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QUER CALAR? Ministro de Temer cobra fim da Lava Jato e pede “sensibilidade” a agentes

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, defendeu que a força-tarefa da Operação Lava Jato tenha “sensibilidade”

Por Luzia de Sousa

18/06/2016 às 09h41

Ministro-chefe da Casa Civil, é o braço direito de Temer)

Ministro da Casa Civil – cargo mais importante do governo – cobra fim da operação Lava Jato. Eliseu Padilha pede “sensibilidade” a agentes da operação sobre o momento de uma “definição final” das investigações para evitar “efeitos deletérios”. Declaração foi feita após queda de 3º ministro de Temer

A Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) e a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) realizam audiência pública conjunta com a presença do ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, para debater as metas, prioridades e perspectivas para o futuro do setor da aviação civil. Foto: Pedro França/Agência Senado
A Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) e a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) realizam audiência pública conjunta com a presença do ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, para debater as metas, prioridades e perspectivas para o futuro do setor da aviação civil.
Foto: Pedro França/Agência Senado

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, defendeu que a força-tarefa da Operação Lava Jato tenha “sensibilidade” para saber o momento de “caminhar para uma definição final”.

A declaração foi dada nessa quinta-feira (16), em encontro com empresários em São Paulo, um dia após a divulgação dos depoimentos do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que envolve mais de 20 políticos, entre eles, o presidente interino Michel Temer (PMDB).

Segundo Padilha, a “sinalização” de que a Lava Jato avança para o seu encerramento é necessária para evitar “efeitos deletérios”. Ontem o governo Temer teve a sua terceira baixa ministerial em decorrência de revelações da operação que investiga o esquema de corrupção na Petrobras. Depois de Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência), nessa quinta foi a vez de Henrique Eduardo Alves (Turismo) entregar o cargo.

“Tenho certeza de que os principais agentes da Lava Jato terão a sensibilidade para saber o momento em que eles deverão aprofundar ao extremo e também de eles caminharem rumo a uma definição final. Isso tem que ser sinalizado, porque vimos na Itália, onde não houve essa sinalização, e tiveram, depois do grande benefício que veio, efeitos deletérios que nós não podemos correr o risco aqui”, afirmou o ministro.

Críticos da Operação Mãos Limpas, que inspira o juiz Sérgio Moro na Lava Jato, alegam que as ações da polícia e da Justiça italiana contra políticos acusados de corrupção nos anos 90 abriram caminho para a extinção de grandes partidos, a ascensão do polêmico ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi e o enfraquecimento da legislação anticorrupção.

Padilha elogiou, porém, o trabalho da Lava Jato. “O Brasil será outro, aliás, já está sofrendo esse processo de transformação no que diz respeito ao exercício do poder político”, ressaltou. Após o encontro com os empresários, o ministro disse em entrevista a jornalistas que não estava cobrando o fim da operação.

“O que eu disse é que tenho certeza de que as autoridades da Lava Jato saberão o momento em que deverão pegar, aprofundar e apontar tudo que deve apontar e pensar em concluir. Eu vi e li o que aconteceu com a Operação Mãos Limpas na Itália. Todos eles conhecem tanto quanto eu. Temos que fazer com que tenhamos o melhor resultado possível.”

Durante seu discurso, Padilha defendeu Temer e citou até a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), incluída na lista de delatados por Sérgio Machado, para invocar a inocência do presidente interino. “Conheço a deputada Jandira há muitos anos. Tenho certeza de que ela não foi pedir recursos ilícitos ao Sérgio Machado. Se esse raciocínio vale para ela, vale para todos”, comparou.

De acordo com o ministro, as referências de Machado a Temer não causam qualquer tipo de preocupação. “Não há absolutamente nenhum temor em relação à Lava Jato. A citação a Temer é absolutamente gratuita, não teve conversa do presidente Michel Temer sobre recursos para campanha”, declarou.

O ministro da Casa Civil afirmou, ainda, que pelo desgaste das investigações, o candidato favorito ao Planalto em 2018 tende a ser um nome pouco conhecido da população em geral. “Penso que a eleição de 2018 será para alguém que ainda não está no cenário político, alguém que não é uma figura conhecida”, disse.

Fonte: Congresso em Foco

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