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Figurinista nega caso com José Mayer e desabafa: ‘Estou no meu limite’

Nos últimos dias, boatos pipocaram afirmando que Susllem era amante do ator e que a denúncia era uma vingança.

Por Priscila Belmont

05/05/2017 às 09h06

© Reprodução

No último mês, a figurinista Susllem Tonani, se viu no meio de um furacão, após declarar ter sido vítima de assédio sexual do ator José Mayer, em plena Folha de S. Paulo. Desde então, o ator assumiu o assédio e a denúncia virou caso de polícia.

Nos últimos dias, boatos pipocaram afirmando que Susllem era amante do ator e que a denúncia era uma vingança. A figurinista, reclusa desde que o escândalo se tornou público, voltou a fazer um relato nesta sexta (5), também na Folha, negando a versão do colunista Leo Dias.

“Não, eu não fui amante de José Mayer. Declaro que não fiz acordo com nenhuma parte envolvida e muito menos recebi algum dinheiro. Declaro que não retirei queixa contra José Mayer pelo simples fato de que nunca a fiz”, escreveu a moça.

“Não, eu não fui amante de José Mayer.

Declaro que não fiz acordo com nenhuma parte envolvida e muito menos recebi algum dinheiro.

Não fui demitida da Rede Globo. O meu contrato, como o previsto, se encerrou com o final da novela.

Declaro que não retirei queixa contra José Mayer pelo simples fato de que nunca a fiz.

Eu fui vítima de assédio sexual. E agora das especulações que colocam dúvidas sobre a minha dor. E me fazem revivê-la.

Em 31 março de 2017, depois de oito meses sendo assediada pelo ator José Mayer, depois de ter levado minha denúncia de assédio às instâncias de poder ao meu alcance e não ter encontrado justiça, depois de ver o medo dos colegas de testemunhar o que viram, sentindo que não tinha mais a quem recorrer, decidi. Sem nenhum outro recurso à minha disposição, optei por tornar pública minha denúncia no blog feminista #AgoraÉQueSãoElas. Um espaço que me acolheria.

Mas não pensem que foi uma decisão trivial. Ela foi recheada de medo.

Sabe por que dá tanto medo de delatar um abuso?

Porque nossa cultura machista culpa a mulher, da vítima, pela violência vivenciada. É isso que corre as redes. É o que passa pelo boca a boca. É o que passeia por nossos aplicativos de relacionamento. É o que é impresso nos jornais. A história da mulher sedutora, agora passional e vingativa. Da mulher que mereceu. Da amante rejeitada.

Essa é a história que o mundo machista gosta de contar. E que nos acostumamos a aceitar como versão mais plausível. Saiba: essa prática nos desempodera. Nos revitimiza. E neste momento é como me sinto. Me sinto vítima novamente.

Vítima de quem, agora?

Vítima de profissionais exibicionistas. Vítima da narrativa produzida por tabloides irresponsáveis, das versões misóginas da violência que vivi que tornam suspeito meu gesto de denúncia, bem como a sororidade das que me apoiaram. E tenham certeza: estou sendo revitimizada pelo machismo que tentam me enfraquecer, me roubar a coragem de lutar. Mas cada vez que o conteúdo que questiona minhas razões é compartilhado, não sou só eu que estou sendo subjugada. Toda vítima está sendo coagida. Reprimida. Oprimida. Todas as que ainda não se manifestaram, em qualquer contexto, no país todo, dúvida de si. E cogita seguir calada.

Dentre as intimações que recebi do delegado havia a informação de que eu estaria cometendo crime de desobediência por não depor. Como se neste tipo de crime a decisão de abrir um inquérito é exclusiva da vitima? Se eu assim quisesse, o ideal não seria uma delegada? Temos as delegacia de atendimento às mulheres para isso, não?!

Me sinto interrogada inescrupulosamente, incessantemente. Mesmo sem prestar queixa nenhuma. Quantas vezes terei de pedir para respeitarem o meu não? E quantas não se identificarão tristemente e optarão pelo silêncio ao ver o escrutínio sob o qual me vejo agora?

Sinto que a minha história teve começo, meio e fim. Terminou na terça à noite, 4 de abril de 2017, com um pedido de desculpa da Rede Globo e uma carta de confissão do José Mayer, ambos lidos no Jornal Nacional. Senti que tive a justiça que desejava. Pouco creio que a punição criminal para o meu caso tenha alcance maior que já tivemos. Mais potência. Seja mais transformadora.

(…)

Me orgulho de ter contribuído como pude para isso. E agora quero seguir.

Reservo a mim o direito de encerrar esse assunto. Chego ao final da minha jornada. Estou no limite da minha capacidade emocional de seguir na linha de frente dessa luta. Peço que respeitem os meus limites. Violados anteriormente, quando tudo isso começou. Outras podem assumir a frente dessa luta. E eu me comprometo a sempre apoiá-las, assim como fui apoiada por tantas.”

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