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Filho de ex-técnico morto em tragédia critica diretoria da Chapecoense após festa: ‘Só quer mídia’

Matheus Saroli disse que clube não é dirigido por gente que se importa com as vítimas da tragédia

Por Campelo - Diário do Sertão em Sousa

06/04/2017 às 08h27

Filho do treinador morto em acidente aéreo diz que diretoria da Chape é gananciosa e só quer mídia (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

A festa promovida pela Chapecoense na vitória por 2 a 1 sobre o Atlético Nacional, na última terça-feira, na Arena Condá, pelo jogo de ida da Recopa Sul-Americana, foi criticada pelo filho do ex-técnico Caio Júnior. Matheus Saroli atacou a diretoria do time catarinense e cobrou que a atenção dos cartolas seja voltada para aqueles que, como ele, são familiares das vítimas fatais do acidente sofrido na Colômbia, no fim do ano passado.

“Hoje, vou postar sobre um assunto no mínimo inesperado, mas poderia usar outros adjetivos como: triste, absurdo, ridículo, ganancioso, entre outros”, escreveu em sua página no Facebook. “Hoje, o clube é dirigido por pessoas que não têm ligação com as vítimas. A ligação deles é com o marketing, com a expansão, com o retorno, com a captação e blá blá blá.”

Matheus se indignou com o foco dado pela diretoria à festa na Arena Condá e em toda cidade de Chapecó. Antes e depois da partida, foram produzidos shows de música e de pirotecnia, jogo de luzes, além de todo um aparato extra de marketing, dignos de um espetáculo. Para o filho de Caio Júnior, o momento é de pensar nas famílias das vítimas, e não apenas na reconstrução esportiva do clube.

“Impressionante o quanto eles estão preocupados com a reconstrução do clube, que continua vivo, mas não em uma construção de uma imagem de todos os guerreiros que doaram a vida pelo clube. Pela construção de famílias sem pais para filhos pequenos e mãe desamparadas, de famílias sem seus filhos e irmãos queridos.”

O luxo da festa também indignou Matheus. “Contratação de diretor artístico, patrocínio em carros de corrida, show pirotécnico, salário em dia para os atletas e comissão da tão importante reconstrução do clube. Minha pergunta é: Será que se o clube tirasse o ano, ou o semestre pelo menos, para dar atenção única e exclusiva às vítimas, teríamos outro cenário? Teríamos outro tipo de atenção da mídia, visando apenas ajudar os que merecem nesse momento? Teríamos o numero de pessoas necessário para ajudar crianças pequenas com tratamento psicológicos e inúmeras outras situações?”, questionou.

O filho de Caio Júnior ainda garantiu que este sentimento não é apenas dele e de sua família, mas também dos familiares de outras vítimas e até de habitantes de Chapecó, ainda consternados com o acidente aéreo que tirou a vida de 71 pessoas em novembro do ano passado, às vésperas da decisão da Copa Sul-Americana contra o mesmo Atlético Nacional.

“Gostaria que hoje as pessoas que lessem este post conseguissem entender o nosso sentimento perante esse acidente raríssimo, que deveria ter sido evitado. Desde o erro na escolha da empresa, até a falta de ações de praxe no meio jurídico como a conferencia da apólice do seguro da empresa de aviação. Isso são detalhes, que não conseguem passar a dimensão do que nós, vítimas, sentimos diante de um acontecimento tão triste e surreal. Amigos e também vitimas do acontecido que se encontram hoje em Chapecó não conseguem passar o dia em paz. Descreveram (a festa) com as seguintes palavras: ‘Desespero total ontem e hoje, o clima tá estranho, parece carnaval'”, relatou.

Band / Estadão

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