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Transexual que encenou crucificação na Parada Gay diz que foi esfaqueada ao chegar em casa

Assim como no vídeo, a modelo reafirmou que não vai procurar a polícia com medo de represália

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10/08/2015 às 08h24

Sabe o que vou fazer? Vou ficar trancada dentro da minha casa", fala chorando (Foto: Reprodução)

Conhecida depois que encenou a própria crucificação na Parada LGBT de São Paulo deste ano — como forma de protesto contra a transfobia —, a atriz e modelo transexual Viviany Beleboni postou um vídeo nas redes sociais no qual diz ter sido esfaqueada a caminho de sua casa.

Muito abalada e chorando, ela conta que um homem a reconheceu e, com uma faca, a atacou. Nas imagens, ela mostra o rosto machucado e um corte no braço. "Acabei de ser agredida por uma pessoa que se fala que é de Deus. Você pode ver que estou com meu olho inchado. O meu rosto foi cortado. 

Acabei de secar porque estava saindo sangue. Meu nariz está todo inchado e ensanguentado", começa a falar Viviany.

Em seu depoimento, ela segue com o relato: "Se era isso que vocês inimigos queriam, vocês queriam (…). Eu fui quase esfaqueada. Estava passando na rua aqui perto de casa e a pessoa me conheceu. Ele estava com uma faca, esses marginalzinho, mendigo de rua, disse que não sou de Deus, que sou um demônio e o que eu fiz, eu teria que pagar".

Viviany disse que lutou com o agressor e, por isso, conseguiu se salvar. "Sorte é que tenho 1.80m. 

Sou homem suficiente e conseguir apartar isso. Ele saiu correndo", diz. A modelo ainda deu a entender que não pretende registrar o caso na delegacia. "Pra quê? Para eles te tratarem que nem um homem lá, para te chamarem que nem um homem e rirem da sua cara e não dar em porra nenhuma. Eu não vou. 

Sabe o que vou fazer? Vou ficar trancada dentro da minha casa", fala chorando.

A transexual ainda fala sobre o episódio em que mostrou a sua crucificação: "Meu ato foi de amor. Foi para alertar sobre pessoas que nem eu, que estão sangrando". O Extra entrou em contato com Viviany, que, muito abalada, falou sobre o ocorrido:

— Recebo muitas ameaças pelas redes sociais, dizendo que tenho que morrer, que minha família também. É muito difícil isso. Recebi ameaça até de uma organização criminosa (chora). Estou sendo hostilizada de todos os jeitos. Por causa disso tudo, estou com síndrome do pânico, quase não saio de casa. Minha vida está um inferno. Ontem à note (sábado, dia 8 de agosto), eu fui caminhar perto de casa. Uns garotos começaram a xingar, não percebi que era comigo. Eles falaram que eu era o demônio e tinha que pagar pelo que fiz (o ato na Parada Gay). Não sei se eles estavam com faca ou gilete. Vieram para cima e cortaram o meu braço. Fiquei apavorada (chora mais). Tentaram cortar a minha barriga e me jogaram no chão. Eles me deram muitos socos, arrancaram o meu cabelo. Foi aí que baixou o homem em mim e comecei a chutar. Eles foram embora e disseram que se me vissem de novo eu ia ver o que ia acontecer.

Assim como no vídeo, a modelo reafirmou que não vai procurar a polícia com medo de represália:

— Se eu for, eles vão me tratar como lixo, vou ficar esperando quatro horas para fazer um boletim de ocorrência que não vai servir para nada. Tenho medo de dar o meu endereço. Não desejo o que estou passando para ninguém. É horrível! Só queria ficar em paz.

Extra

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