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Padre do Sertão fala sobre trabalho em nova paróquia, lutas pelo povo carente e lentidão nas obras da transposição. Ouça!

Padre Djacir falou sobre os desafios que encontrou ao longo de seu sacerdócio com relação às lutas do povo carente.

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18/11/2011 às 11h07

O padre Djacir Brasileiro, pároco na região do Vale do Piancó, em entrevista ao Portal Diário do Sertão disse que está muito feliz em voltar para o Vale e que vai apoiar as lutas do povo como fez em todas as outras paróquias que passou.

Durante a entrevista, padre Djacir falou sobre os desafios que encontrou ao longo de seu sacerdócio com relação às lutas do povo carente que assumiu. Em seu discurso o padre repudiou qualquer tipo de corrupção, principalmente a política.

Com relação a Transposição do Rio São Francisco, o padre falou que vai continuar defendendo esse interesse do povo nordestino, porém assumiu que nesse Governo de Dilma, ficou bastante desanimado com a lentidão das obras.

Ouça Áudio.

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Leia entrevista na íntegra:

DIÁRIO DO SERTÃO: Como é para o senhor estar de volta ao Vale do Piancó?

Pe. Djacir Brasileiro: Eu fui padre por 10 anos no Vale do Piancó, tomei conta de duas paróquias envolvendo as cidades de Diamante, Boa ventura e Curral Velho. Então retornar ao Vale para mim é uma alegria imensa. O Vale do Piancó é uma região extremamente pobre, de um povo sofredor e eu fui para dar minha humilde parcela de contribuição, não só como pastor, mas, como cidadão.

DIÁRIO DO SERTÃO: O senhor quando saiu da região de São Francisco e Santa Cruz, sua bandeira era a construção daquela ponte do “Boi Morto”, o concerto lá na ponte foi realizado?

Pe. Djacir Brasileiro: O primeiro grande desafio lá em Santa Cruz, além do povo que vivia em uma situação crítica, pois não havia água potável e foi uma luta fizemos uma grande cruz de lata simbolizando a luta pela água e depois de três anos de luta o governo levou uma adutora. Hoje estou feliz em saber que o povo tem água. Outra luta foi com relação à Ponte do “Boi Morto” que caiu, aí veio o sofrimento do povo, presenciei o drama daquela população e depois de dois ou três anos de luta, o Governo do Estado reconstruiu essa ponte que foi iniciada no Governo de Cássio e concluída no Governo de Zé Maranhão. Eu soube recentemente que, na cabeceira da ponte está havendo muita buraqueira. É preciso que o povo esteja unido, pois um povo unido é um povo forte.

DIÁRIO DO SERTÃO: Padre, sabemos da grande luta que o senhor tem junto com o povo paraibano, principalmente com relação a transposição do Rio São Francisco, inclusive no ano passado o senhor esteve no Palácio do Planalto tentando fazer uma movimentação levando até a cruz de lata para chamar atenção dos governantes e da imprensa. O senhor acha que essa transposição vai sair mesmo ainda no Governo Dilma?

Pe. Djacir Brasileiro: Eu estava muito esperançoso no Governo Lula, pois acreditava em sua condição de sertanejo e o Governo dele realmente deu grande impulso nesta obra. No Governo Dilma, estou meio cético, pois a obra está lenta e de acordo com informações existem até alguns lotes parados, então fico meio duvidoso com relação a essa obra.

Como é notório, a transposição vai beneficiar milhões de nordestinos e de modo particular, os paraibanos. Então nós não podemos ficar calados quando percebemos que esta obra está paralisada. Tenho feito pedidos através da mídia e redes de comunicação da internet para que os nossos representantes pressionem o Governo federal para que essa obra não seja paralisada. Chegou a hora dos deputados, senadores, o próprio Governo do Estado, juntos pressionar o Governo Federal. Temos que ir a luta, cobrar e exigir os nossos direitos.

