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Polícia apura ataques racistas na página de Taís Araújo

Episódio provocou comoção nas redes sociais, com milhares de mensagens de apoio à artista

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02/11/2015 às 18h41

Taís Araújo (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro vai investigar a denúncia de racismo contra a atriz Taís Araújo. Uma foto publicada no perfil dela no Facebook recebeu diversos comentários ofensivos relativos à pele e ao cabelo. Depois de tomar conhecimento do episódio, a polícia determinou que um inquérito seja instaurado na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) da capital fluminense. Casos como o de Taís Araújo, da jornalista Maria Júlia Coutinho, do Jornal Nacional e outros envolvendo não famosos reacendem frequentemente o debate sobre o cerco a esse tipo de crime cometido na internet. Somente no ano passado, a ONG Safernet recebeu 86,5 mil denúncias no Brasil, de 17,3 mil páginas com conteúdo racista. Desse total, 11 mil (64,1%) estavam no Facebook.

Segundo o diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), Ronaldo Oliveira, a identidade dos autores — a maioria, portadores de perfis falsos — será investigada, e eles serão intimados a depor. A atriz também deve ser ouvida esta semana. Ontem ela fez um desabafo em sua página oficial no Facebook: “É muito chato, em 2015, ainda ter que falar sobre isso, mas não podemos nos calar: na última noite, recebi uma série de ataques racistas na minha página. Absolutamente tudo está registrado e será enviado à Polícia Federal. E eu não vou apagar nenhum desses comentários”. “Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça”, completou.

O episódio gerou comoção nas redes sociais, e a hashtag #SomosTodosTaisAraujo tornou-se uma das mais populares no Twitter, chegando ao terceiro assunto mais comentado na rede social no Brasil. Após a polêmica, a maioria das postagens racistas foi apagada pelos autores, mas diversos fãs da atriz disseram ter salvado as mensagens e que as encaminhariam para denúncia. A foto que recebeu comentários preconceituosos foi publicada em 2 de outubro e os ataques se referiam ao cabelo de Taís. Até a noite de ontem, o desabafo da atriz no Facebook acumulava mais de 400 mil curtidas e superava os 50 mil compartilhamentos.

Taís Araújo ressaltou que, “por ironia do destino”, ela está em cartaz em São Paulo com a peça Topo da montanha, que faz alusão ao último discurso de Martin Luther King, um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros no mundo, um dia antes de ser assassinado. King é interpretado na peça por Lázaro Ramos, marido de Taís. “Aproveito para convidar você, pequeno covarde, a ver e ouvir o que temos a dizer. Acho que você está precisando ouvir algumas coisinhas sobre amor”, comentou a atriz em sua página.

Solidariedade
A campanha #SomosTodosTaisAraujo mobilizou milhares de fãs e muitos famosos amigos. A atriz Leandra Leal publicou mensagem de apoio, destacando a mensagem da companheira de profissão: “Muito obrigada por representar tanta coisa para todas as mulheres, por responder a agressividade com o amor e também por ser combativa e expor esse vergonhoso preconceito que nos assombra.” A cantora Preta Gil ressaltou a coragem da atriz e usou o caso para destacar sua luta diária contra vários tipos de preconceito: “Como ela, eu também sou atacada nas redes sociais diariamente (no meu caso) por ser negra, gordinha e principalmente feliz e cercada de amor!!! Não podemos admitir isso hoje e nunca!!”

A jornalista e apresentadora de TV Fátima Bernardes publicou mensagem de apoio a Taís e ressaltou a importância de todos denunciarem ofensas sofridas em redes sociais. “Você fez o certo e espero que inspire muitas outras pessoas que passam pelo mesmo. Denuncie o racismo e a covardia de quem ofende achando que está protegido pelo anonimato. Essa luta é de todos que desejam um mundo melhor.”

O que diz a lei
O crime de racismo, previsto na Lei 7.716/1989, implica conduta discriminatória dirigida a determinado grupo ou coletividade. Nesses casos, cabe ao Ministério Público a legitimidade para processar o ofensor. A lei enquadra uma série de situações como crime de racismo, por exemplo, recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou às escadas de acesso, negar ou obstar emprego em empresa privada, entre outros. São mais comuns no país os casos enquadrados no artigo 20 da legislação, que consiste em “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. O crime de racismo é inafiançável e imprescritível, com pena de até 3 anos.

CORREIO BRAZILIENSE

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