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Nudista relata como é a vida em comunidade: ‘Passo a maior parte do tempo nua’

Todo mundo já teve curiosidade em saber como funciona (por dentro) uma praia ou comunidade naturista, certo? (Vai dizer que você não?). Pensando nisso, Glamour conversou com Carina Moreschi, que há 17 anos estuda – e pratica, claro – o nudismo no Brasil e no mundo inteiro. A gaúcha, de tão adepta do naturismo, uniu […]

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28/05/2014 às 07h55

A gaúcha, de tão adepta do naturismo, uniu o útil ao agradável (Foto: reprodução imprensa)

Todo mundo já teve curiosidade em saber como funciona (por dentro) uma praia ou comunidade naturista, certo? (Vai dizer que você não?). Pensando nisso, Glamour conversou com Carina Moreschi, que há 17 anos estuda – e pratica, claro – o nudismo no Brasil e no mundo inteiro. A gaúcha, de tão adepta do naturismo, uniu o útil ao agradável e atualmente é editora-chefe da revista e site Brasil Naturista, especializada no assunto. Nelson Rodrigues que nos desculpe, mas após ler isso, você nunca mais vai concordar com a frase “toda nudez será castigada”.

Glamour Brasil: Como começou seu interesse pelo nudismo?
Carina Moreschi: Sou adepta à filosofia desde 1997, quando iniciei a prática na Colina do Sol, única vila naturista do Hemisfério Sul, na ocasião com 16 anos. Na verdade acredito que sempre fui meio naturista desde criança, porque era criada pelos meus pais de maneira mais aberta, sem a imposição das roupas. Lembro-me que tomávamos banho de rio sem roupa e circulávamos pela casa nus, naturalmente. Isto já fazia parte do meu dia a dia. Como a nudez já era algo natural e da minha vivência, praticar naturismo social foi muito fácil. A sensação de liberdade e bem estar é o que destaco de mais incentivador. Entrar na água sem traje de banho e poder secar-se ao sol de maneira natural, não tem explicação. Um dia na vida todos deveriam experimentar! Não conheço ex-naturistas. Quem já praticou tornou-se adepto pra vida inteira.

Carina em momento nudista na Áustria (Foto: Brasil Naturista)

Carina em momento nudista na Áustria (Foto: Brasil Naturista)

Glamour Brasil: Com que frequência você frequenta comunidades nudistas?
Carina Moreschi:
Já morei quatro anos numa vila naturista. Vou a áreas destinadas para a prática com grande frequência. Consegui aliar prazer e satisfação ao meu trabalho. Transformei a prática em profissão. Há aproximadamente 15 anos tenho um contato estreito com a filosofia, visitando áreas, praias e eventos naturistas Brasil e mundo afora em busca de material e destinos novos para as pessoas que nos acompanham. O Brasil Naturista virou referência. Nosso carro chefe é o portal na internet considerado um dos mais completos do mundo e acompanhado por praticantes de vários países. Nossas experiências também são divulgadas em materiais impressos que editamos, como jornais, revistas, livros, dentre outros. Sinto-me privilegiada em poder viver disso. A sensação de bem estar e de se relacionar com pessoas que não irão lhe julgar pela vestimenta e nem criar pré-conceitos a teu respeito não tem preço. Nas áreas naturistas todos estão nus, iguais, e os relacionamentos se tornam mais verdadeiros e sinceros.

Glamour Brasil: Como é o dia a dia de quem mora em lugares assim?
Carina Moreschi:
No caso da Colina do Sol, que é a maior vila naturista do Hemisfério Sul, tudo acontece com muita naturalidade. O dia a dia é igual ao de qualquer pessoa, apenas o que diferencia é uso de vestimentas. A história demonstra que a roupa surgiu como proteção e agasalho, e não como ornamento. Acostumar-se a viver sem elas é muito fácil, é instintivo. Sim, vamos ao mercado sem roupa, fazemos tudo sem a vestimenta. Um naturista geralmente carrega consigo apenas uma canga, que transformou-se em traje oficial. Utilizamos ela em situações de uso comum: cadeiras, bancos. Usamos também como agasalho, para nos secar após um banho de mar, lago, cachoeira. Também para nos estirarmos na areia e até para nos protegermos do sol.

"O nudismo traz satisfação, bem estar, saúde física e mental" (Foto: Brasil Naturista)

"O nudismo traz satisfação, bem estar, saúde física e mental" (Foto: Brasil Naturista)

Glamour Brasil: Reunião dos filhos na escola, por exemplo. Os pais vestem roupas para ir? Como educam crianças que crescem nessas comunidades?
Carina Moreschi:
Não, os pais não vestem roupas e muito menos as crianças. A educação é muito simples: quando temos frio, colocamos roupa, quando temos calor, tiramos. O ensinamento fundamental instruído às crianças é que todas as partes do corpo são iguais e que devemos aceitar nosso corpo como ele é, bem como o corpo das demais pessoas. Posso falar um pouco da minha própria experiência. Sempre que posso e que estou com calor fico nua. Pra mim já virou algo automático. O que mais me atraiu no naturismo, desde o início, foi o bem estar que ele proporciona. Com o passar do tempo, você se vê incapaz de permanecer com um biquíni molhado por horas, pelo simples fato de ter que cobrir a genitália. Aquela sensação que pra mim é extremamente desconfortável, se eu puder evitar, evito. Claro que, nem por isso deixo de frequentar as praias normais, quando julgo necessário e prazeroso. Na minha vida, o naturismo veio antes mesmo de eu visitar a primeira área. Percebi que a minha família já fazia isto, assumindo a nudez como algo normal. Nunca tivemos vergonha um do outro e as portas dos quartos e banheiro nunca foram chaveadas. Circulávamos pela casa nus, sem vergonha e pudor e achando que era normal. Agradeço meus pais por esta ótima criação.

