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Tio quer pena perpétua de preso por crime com paraibanos na Espanha para ‘amenizar dor’

Suspeito confessou chacina de família e se entregou à polícia espanhola.

Por C. Campelo

23/11/2016 às 18h12 • atualizado em 23/11/2016 às 13h16

Marcos Nogueira, Janaína Américo e os dois filhos do casal foram encontrados mortos na Espanha (Foto: Reprodução/Facebook/Janaina Diniz Diniz)

Indignado por se sentir enganado. Triste em descobrir o algoz que acreditava ser um amigo, quase um filho. Walfran Campos Nogueira, 43 anos, irmão de Marcos Nogueira e tio de Patrick Gouveia, respectivamente vítima e suspeito da chacina da família brasileira na Espanha, é implacável no julgamento do sobrinho que confessa ter matado e esquartejado tios e primos. “Somente uma prisão perpétua pode amenizar a nossa dor. Se matar duas crianças e um casal não for caso de prisão perpétua, qual crime poderá levar?”.

Para o tio do suspeito da chacina de Pioz, cidade onde Marcos e sua família foram mortos, uma pena branda pode colocar em risco a própria sociedade e permite que Patrick Gouveia refaça sua vida. “Uma punição de 10 anos, 15 anos, não vai fazer justiça. Eu acho que a justiça assim não será feita. Depois desse tempo ele sai para fazer o que quiser. Curtir, namorar, construir uma família e até mesmo matar novamente”, avaliou Walfran Campos.

Antes da polícia espanhola apontar Patrick como suspeito, Walfran decidiu ir à Espanha para resolver o translado dos corpos e tentar ajudar a esclarecer informações desencontradas que, segundo ele, manchavam o nome da família.

Nesse período, Walfran diz que custou a acreditar que o sobrinho tivesse algum tipo de participação nas mortes. “Você nunca vai imaginar que fosse uma pessoa tão próxima sua. Eu não poderia julgá-lo, nem tampouco condená-lo antes da polícia espanhola, do governo espanhol e do Itamaraty se pronunciarem no sentido dele ser o assassino”, explicou.

A mudança de postura aconteceu após o próprio Patrick assumir perante as autoridades da Espanha que o crime havia sido cometido por ele. “Depois que eu soube que era ele, eu não defendi mais, não apoiei mais. Quero que a Justiça seja feita”, frisou.

Patrick ‘amável’ e Marvin ‘esquisito’
O jovem de 18 anos, Marvin Henriques Correia, foi preso na sexta-feira (28) em João Pessoa, suspeito de “dar dicas” via WhatsApp para Patrick Gouveia durante o crime na Espanha. Ele foi encaminhado para o Complexo Penitenciário Romeu Gonçalvez de Abrantes, o PB1.

Walfran Campos, tio de Patrick, conheceu Marvin quando o suspeito de matar a família na em Pioz estava de mudança para a Europa. “Eu achei esquisito, um cara totalmente esquisito, comentei com a minha irmã, mãe de Patrick”, lembrou. Para o tio, o comportamento dos dois foi mais uma surpresa, inclusive as risadas que os dois trocaram em conversas no WhatsApp.

Sobre Patrick, segundo Walfran, a sua personalidade jamais revelaria a autoria de um crime bárbaro como a chacina na Espanha. “[Ele] era uma boa pessoa, amável, carinhosa, presente, amiga, que estava todos os dias com a gente”, declarou. Quando François Patrick foi apreendido, aos 16 anos, por esfaquear um professor em sala de aula, no estado do Pará, o primeiro susto veio à tona.

A segunda surpresa chegou com a confissão de Patrick sobre a morte dos quatro familiares. “Um jovem normal, carinhoso, prestativo, muito ligado à família, era uma pessoa fenomenal, espetacular. Era um jovem de 16 anos, que poderia vir à loucura. A família colocou ele em tratamento psicológico. Depois ele recebeu alta e voltou a ter uma vida normal, mas dentro dele poderia ter algo que a gente não conhecia”, ressaltou Walfran.

Prisão de segundo suspeito mantida
A decisão de manter a prisão de Marvin Henriques Correia foi tomada em uma audiência de custódia na segunda-feira (31). Segundo o advogado do suspeito, Sheyner Asfora, a defesa pediu que o jovem tivesse a integridade física preservada e, por isso, a juíza decidiu que ele deve ficar detido em um setor isolado no Complexo Penitenciário Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1, em Jacarapé.

