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Aprovado com a vitória, Oswaldo se intitula Coração do Fogão

Monitorado contra o Flamengo para avaliação depois de sofrer uma arritmia cardíaca, técnico se compara ao Rei Ricardo Coração de Leão

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14/10/2013 às 07h23

Todos os olhos estavam voltados para Oswaldo de Oliveira no clássico com o Flamengo, neste domingo. O técnico do Botafogo havia sofrido uma arritmia cardíaca na derrota para o Grêmio há uma semana e, com isso, sequer viajou para Recife, onde o time venceu o Náutico. No banco de reservas para comandar seus jogadores em um confronto recheado de rivalidade, ele passou com louvor, sendo monitorado pelos médicos do clube (veja o vídeo com os melhores momentos do clássico).

A vitória por 2 a 1 sobre o Fla, de virada, e a pressão do rival em busca do empate ajudaram a provar que seu coração está em dia. Oswaldo saiu de campo satisfeito e usou o apelido do Rei Ricardo I, da Inglaterra, para criar o seu.

– Assim como Ricardo Coração de Leão, foi Oswaldo Coração do Fogão – disse Oswaldo, que revelou a emoção com as várias mensagens recebidas de companheiros de profissão, garantindo que não pensa em se aposentar tão cedo.

Ainda confiante na possibilidade de o Botafogo, atual vice-líder do Campeonato Brasileiro, brigar pelo título, apesar da vantagem de dez pontos do Cruzeiro na liderança, Oswaldo elogiou o desempenho de Gegê, lembrou a trajetória de Rafael Marques e a recuperação de Seedorf. Agora, o time se prepara para enfrentar o Vitória, em Salvador, na quinta-feira.

Confira a íntegra da entrevista coletiva de Oswaldo de Oliveira depois do clássico:

Estilo Botafogo

"Não é previsão, mas é uma constatação. Falamos aqui quando perdemos os jogos seguidos para Cruzeiro, Bahia e Ponte Preta, empate com o Fluminense e a derrota para o Grêmio, acho que o Botafogo em todas essas partidas cometeu falhas, mas se impôs com seu estilo.

Errou, mas da forma que nosso time joga voltaríamos a vencer. Essa era minha expectativa e estava otimista. O que aconteceu comigo contra o Grêmio foi porque tinha a sensação de que daríamos a volta por cima naquele dia e me decepcionou muito. Sou muito apaixonado pelo que eu faço. Se não tivesse coração forte que eu tenho, não é de atleta, mas de quem faz atividade física, naquele dia teria acontecido algo pior. Às vezes, a carroceria não aguenta. A emoção foi forte demais. Fiquei muito triste por não termos vencido. Esse encadeamento das coisas, com a volta das vitórias, recoloca o Botafogo na posição que tem tido em toda a temporada. Alguns adversários nos venceram e provavelmente ainda vai experimentar outras derrotas, mas sempre com muita dificuldade. 

Tendo que se desdobrar para conter a nossa equipe".

Gegê

"Fiquei muito feliz. O Gegê trabalha com a gente desde o ano passado. A entrada dele não poderia acontecer imediatamente como foi com outros. Ele precisaria se encaixar e levaria um pouco mais de tempo até aparecerem as oportunidades.. Ele jogou com a gente no Carioca, agora no Brasileiro. Tem acontecido essa possibilidade pela ausência do Lodeiro, as saídas. A gente procura organizar a equipe de acordo com a característica do jogador que entra. Na lateral, por exemplo, o time teve que se adaptar a três jogadores no ano. Mesmo sem o treinamento, fazemos isso com informações, troca de ideias. O Gegê cumpriu exatamente o que a gente queria e foi tão fidedigno que perdeu algumas jogadas por isso. Quando apareceu na área para fazer o gol, eu tinha chamado o Luiz (Alberto, auxiliar) para comentar que o time estava precisando desse homem, que seria o Renato, Seedorf, quando o Alex abrisse. Ele apareceu muito bem. No segundo gol, participou de forma excelente. É uma formiguinha, que toca e se movimenta com a capacidade de dinamizar o jogo no meio-campo. Embora não seja driblador ou chutador, passa bem e se movimenta. Ele fez a jogada certinha. Quem acompanha os treinamentos, sabe como trabalhamos esse cruzamento entre o goleiro e a defesa. Se fosse dar uma nota a ele, seria 10".

Disputa pelo título

"O Cruzeiro é um time fortíssimo e tem feito um trabalho muito bem conjugado. Rendo todas as homenagens ao Marcelo Oliveira, mas sabemos como é difícil manter esse rendimento. Perdeu dois jogos para times de muita capacidade. Claro que vou torcer para que isso aconteça mais vezes para nos aproximarmos. No entanto, ainda acho difícil e o Cruzeiro merece estar na posição que ocupa, mas vamos brigar e tem tempo para isso".

Arritmia a seu favor

"Eles (os jogadores) são muito conscientes. Pode ser que tenha um lado afetivo porque nossa relação é muito legal. Pode ter mexido com eles,sim. Levei um susto domingo e dei outro terça-feira antes do embarque. Tentando tirar proveito dessa situação fui lá para sensibilizá-los e mostrar que deveríamos tirar força. Assim como Ricardo Coração de Leão, foi Oswaldo Coraçao do Fogão naquele dia".