Glamour Brasil: E pras mulheres, como é a questão de depilação?
Carina Moreschi:
Tranquilíssima. Cada uma usa do jeito que gosta. A filosofia naturista prega a nudez social sem agredir o outro, em contato com a natureza, respeitando ao próximo, a si mesmo e ao meio ambiente. Ela vai além da nudez e despe, também, dos preconceitos e amarras sociais. Nosso modo de vida é baseado no retorno à natureza como a melhor maneira de viver. Defendemos a vida ao ar livre, o consumo de alimentos naturais e a prática do nudismo. A depilação não tem a menor importância!

Glamour Brasil: Rola um preconceito contra quem é nudista?
Carina Moreschi:
É muito difícil acontecer isso. Eu nem dou chance para o preconceito. Geralmente o naturismo é encarado muito bem pelas pessoas que me cercam. Não escondo de ninguém que pratico. A maioria dos amigos e familiares tem interesse em conhecer ou já o fizeram. Como edito materiais específicas sobre naturismo, sempre que existir dúvida ou curiosidade, forneço material informativo. A maioria fica encantada com o que vê e sente vontade de conhecer. A reação das pessoas é bem positiva porque encaramos como algo normal e de respeito.

Carina trabalha e pratica nudismo há 17 anos (Foto: Brasil Naturista)

Carina trabalha e pratica nudismo há 17 anos (Foto: Brasil Naturista)

Glamour Brasil: O que acontece se alguém se excitar?
Carina Moreschi:
Em áreas privadas, é quase impossível acontecer uma excitação. Quando a pessoa vai num lugar assim, recebe instruções, assiste a vídeos documentários, ou seja, existe uma preparação e adaptação. A nudez não excita! O ambiente familiar também não. O que excita é o que está por trás da vestimenta, o desconhecido. Claro que rola paquera, como em qualquer outro lugar. Cada pessoa sabe até onde pode ir e conhece seu corpo. Os ambientes naturistas são muito parecidos com qualquer outro ambiente público. Pode-se realizar tudo o que as convenções sociais julgam normais. De qualquer forma, possuímos um documento conhecido como “Normas Éticas do Naturismo Brasileiro” que norteia a prática e nele existem cuidados a serem tomados, tais como: são consideradas condutas anti-éticas, e como tal devendo ser evitadas e fiscalizadas pelos associados, as abaixo relacionadas: agir de maneira desrespeitosa e/ou agressiva com quem quer que seja, em qualquer situação; praticar atos de caráter sexual ou obscenos nas áreas públicas; fotografar, gravar ou filmar qualquer pessoa ou grupo, seja de qual distância for, sem a permissão dos mesmos; constranger, através de atitudes passiva ou ativas, outros naturistas; praticar jogos ou outras atividades, nas áreas públicas, que possam interferir na segurança ou tranquilidade dos demais naturistas; utilizar instrumentos ou aparelhos sonoros em volume que possa interferir na tranquilidade alheia; satisfazer necessidades fisiológicas nas áreas públicas; deixar lixo de qualquer espécie nas áreas citadas.

Glamour Brasil: Quando vai trabalhar, você precisa ir vestida? Como se sente quando isso acontece?
Carina Moreschi:
Quando o clima favorece, eu trabalho sem roupa. Em minha casa geralmente estou sem. Nas viagens em local naturista, também. Indiscutivelmente ficar sem roupa é muito melhor do que colocá-la. Como trabalho com naturismo, passo a maior parte do tempo pelada.

A jornalista é editora-chefe de uma revista e portal especializados no assunto (Foto: Brasil Naturista)

A jornalista é editora-chefe de uma revista e portal especializados no assunto (Foto: Brasil Naturista)

Glamour Brasil: Diria que o nudismo te traz plenitude?
Carina Moreschi:
O nudismo traz satisfação, bem estar, saúde física e mental… Plenitude é algo que vai além. Eu sempre estou em constante busca para o aperfeiçoamento e mudança. Cada pessoa tem seu estado de plenitude e com certeza a prática naturista é uma parte importante para alcançá-la. Sempre comento com as pessoas que a sensação é incrível. Só que é muito pessoal, particular. A sensação é tão maravilhosa que com palavras é difícil de descrever. Tem que experimentar!

Glamour Brasil: Quais as vantagens de ser naturista?
Carina Moreschi:
Mala pequena nas viagens. 
– Não precisa levar a roupa limpa para o banheiro para vestir após o banho.
– O corpo é aceito em todas as suas formas, sexos e cores.
– O sol no corpo inteiro é um excelente remédio, tendo surgido o naturismo por este motivo (indicado por médicos com o nome de Helioterapia).
– Evita o aparecimento de fungos nas genitálias, problema comum nos consultórios ginecológicos. Para os homens, o naturismo possibilita melhor fertilidade (especialistas apontam o uso demasiado de cuecas e calções de banho na infertilidade masculina) devido à alta temperatura em que fica exposto o saco escrotal.
– Melhor conhecimento do próprio corpo.

Fonte: G1 

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