O advogado de Marvin Henriques Correia, Sheyner Asfora, disse que o jovem não pode ser considerado envolvido no crime e que a conduta do suspeito “não é reprovável para o direito penal”.

Segundo a Polícia Civil, após matar e esquartejar os tios e os primos, François Patrick Gouveia fez fotos dos corpos, tirou “selfies” e mandou para o amigo Marvin, de 18 anos.

No dia em que a polícia estima que o crime aconteceu, 17 de agosto, Marvin chegou a fazer uma postagem no Twitter que estaria relacionada ao caso. “Hoje aconteceu uma doidera que nunca poderei contar a ninguém”, escreveu o suspeito na rede social.

O delegado geral da Polícia Civil da Paraíba, Marcos Paulo Vilela, afirmou que os suspeitos mantiveram um contato em tempo real por meio do aplicativo Whatsapp. “Os dois mantinham a conversa pelo Whatsapp sobre a execução do crime e Patrick mandou as fotos dos corpos e até ‘selfies’ com os corpos das vítimas para Marvin”, afirmou.

Na conversa mantida entre os dois presos, ambos se mostravam extremamente frios, apesar da crueldade do caso, segundo os delegados.

No depoimento dado à Polícia Civil, Marvin afirmou que não procurou a polícia por medo de Patrick Gouveia. “Ele chegou a dizer que tinha medo de Patrick e que, por isso, não procurou a polícia para denunciar o crime. Mas, durante a conversa dos dois, a gente percebe que há uma intimidade e uma frieza que não indicam isso”, disse Vilela.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, havia o receio de que Marvin Henriques Correia viajasse para a Espanha, para fugir de qualquer tipo de implicação criminal no Brasil. A prisão do estudante foi feita a partir de um pedido do Ministério Público da Paraíba.

Os mandados de prisão e de busca e apreensão contra Marvin Henriques foram expedidos na quinta-feira (27) e cumpridos na sexta-feira (28) pela Polícia Civil. O estudante de 18 anos foi preso no bairro Jardim Oceania, em João Pessoa, quando saía de casa para ir à escola.

‘Dicas’ via Whatsapp
Marvin deu dicas a Patrick sobre como agir na morte e esquartejamento da família brasileira na Espanha, segundo a polícia. “Patrick conversava pelo Whatsapp em tempo real com o suspeito preso na Paraíba. Patrick perguntava como agir, como ele podia ocultar os corpos, o que fazer”, afirmou o delegado de homicídios Reinaldo Nóbrega.
Ainda de acordo a Polícia Civil, o estudante confirmou a participação no homicídio, no entanto, não tinha noção da dimensão do que aquela conversa com Patrick poderia causar.

“Marvin se mostrou arrependido e triste com a situação e chegou a colaborar conosco, esclarecendo alguns pontos”, disse o delegado Marcos Paulo Vilela. Ainda de acordo com a polícia, a participação de Marvin Henriques foi confirmada após um amigo dele ter acesso ao seu celular e encontrar fotos dos corpos da família Nogueira esquartejada, imagens que teriam sido enviadas pelo próprio Patrick via aplicativo de celular.

O celular do amigo de Patrick foi encaminhado para a Polícia Federal. Exames técnicos confirmaram que se tratavam de imagens verídicas e feitas pelo principal suspeito de matar e esquartejar Janaína, Marcos e das duas crianças em uma casa em Pioz, na região metropolitana de Madri, na Espanha. Com o suspeito a polícia apreendeu um CPU, que foi apresentado como uma das evidências do caso.

“Ele [Marvin Henriques] só acreditou que Patrick tinha de fato matado a família quando viu as fotos. Mesmo sabendo do crime cometido por Patrick, o estudante continuou ajudando Patrick como proceder no caso. Ele é partícipe no crime”, acrescentou o delegado de homicídios de João Pessoa. Ainda de acordo com a polícia, Marvin chegou a se encontrar pessoalmente com Patrick duas vezes em João Pessoa. Todo o material apreendido com Marvin Henriques Correia foi encaminhado para a polícia espanhola.

G1

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