Sertão
18/10/2016 às 17h27 • atualizado em 18/10/2016 às 17h28

postado por: Luzia de Sousa

Cajazeirense critica gestores que só pensam no poder enquanto população chora por água

A cajazeirense Lena Guimarães escreveu em um dos artigos mais recentes para o Jornal da Paraíba sobre a crise hídrica.

Caminhões pipa captando água do açude de São Gonçalo (foto: reprodução/Whatsapp)

A cajazeirense Lena Guimarães escreveu em um dos artigos mais recentes para o Jornal da Paraíba sobre a crise hídrica, que vem preocupando dezenas de cidades, especialmente no Sertão do estado.

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Leia na íntegra
Durante a campanha eleitoral, a preocupação era eleger aliados. Depois, apresentar uma narrativa favorável das urnas para se posicionar para 2018. Na sequência, a disputa por prefeitos eleitos virou prioridade. A gravíssima crise hídrica que assola a Paraíba não tem merecido a mesma atenção, mesmo diante da possibilidade de um 6° ano consecutivo de seca, numa repetição da registrada no período 1979/1985.

Os números da Agência de Gestão de Águas da Paraíba (Aesa) eram os que deveriam estar permanentemente na boca dos políticos, principalmente os gestores, porque são gravíssimos: nossas reservas de água estão em apenas 11,9%, e isso por conta do litoral.

Dos 126 açudes monitorados pela Aesa, 58 estão em “situação crítica”, ou com menos de 5% do seu volume. Nesse estágio a água já não tem qualidade. Tem outros 31 reservatórios com menos de 20%.

Na região do Médio Curso do Rio Piranhas, onde estão Condado, Jericó, Brejo do Cruz, Riacho dos Cavalos e São José do Brejo do Cruz só restam 1,2% do estoque de água nos açudes. No Seridó, que abriga Picuí, Santa Luzia e São Mamede não é muito diferente: 1,5%. Na área de Taperoá, 4,2%; na região de Monteiro, 5,9%.

Gravíssima é a situação de Campina Grande e mais 19 cidades no seu entorno, com cerca de 1 milhão de habitantes, abastecidos pelo açude Epitácio Pessoa (Boqueirão), que pode armazenar 411 milhões de metros cúbidos de água e sangrou pela última vez em 2011. Está com apenas 6,4% (avaliação da última sexta-feira,14).

Apesar da forte seca nos anos seguintes, só em dezembro de 2014, quando o estoque de água tinha baixado para 24,1%, a Cagepa iniciou racionamento. Esperava-se a transposição, que em 2010 Lula prometeu que seria inaugurada em 2012, “a não ser que aconteça um dilúvio”. Em abril de 2013 o governo reconheceu que só tinha 57,8% das obras prontas. Em 2013, em meio a seca, Dilma jurou em entregaria em 2015.

Agora, o ministro Helder Barbalho (Integração), promete o Eixo Leste para janeiro, mas alerta para a possibilidade de colapso, em abril, no abastecimento da região de Campina. O prefeito Romero Rodrigo perfura poços para manter escolas e postos de saúde em funcionamento.

O comportamento da maioria dos nossos políticos induz uma conclusão: devem ter linha especial com Deus e sua garantia de chuvas, porque continuam preocupados só com o poder.

DIÁRIO DO SERTÃO

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