DIÁRIO DO SERTÃO: O Tribunal de Contas trouxe uma matéria com um levantamento que diz que até Outubro já foram desviados dos cofres públicos, inclusive recursos do Governo federal destinados em sua maioria a áreas de saúde, educação e moradias totalizando 357 milhões de reais desviados neste ano de 2011, são 187 prefeituras. Com esse total dava para construir 10 mil casas populares, 118 escolas padrão e 44 unidades do Programa Saúde da Família. Não é muito dinheiro sendo desviado que poderia melhorar a situação das famílias?

Pe. Djacir Brasileiro: Infelizmente, é a cultura da corrupção enraizada no nosso país e quem sofre somos nós os pobres. As conseqüências são: a falta de uma assistência médica hospitalar com dignidade, a falta de um ensino de qualidade, falta de saneamento básico, falta de segurança pública. Aí entra a ação da sociedade que como um todo tem que fiscalizar, cobrar, bem como os Ministérios Públicos, as Igrejas e outros órgãos tanto na esfera pública, como na civil não-governamental. É preciso se unir contra essa praga chamada corrupção que é a pior droga, pois leva fome, miséria, morte, prostituição, é a mãe de todas as drogas.

DIÁRIO DO SERTÃO: Quais serão as lutas que o senhor vai encampar na região do Vale do Piancó?

Pe. Djacir Brasileiro: Uma das lutas é na questão da orientação política, para o ano vem às eleições e todo ano a Igreja Católica, assim como as evangélicas fazem um trabalho de orientação política. Eu particularmente sempre lanço um trabalho, orientando os eleitores na questão da escolha do seu representante. Tenho lançado os dez mandamentos do eleitor sertanejo, os dez mandamentos do eleitor paraibanos, enfim o trabalho é para excluir a alienação política do cidadão.

O cidadão que não tem consciência de sua cidadania ele não cobra, ele não reivindica, ele não luta, ele é acomodado. E eu procuro libertar o povo da alienação política, pois a elite política fica feliz quando vê um povo alienado.

DIÁRIO DO SERTÃO: Temos acompanhados na imprensa casos de envolvimento de padres com a pedofilia, essa denúncia contra a Igreja Católica tem afastado os fiéis e levado-os para outras religiões. Isso tem atrapalhado a Igreja Católica?

Pe. Djacir Brasileiro: Eu diria primeiro que, é um pecado grave, pois é uma ofensa a dignidade da pessoa humana e depois é crime. E a pessoa que pratica tem que responder de acordo com as leis. A Igreja tem se manifestado contra essa realidade, inclusive o Papa elaborou documentos determinando que o pároco que pratique tal ato seja punido não só pela igreja, mas pela justiça.

DIÁRIO DO SERTÃO: O senhor acha que as prefeituras deviam investir mais em concursos públicos e deixarem de lado os contratados que viram “moeda de troca” nas eleições municipais?

Pe. Djacir Brasileiro: O fisiologismo político é um grande mal e tem que ser extinto, temos que dar um basta ao nepotismo, porque quem sofre com isso é a população mais carente. O concurso público é uma via de combate a corrupção, o ideal é que todas as prefeituras realizassem. Pois o contratado é humilhado, tem que obedecer e ser dependente de vereador ou de prefeito. Já ouvi muitos contratados dizerem: “Eu sou obrigado a ir para a passeata se não serei demitido, vou para o cabo eleitoral me ver”. Então digo e repito que o concurso público é o caminho para a independência do funcionário.

DIÁRIO DO SERTÃO: Como o senhor está vendo os nove meses de administração do Governo Ricardo Coutinho?

Pe. Djacir Brasileiro: Como cidadão, estou acompanhando os passos administrativos e como cidadão fico torcendo para que ele faça o Governo do povo, que tenda as necessidades. Não dá para fazer uma avaliação de forma geral. No Vale do Piancó ele está asfaltando estradas de Itaporanga a Pedra Branca, de Igaracy a Piancó, de Coremas a Piancó, na região de Cajazeiras também, no Lastro que também foi minha paróquia e isso sem dúvida é um grande trabalho para o povo do Sertão.

Agora há muitos questionamentos na área da segurança pública, na área da saúde e a questão dos salários dos funcionários públicos que fazem a máquina girar. Eu torço para que o Governo faça com que o povo seja tratado com dignidade.

DIÁRIO DO SERTÃO

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