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MÁFIA DAS FUNERÁRIAS: Empregados de hospital cobravam propina por cadáver

O ascensorista Samuel Aguiar pedia até R$ 300 por cada transação efetivada a partir de informações privilegiadas de mortes naturais.

Por Luzia de Sousa

14/11/2017 às 07h47

Máfia das funerárias

A denúncia feita pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra 12 integrantes da Máfia das Funerárias expõe o que os promotores do caso classificam como “aliança espúria” entre trabalhadores de um hospital público e membros da organização criminosa. Segundo o documento, os empregados Jocileudo Dias Leite e Samuel Aguiar Veleda passavam informações privilegiadas sobre mortes naturais ocorridas no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e cobravam por cada cadáver.

Samuel Aguiar era ascensorista no HRT e, segundo a investigação, recebia até R$ 300 de propina por cada indicação de óbito que se convertia na contratação de serviços funerários. Se conseguisse recomendar um corpo por dia, poderia lucrar até R$ 9 mil com o bico clandestino.

Jocileudo, em diálogo gravado pela Polícia Civil em 11 de abril de 2017 – seis meses antes da Operação Caronte –, exigiu de Cláudio Barbosa Maciel suborno para passar à quadrilha informações de pessoas que tiveram morte natural na unidade de saúde.

Cláudio Barbosa é o dono das funerárias Universal e Pioneira, fechadas após as denúncias. Ele mantinha um esquema com outras sete pessoas para obter informações privilegiadas e convencer famílias a contratarem os serviços das suas empresas. Enganadas, algumas pessoas pagavam até R$ 6 mil para sepultar um parente, valor considerado bem acima da média.

“A organização criminosa é antiga e os pagamentos feitos a ambos são operacionalizados sem a necessidade de uma nova tratativa a cada repasse de informações privilegiadas e sigilosas”, diz a denúncia do Ministério Público.

Um dos áudios denota como Cláudio e Jocileudo tratavam com naturalidade as mortes de pacientes ocorridas no HRT. “Amanhã tem um negocinho para você, falou?”, disse o empresário, indicando que daria dinheiro ao comparsa.

A quadrilha de Cláudio Barbosa também falsificava atestados de óbito. Em 26 de outubro, quando a operação foi deflagrada, o médico Agamenon Martins Borges, dono de uma funerária em Formosa (GO), foi preso. Segundo os investigadores, Borges assinava as declarações. Em alguns casos, sem sequer olhar o corpo.

Células concorrentes
O grupo foi desarticulado pela Corregedoria-Geral da PCDF, com apoio do Mistério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Os policiais e promotores tratam o esquema como um “mercado da morte”. Foram identificadas duas células criminosas concorrentes: uma agia em Taguatinga e a outra em Samambaia.

O bando rival ao de Cláudio Barbosa era liderado por Reandreson Miranda Santos, dono das empresas Filadélfia e Brasília Serviços Funerários. Ele e esposa, Miriam Sampaio dos Santos, têm mandados de prisão e estão foragidos.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, além de coordenar a ação do grupo, Reandreson atuava na operação do esquema. Ouvia ilegalmente as frequências de rádio da Polícia Civil e entrava em contato com as vítimas.

A organização também é acusada de captar ilegalmente a frequência dos rádios dos rabecões do IML em busca de informações sobre mortes classificadas como naturais. Os criminosos ainda se passavam por servidores do IML e da Central de Captação de Órgãos para enganar parentes das vítimas e convencê-los a não levarem os corpos para o IML.

Metrópoles

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