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Paraibano revelação do Flamengo que fez gol no sábado lutou contra a timidez e já desmaiou por fome

Destaque contra o Bangu, o jovem saiu de uma pequena cidade da Paraíba e chegou ao Flamengo em 2012, onde passou por dificuldades até se firmar

Por Jocivan Pinheiro

07/03/2016 às 14h54 • atualizado em 07/03/2016 às 18h33

Thiago Santos, abraçado por Pará e Felipe Vizeu, teve início difícil no Fla (Foto: Gilvan de Souza/Fla Imagem)

Thiago Santos é abraçado por Pará e Felipe Vizeu após marcar gol da virada do Fla sobre o Bangu (Foto: Gilvan de Souza/Fla Imagem)

Natural de Mari, cidade do interior paraibano cuja população é pouco superior a 20 mil habitantes, o atacante Thiago Santos foi o destaque do Flamengo no último sábado, quando o time venceu por 3 a 1 o Bangu (veja os melhores momentos do jogo aqui). Antes dos holofotes, o jovem de 21 anos encarou dificuldades como timidez extrema, condições de vida humildes e negligência por parte de um procurador que cuidava de sua carreira quando tentou a sorte no Palmeiras, em 2011. O reconhecimento começa a acontecer e, dias antes do brilho contra o Alvirrubro, a diretoria rubro-negra recebeu proposta de empréstimo do Joinville, que disputará a Série B.

– O Flamengo recebeu a proposta e ainda não definimos se vamos cedê-lo ou não. Devemos definir isso após o estadual – afirmou Rodrigo Caetano, diretor executivo do Flamengo.

Responsável pela gestão da carreira de Thiago, o advogado Celso Figueiredo foi o responsável por levá-lo ao Flamengo. Figueiredo, avesso ao tratamento de empresário, conheceu o rápido jogador em 2011, quando ele chegou ao Rio para treinar em seu CT.

– Thiago um é jogador de muita qualidade, mas é tímido. Veio do interior da Paraíba, foi para o Palmeiras, e o deixaram largado lá. O garoto se sentiu muito sozinho, não conseguiu se ambientar e voltou para a Paraíba. Pensou em desistir, mas tentou a sorte de novo. Chegou ao Rio e foi treinar no CT (FAA Sports) que eu tinha em Vargem Grande. Resolvi colocá-lo no Duque de Caxias, porque é contra time grande que se aparece. No primeiro jogo contra o Flamengo (empate por 0 a 0), ele, jogando numa categoria superior (tinha 16 anos e jogava o sub-20), foi muito bem no jogo, e a diretoria logo me procurou. O pessoal do Flamengo dizia: “Esse moleque não é 95 (nascido em 1995) de jeito nenhum, corre pra caramba” (risos). O Fluminense também o queria, mas o Flamengo chegou mais rápido – explicou Figueiredo.

Thiago Santos prestando sua primeira entrevista coletiva no Fla (Foto: Gilvan de Souza/Fla Imagem)

Thiago Santos prestando sua primeira entrevista coletiva no Fla (Foto: Gilvan de Souza/Fla Imagem)

Segundo Celso, Thiago Santos costuma dizer: “Não tenho um empresário, tenho um amigo”. E, no início da relação, o “empresário-amigo” teve de chegar junto para fazer seu cliente perder um pouco a timidez, que quase o tirou do Flamengo. Comprou chuteiras e tirou de um local acanhado onde morava com a mãe, Lucineide Nascimento dos Santos, e mais um garoto. O fato de ser muito fechado o fez passar por uma situação nada agradável no primeiro treino no CT de Figueiredo.

– Quando voltou da Paraíba, no primeiro dia dele no CT, desmaiou. Não tinha almoçado (risos). Fui na casa dele, e ele morava numa sala apertada com a mãe e outro garoto numa comunidade perto de Curicica. Eu falei: “Não dá para vocês morarem aqui”. Tirei ele de lá e o trouxe para o Recreio. E procede a história que quase saiu do Flamengo por timidez. É muito introvertido. Depois do jogo, contra o Bangu, liguei para ele e o disse: “Tenho orgulho de você, obrigado por estar junto comigo nessa empreitada”. Eu não me sinto empresário dele, sou amigo desse garoto, que é exemplar. Muitos empresários o assediam, mas eu não abro mão da gestão da carreira dele, que é meu amigo – insistiu.

DIÁRIO DO SERTÃO com GloboEsporte.com

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