS: a sociedade pode ajudar fiscalizando, porque, como diz o Estatuto da Criança e do Adolescente, a família, a sociedade, a comunidade é responsável pela convivência familiar e comunitária da criança e do adolescente. Esse é um dos direitos. Então, dentro da família, alguém pode observar a conduta de uma criança. Geralmente aquelas crianças que são mais fechadas em si mesmas; tem dificuldade de se relacionar com outras crianças, tem dificuldade de rendimento na escola, geralmente sofre algum abuso sexual. A partir desses sinais, qualquer pessoa da sociedade pode começar a investigar: procurar ouvir essa criança, procurar conversar com o professor para saber como ela se comporta na escola, e partir daí haver uma ação conjunta da família, a sociedade, tanto no sentido de descobrir se essa criança está passando por algum abuso, como também tratar do pedófilo conforme a previsão legal. Certo seria também que ele fosse tratado na questão da saúde, entendendo que a pedofilia é um distúrbio psicológico.

Da redação do Diário do Sertão

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