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Ator da globo está com uma dívida de R$ 700 mil, diz que já usou drogas e revela que terá que trocar uma prótese peniana

Tonico Pereira, de A Regra do Jogo, conta, sem perder o bom humor, que está tentando pagar uma dívida de R$ 700 mil e revela que, quando a novela acabar, terá que trocar uma prótese devido a complicações de saúde

Por Campelo - Diário do Sertão em Sousa

26/02/2016 às 12h59 • atualizado em 26/02/2016 às 14h35

O ator está vivendo o papel de Ascânio na novela A Regra do Jogo da rede Globo

Em camisa e de cueca samba-canção, Tonico Pereira recebe QUEM em seu apartamento, de frente para a Lagoa Rodrigo de Freitas, área nobre do Rio, já avisando: não liga para a imagem. “Essa vaidade mundana eu não tenho”, diz. Como o bandido Ascânio, ele vem roubando a cena em A Regra do Jogo. Suas representações são queridas pelo público e compõem alguns dos momentos mais esperados da trama. Mas o intérprete não se importa com o sucesso. Ele quer é trabalhar para pagar contas. Com dívidas, hipotecou o apartamento e está vendendo parte de sua coleção de carros antigos.

Quando a novela acabar, em março, vai cuidar da saúde. “Vou repor uma prótese peniana. Sou diabético e acabei tendo uma infecção séria. Me larguei um pouco”, revela ele, casado com a coreógrafa Marina Salomon, 51, com quem tem os gêmeos Antônio Nicolau e Nina Sofia, 10. Ele também tem duas filhas do primeiro casamento, com a professora Eliane Pereira – Daniela, 43, e Thaia, 40. “Elas sofreram com a minha falta de dinheiro”, confessa.

Qual foi a inspiração para fazer o Ascânio?
TONICO PEREIRA: Da minha vivência. Até porque nunca pretendi seguir efetivamente essa carreira. Eu fui me fazendo ator. Não frequentei uma escola de teatro, de interpretação, nada disso. Sou fruto de tudo que já vi e vivi durante todos estes anos. E não foi pouca coisa. Para você ter uma ideia, nasci numa casa que era cercada por puteiros bem populares. Então, tive muitos amigos verdadeiramente – sem ser pejorativo – filhos da puta (risos).

Minha iniciação sexual foi no puteiro. E eu era muito jovem, ainda não tinha feito 10 anos. Sempre fui precoce. Mas elas (as prostitutas) me conheciam. Naquela época, eu levava de porta em porta, tipo umas 6h, 7h, as latinhas de leite que minha mãe vendia na vizinhança. Ou seja, as prostitutas só iam dormir depois que eu passasse lá com o café da manhã delas.

Foi uma infância pobre?
TP: Foi carente e ótima. Até acho que ótima por ser carente. Trabalhei para conseguir comprar os meus brinquedos. Meu pai não tinha condições de me dar. Éramos cinco filhos. Então, além de vender leite, suspiro, empada, mariola, eu encerava o chão da casa da vizinhança. Fiz de tudo. Revendia relógio, perfume, cigarro americano… E ganhava muito dinheiro!

Como se tornou ator?
TP: Já no Rio, certo dia, conheci o Grupo Laboratório de Teatro da UFF Integrado à Comunidade. Me motivei. Até porque estou falando de 1968, da fase da liberação, daquelas mulheres lindíssimas fazendo curso de interpretação… Posso dizer que a minha inserção no teatro se deu pela libido.

Você passou dificuldades no início da carreira?
TP: Para você ter uma ideia, só comecei a jantar mesmo a partir da peça Papa Highirte, na década de 70. Antes disso, quando saía com o elenco, geralmente não pedia comida. Só comia o que sobrava de cada um. Ou então comia na barraca do Angu do Gomes, na Praça XV (no Centro do Rio). Era um prato e três cachaças. Às vezes, eu disputava o angu no jogo de porrinha. Sinto uma saudade incrível desse tempo. Era uma época muito pobre e feliz. Sem as angústias que tenho hoje… A gente vira burguês e tudo fica mais difícil. Tenho duas filhas, do meu primeiro casamento, que sofreram muito com a minha falta de dinheiro.

Como está sua saúde hoje?
TP: Além de ser diabético, já tive câncer na bexiga quatro vezes! Também tive um tumor no pulmão. Apesar de benigno, sofro sequelas até hoje. Para trabalhar, uso ponto eletrônico, porque minha memória falha. Mas o meu problema mais sério é o cigarro. Sou precoce em tudo, comecei a fumar aos 8 anos. Na minha última consulta, a médica falou que o meu caso já era de internação. Preciso ficar em uma clínica no mínimo 15 dias. Mas só se for com uma camisa de força (risos). Além de ser difícil largar o vício, ficar parado também é complicado. Quando estou de férias, me sinto desempregado. Por mim, não tiraria férias nunca! Vou repor uma prótese peniana. Sou diabético e acabei tendo uma infecção séria. Me larguei um pouco…

Você não se importa em contar algo tão íntimo?
TP: Posso até ser um calhorda, uma série de adjetivos pejorativos, mas hipócrita não sou. Não consigo mentir. Odeio hipócritas, tenho asco!

Você é vaidoso?
TP: Vaidade mundana não tenho. Não ligo para imagem. Minha mulher já se acostumou. Ela se arruma para sair e eu vou de bermuda. Agora mesmo: estou atendendo você com uma barriga proeminente (risos).

Você não é um ator blindado por assessores…
TP: Ao contrário. Odeio isso! Às vezes, vejo uma cena de um jovem que está começando e, quando quero lhe dar os parabéns, ligo e escuto que tenho que falar com o empresário. Não vou falar com empresário de ninguém porra nenhuma! É uma pena. Poder elogiar uma pessoa é algo tão maravilhoso, é uma felicidade tão grande!… Para mim, então, que em geral falo mal… E falo mesmo, porque não sou hipócrita.

Por que você hipotecou seu apartamento?
TP: Sou expert em falência e hoje tenho dívidas que chegam a 700 mil reais! Montei alguns negócios, na insegurança de ser ator, que não deram certo. Tive botequim, peixaria, livraria, agência de automóvel… No entanto, foi a carreira de ator que me manteve. Mas quando A Grande Família acabou (a série foi exibida de 2001 a 2014), o meu salário, que era de 100%, caiu para 40%. O pagamento é menor quando o ator não está no ar. Estava acostumado a um padrão de vida e acabei fazendo dívidas em geral. A culpa é só minha. É maduro saber se organizar financeiramente, mas a liberdade de viver sem planejamento é tão boa…

Já usou drogas?
TP: Não sou hipócrita de negar. Cheirei, mas há 30 anos estou parado. E bebi muito também. Não faço mais essas coisas.

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