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Exportações de carne despencam 99,9% com operação da PF

Média diária de vendas ao exterior caiu de US$ 63 milhões para US$ 74 mil, na última terça-feira.

Por Priscila Belmont

23/03/2017 às 16h21

Até ontem (22), 14 países e a União Europeia impuseram algum embargo ao produto brasileiro. Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

As exportações de carne brasileira desabaram. Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) apontam que, antes da divulgação da Operação Carne Fraca, o valor médio diário de venda do alimento para o exterior era de US$ 63 milhões. Na terça-feira, totalizaram US$ 74 mil, o que representa uma queda de 99,9%.

Tamanha queda nas exportações chocou o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi. Embora não tenha jogado a toalha e continue sem medir esforços para apresentar explicações aos países estrangeiros, ele admite que, diante da brusca queda nas vendas internacionais, o país não conseguirá aumentar 6,9% para 10% a participação na exportação de carne, que era uma das metas do atual governo.

“Sofremos é uma pancada. Um soco no estômago. É algo tão forte que, ao olhar para os 7%, tenho que trabalhar para ficar nos 7%. Não consigo me olhar indo para os 10%. É um choque forte que esse setor não merecia sofrer”, disse Maggi. O ministro esteve ontem na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, que realizou uma audiência conjunta com a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).

Prejuízos já são contabilizados pelo ministério. A avaliação de Maggi é que os desdobramentos gerem perdas de 10% no volume de cerca de US$ 15 bilhões de exportações de carnes, o que deve causar um prejuízo de US$ 1,5 bilhão ao ano para o Brasil.

Diante de uma crise sem precedentes no agronegócio brasileiro, o governo tem pressa para estancar a sangria nas exportações. O ministro não descarta fazer viagens aos países que suspenderam a importação da carne para prestar esclarecimentos pessoais.

“O grande trabalho, agora, é de recuperar e reorganizar forças e de viajar o mundo. Andar novamente, reexplicar e tentar convencer o que aconteceu aqui. Que foram desvios de algumas pessoas, e não no forte sistema da indústria que temos, que aposta firmemente que é um dos pontos fortes do nosso país”, afirmou o ministro.

A ideia foi endossada pelo ministro do Mdic, Marcos Pereira. Para ele, uma operação conjunta do governo, com o Legislativo e o setor produtivo será necessária para amenizar os impactos. “O governo federal, com convite ao Senado e ao setor produtivo, deve fazer missões para intensificar ações internacionais”, disse.

O primeiro passo dessa força-tarefa começa em 6 de abril, quando Pereira participará do Fórum Econômico Mundial, em Buenos Aires. A intenção é aproveitar a oportunidade para esclarecer a representantes de outros países as ações do governo brasileiro para superar a crise.

A força-tarefa do governo tem o objetivo de conter a série de suspensões sofridas pelo Brasil. A Arábia Saudita, terceiro maior parceiro comercial de compras de carnes brasileiras, também cogita suspender importações do produto. Se a decisão se confirmar, o país se junta a Hong Kong, China, Chile, Egito, Argélia, Jamaica, Trindad e Tobago, Panamá, Emirados Árabes Unidos, México e Bahamas, que anunciaram suspensões preventivas ou temporárias, mas totais, para todas as plantas frigoríficas aptas a exportar.

Boicote parcial

Outros países também suspenderam a importação brasileira, mas de maneira parcial, ou seja, apenas de plantas frigoríficas que estão sob investigação da Polícia Federal e auditoria do Mapa: Japão, África do Sul, União Europeia e Suíça. A África do Sul, por sinal, anunciou ontem a suspensão.

O governo está otimista de que conseguirá reverter a situação logo, mas o principal desafio será convencer China e Hong Kong, que não aceitaram explicações do Mapa. Maggi se mostra tranquilo quanto às decisões das duas nações. “Cada país tem sua forma de negociar. Não podemos reclamar. Estamos insistindo, mas a tomada de decisão é deles e não nossa”, disse.

Segundo o ministro da Agricultura, o governo chileno está mais maleável e poderá alterar o embargo total, para parcial, ou seja, vetando apenas importação de carnes das 21 plantas frigoríficas autoembargadas pelo ministério. “Estamos esperando apenas a expedição do documento que libera o mercado brasileiro novamente”, explicou.

Maggi garantiu que ligará para o ministro da Agricultura da Rússia. “Queremos dar explicações e ver se há necessidade de maiores informações. Neste momento, todo nosso esforço e envolvimento está na direção de cuidar dos mercados”, garantiu.

Todo esforço do governo para conter a sangria no exterior não foi suficiente para evitar o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara. Ontem a noite, os deputados Júlio Delgado (PSB-MG), Ivan Valente (Psol-SP) e Carlos Zarattini (PT-SP) protocolaram o pedido com 208 assinaturas de apoio. No documento, os parlamentares sugerem a apuração de irregularidades na fiscalização fitossanitária no país, com base na ação policial deflagrada na última sexta-feira.

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