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Morre no Rio o sambista Almir Guineto, fundador do Fundo de Quintal, aos 70 anos

Morreu nesta sexta-feira o sambista Almir Guineto, aos 70 anos, no Hospital Clementino Fraga, na Ilha do Fundão, no Rio, onde o cantor estava internado.

Por Luzia de Sousa

05/05/2017 às 14h47

Almir Guineto morreu aos 70 anos Foto: Divulgação

Morreu nesta sexta-feira o sambista Almir Guineto, aos 70 anos, no Hospital Clementino Fraga, na Ilha do Fundão, no Rio, onde o cantor estava internado. A informação sobre seu falecimento foi divulgada pelos perfis do artista no Twitter e no Facebook. “Comunicamos com pesar o falecimento do sambista Almir Guineto, na manhã desta sexta-feira (5), no Rio de Janeiro, em decorrência de complicações trazidas por problemas renais crônicos e diabetes. A família do cantor agradece pelas orações e o carinho de todos os fãs e admiradores. As informações sobre o velório e o sepultamento serão divulgadas em breve”, diz o comunicado no Facebook.

Fundador do grupo Fundo de Quintal, Guineto estava internado desde março. Ele lutava há 17 meses contra problemas renais crônicos. Em junho de 2016, o músico se afastou dos palcos. Ele passaria a tratar uma insuficiência real crônica depois de descobrir o problema de saúde no fim de 2015, quando sentiu fortes dores no corpo antes de um show em São Paulo.

O cantor reconheceu, na época, que o tratamento o havia enfraquecido e impedido cumprir com excelência a agenda de apresentações. Apesar da pausa, ele previa o retorno aos shows para o começo de 2017, o que não foi possível.

Almir Guineto introduziu o banjo no samba, com afinação de cavaquinho, o que lhe rendeu elogios de ser um sambista completo, o rei do pagode. “Agora tem mais de 400 mil banjos por aí”, ironizava sobre a popularização do instrumento na cena musical. Tijucano, viveu no Morro do Salgueiro até 1970. Ali aprendeu a gostar de samba, a tocar instrumentos, e passou a venerar o pavilhão da Acadêmicos do Salgueiro. Depois, passou a evitar o morro, que o trazia “lembranças ruins”, onde um de seus filhos foi assassinado.

Em 2012, quebrou o hiato de 11 anos longe dos estúdios com o CD “Cartão de Visita”. O último trabalho homenageava a cidade do Rio, com músicas inéditas que balançavam o público do eixo Rio-São Paulo ao lado dos clássicos “Caxambu”, “Mel na boca”, “Jiboia”, “Insensato destino” e “Lama nas ruas”. “É igual a andar de bicicleta. A gente não perde as técnicas”, contou ao GLOBO, em entrevista de dezembro de 2013.

REI DO PAGODE
O carioca é cultuado no mundo do samba, com a inconfundível voz rouca, de dicção por vezes incompreensível, movida no passado por doses de álcool e drogas. Além do banjo, que fazia soar como “reco-reco harmônico”, ele difundiu a magia do jongo e a malícia do partido-alto, segundo o estudioso Nei Lopes explicou em entrevista de 2012. Seu pai, Iraci Serra, era um dos maiores violinistas do samba em seu tempo. Sua avó, jongueira vinda de Minas Gerais. Desde pequeno, participava da Folia de Reis vestido a caráter e batucando em latas.

Com o amigo Mussum, o compositor integrou o grupo Originais do Samba a partir de 1969. Mas o banjo de Guineto ganharia eco nas rodas do Cacique de Ramos, nos anos 1970, aliado ao tantã e ao repique de mão. Foi naquelas reuniões que se tornou Cacique ídolo de jovens como Arlindo Cruz, a quem ensinou a tocar banho, e Zeca Pagodinho. O novo som seria consagrado pelo Fundo de Quintal, cuja primeira formação trazia o tijucano.

Ao estourar com “Caxambu”, em 1986, Guineto lançou-se a 62 shows mensais. Acabou internado. Com a renda do sucesso, comprou um tríplex em Copacabana e deu festas que duravam até três dias. Batizou o apartamento de “favela”.

Em 2002, sua mulher da época o convenceu a se mudar para Tupã, a 435km de São Paulo, para tirá-lo do meio de drogas. Ele considerou que a estratégia deu certo: largou os narcóticos e passou a beber apenas suco e água. Mas o casamento acabou e, em 2011, ele voltou ao Rio, de onde só saía para shows no eixo até São Paulo.

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