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Professora tatuada diz ser tachada de ‘mau exemplo’ por bispo do Sertão e caso vai parar na polícia; “E esse arame na sua ‘venta?’”

Gislaine Fernandes diz que alunos e professores se reuniram em uma sala para ouvir a fala do bispo. Em nota, padres dizem que bispo falou 'sobre globalização'.

Por Luzia de Sousa

01/08/2016 às 16h23 • atualizado em 01/08/2016 às 16h27

Gislaine Fernandes diz ter sofrido preconceito por parte de bispo (Foto: Reprodução/TV Paraíba)

A professora Gislaine Fernandes, de 37 anos, registrou um Boletim de Ocorrência na Central de Polícia de Campina Grande nesta segunda-feira (1º) contra o bispo da Diocese de Patos, Dom Eraldo Bispo da Silva. A educadora conta que o sacerdote disse que ela era um mau exemplo para os alunos por usar piercing e tatuagens. O caso teria acontecido na sexta-feira (29) durante uma visita missionária em uma escola estadual da cidade de Assunção, no Cariri paraibano. A professora também diz que vai entrar com um pedido de retratação no Ministério Público da Paraíba contra o bispo.

A Diocese de Patos divulgou em seu site uma nota, assinada por quatro padres, com o posicionamento do bispo e que ele está em missão nesta segunda-feira. A nota relata que o tema do discurso de Dom Eraldo da Silva era ”sobre o processo de globalização dos valores” e ele “citou o exemplo de estilos e modas globais como o uso de tatuagens”. “Esse fato gerou um debate de opiniões divergentes e interpretativas entre o bispo e uma das professoras presentes”, diz a nota, que também relata que Dom Eraldo procurou a professora posteriormente, mas que ela se negou a conversar com ele.

Gislaine Fernandes diz que alunos e professores se reuniram em uma sala para ouvir a fala do bispo. “Ele falou sobre valores e respeito e depois apontou pra um aluno e disse que a vestimenta do rapaz não estava de acordo. O menino usava uma calça rasgada e um cabelo com luzes. O bispo falou que isso era um reflexo da globalização”, contou.

Logo em seguida, ainda de acordo com a professora, Dom Eraldo perguntou se havia algum professor na sala e os alunos apontaram para ela. “Ele se aproximou de mim, fez a primeira crítica e disse: E esse arame na sua ‘venta’ [nariz]? Depois fez comentários relacionando o piercing a tatuagens e marginais”, relatou.

A educadora diz ainda que o bispo continuou contando que conheceu criminosos em Patos que usavam tatuagens. Ela o questionou perguntando se ele podia julgar pessoas por usarem piercings e tatuagens e o Bispo teria dito que sim. Foi a partir disso que a professora revelou que tinha 15 tatuagens.

“Eu contei que de todas as minhas tatuagens cinco eram de passagens bíblicas. Foi aí que ele disse: ‘Isso mostra que você é religiosa, mas que é um mau exemplo para os estudantes’. Eu rebati e me retirei da sala. Ele voltou e tentou falar comigo, mas eu neguei. Foi aí que ele disse que quem tivesse filhos na escola que tirasse porque eu era um mau exemplo”, relatou.

O professor Enos Saraiva diz que testemunhou parte da fala do bispo aos alunos e que ainda o ouviu fazer críticas a Gislaine Fernandes. “Enquanto conversava com a diretora, ele disse: ‘Aquela menina não tem estirpe pra ser professora'”, disse. A diretora da escola, Aparecida Basílio, limitou-se a dizer que o bispo foi infeliz ao falar da professora.

DIÁRIO DO SERTÃO com G1PB

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