Volta ao banco

"Claro que estava com certa expectativa. Foi uma coisa recente. Sabia que seria muito emocionante pela pressão que a torcida do Flamengo faz. Estava monitorado e dedicado. Dei umas vaciladas no controle dos remédios. Checamos tudo e está maravilhoso. Não houve deslize, nada que se aproximasse de qualquer episódio negativo".
Rafael Marques

"O Rafael Marques é um homem muito diferente. Ele tem uma personalidade muito forte, mas uma delicadeza, uma educação, e isso se transforma em humildade. Foi muito difícil para ele atravessar isso. Tive momentos de desconfiança e falava que enquanto confiasse ele iria jogar. Quando achasse que iria prejudicar o time, eu o tiraria, o que aconteceu algumas vezes. Mas não se entregou em momento algum e mesmo quando não era relacionado ia ao Engenhão, participava das reuniões e me abraçava nas vitórias. Pensava que um cara como ele não merecia aquilo. É o único no Botafogo que jogou todas as partidas do Brasileiro. Isso é muito meritório. Ia fazer um gol que me acostumei a ver com aquele voleio e torci muito para que acontecesse. É um especialista e se Deus quiser essa bola vai entrar".

Sem aposentadoria

"Agradeço a todo mundo que se preocupou. Algumas pessoas foram lembradas, como Ricardo Gomes e Muricy, que passaram por situações parecidas. Quero me dirigir a esses companheiros. Não tem como pegar leve. É preciso ir dentro do trabalho. Jamais vou conseguir me afastar. 

Enquanto tiver força, vontade, motivaçao, não passa pela minha cabeça a aposentadoria. Fisicamente sou muito forte, mas a emoção às vezes ultrapassa a condição física. Quero agradecer ao Caio Júnior, Muricy, Tite, Abel, Dorival Júnior, Renato Gaúcho, René Simões, meu irmão, que partiu para o hospital. Eles não sabiam que não era tão grave, mas foi todo mundo muito solidário, mandando mensagens, se interessando. Recebi mensagens do Japão, da Espanha, de vários lugares do mundo. Ganhou proporções incríveis, e a gente valoriza muito nessa hora o desgaste que a gente tem, o esforço que faz para trabalhar no futebol com um calendário tão difícil, que não dá tempo para se preparar. O que mais tirava o sono era ver a equipe perder e não ter tempo para corrigir. Se pudesse ir a campo com a equipe que inicia (os jogos), poderia mudar aquilo que vinha acontecendo… e me entristeceu tanto contra o Grêmio que levou a isso".

Bom desempenho em clássicos

"Vou fazer uma ressalva que o clássico que nós perdemos este ano foi o único em que o Rafael Marques não jogou (N.R.: o atacante também não jogou no empate em 1 a 1 com o Fluminense, em janeiro). Mas é claro que a gente procura sempre fazer uma preparação especial para esse tipo de jogo. Tivemos um diazinho para treinar e levei os jogadores para o campo. Foram 20 minutos de coletivo tático muito bem feitos com a entrada do Gegê. É um jogo que motiva a equipe para os jogos seguintes".

Flamengo

"Depois da chegada do Jayme, o Flamengo cresceu muito. É um cara que lida com o clube há muito tempo, conhece bem tudo, os jogadores. Teve uma facilidade grande de chegar nos jogadores e convencê-los do que ele quer. Fala isso sempre. Ele fez uma proposta, e o time está respondendo. Vimos alguns jogadores crescerem muito. O Carlos Eduardo é um exemplo disso, o André Santos é outro. O Hernane tem jogado muito bem e feito gols com frequência. Isso se deve muito ao trabalho do Jayme. E não vai parar aí. Vai seguir jogando bem, e teremos uma parada dura na Copa do Brasil".

Tabu de 13 anos em Brasileiros

"Não me atenho a isso. Somos um Botafogo recente, até o próprio presidente Maurício e todo mundo que está aqui nesse trabalho que a gente vem fazendo. Treze anos? Estou aqui há dois e também não perdemos para o Flamengo no Brasileiro do ano passado. Foram dois empates. Este ano, empatamos um e vencemos outro. Mas é um passo importante rumo ao jogo da Copa do Brasil".

Reforços

"Sobre o Jefferson e o Lodeiro ainda não sei como vai ser. Estamos tentando organizar para ver se vão chegar, vendo essa logística. Pela proximidade do jogo do Uruguai com a Argentina, o Lodeiro deve chegar. Da outra vez, voltou e jogou bem, ganhamos e foi ótimo. O Gabriel vai ter uma semana decisiva para se recuperar da lesão na coxa. Vamos ver o que vai acontecer".

Substituição de Henrique

"Conversei com o Henrique depois do jogo e precisava da substituição. Ele era o indicado em que pese ter entrado depois. Infelizmente, já aconteceu outras vezes, e pelo lado afetivo é ruim. Em alguns jogos, precisava de um jogador mais alto na defesa pelas bolas altas, mas o Flamengo vinha pressionando, e a bola alta não era uma fragilidade. 

Precisava tirar o Flamengo do nosso campo e para isso precisava de um jogador de velocidade. O Henrique se cansou fazendo uma função diferente para ajudar o Seedorf, acompanhando volantes, pois às vezes ele não consegue fazer. Tive que colocar o Hyuri para fazer o que fizemos no fim, levando o Flamengo para o campo deles".

Recuperação de Seedorf

"A mudança que vi no Seedorf foi no semblante dele quando fez o gol contra o Náutico. Ali ele voltou a ser o Seedorf que a gente conhece. Deram um zoom na hora da comemoração e parecia que havia saído um personagem e entrado outro, como um artista. Ele estava precisando daquele gol, não pelas vaias. Claro que ele se chateou, pois me confidenciou que não havia passado por isso, mas acredito que elas não serviram para motivá-lo, ao contrário, para entristecê-lo. Ele estava triste por não conseguir fazer o que sabia".

GE

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