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Bebê morta no atropelamento em Copacabana é enterrada em meio a comoção

Amigos e familiares que estavam no cemitério São João Batista aplaudiram e pediram justiça. Oito vítimas permanecem internadas em dois hospitais municipais. Australiano está em estado gravíssimo. Motorista Antônio Almeida Anaquim vai responder em liberdade.

Por Campelo - Diário do Sertão em Sousa

20/01/2018 às 16h48

Enterro da bebê Maria Louise no São João Batista (Foto: Henrique Coelho/G1)

A bebê Maria Louize, de 8 meses, uma das vítimas do atropelamento coletivo no calçadão de Copacabana, na Zona Sul do Rio, na noite de quinta-feira (18), foi enterrada na tarde deste sábado (20), no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul em clima de forte comoção. Durante o enterro, os amigos aplaudiram e gritaram por “justiça”.

Agarrada ao caixão, a mãe Niedja Araújo dizia: “minha filha, Maria, minha filha” e repetia insistentemente: “não, não, não, não”.

Após o enterro, Niedja deu entrevista e voltou a pedir punição para o motorista.

“Eu quero justiça, porque ele tirou minha filha de mim. Minha filha está lá [no cemitério], e ele está onde? . E ele tá aonde, tá solto. Safado! . Eu quero que ele pague, porque a minha filha não volta mais. A minha dor vai ser eterna. Como é que eu vou voltar para minha casa. Tudo lá tem o jeitinho dela. Eu estou destruída. Ele não matou só ela, ele matou a mim também, disse.

No velório, o pai de Maria Louize, o motorista Darlan Rocha, ficou por volta de 20 minutos chorando em cima do caixão. A mãe, que também ficou ferida no acidente, chegou ao cemitério de cadeira de rodas, chorando muito. “Quero minha filha!”, gritava.

Em entrevista, Darlan voltou a desabafar e chamou o motorista Antonio Almeida Anaquim de monstro: “É inexplicável como um motorista pode dirigir com a carteira suspensa”.

O casal foi amparado por pastores da Assembleia de Deus. O enterro foi custeado pela igreja já que os pais estão em dificuldades financeiras. Eles contaram que Niedja passou a noite na casa deles porque ela mora na Ladeira dos Tabajaras num local de difícil acesso e que ela não teria como chegar por causa dos ferimentos na perna.

Niedja da Silva Araújo chega ao cemitério para o enterro da filha, morta no atropelamento em Copacabana (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)

Segundo eles, Niedja não dormiu e chorou a noite inteira. Eles tentaram convencê-la a vir mais tarde para o velório, mas não conseguiram.

“Ela quis vir cedo para o velório. Está sendo muito doloroso para essa mãe de 23 anos, que estava começando a construir sua família, que numa noite de muito calor foi à praia para se refrescar e voltou pra casa sem o seu bebê. Não entendo como alguém dirige com a carteira suspensa e anda mente”, disse a pastora Vera.

Claudia dos Santos Araujo, vizinha da família no Tabajaras disse que o atropelador acabou com o sonho da família de ter a criança, considerada uma menina “muito alegre”:

“Ela é um anjinho que foi pro céu, mas isso não pode ficar impune”, afirmou ela.

Ação na Justiça
O advogado Carlos Alberto do Nascimento, que defende a família do bebê disse que vai entrar, na segunda-feira (22), com uma ação pedindo que o atropelador custeie o tratamento da mãe – que não está em condições de trabalhar. Ele discorda da avaliação do delegado de que o motorista deva responder por homicídio culposo.

“Vamos acompanhar o inquérito, porque não acham que seja correto que ele seja indiciado por homicídio culposo. Ele deveria ao menos responder pelo dolo eventual, já que ele mentiu para o Detran, quando disse que não tinha doença nenhuma, forneceu informações falsas num documento público e assumiu o risco, ao dirigir com a carteira suspensa. Aliás, ele é reincidente nesse tipo de risco já que foi multado por andar de moto sobre a calçada botando a vida de outros em risco “, disse Nascimento.

Ele também pretende pedir ajuda ao Ministério Público para entrar com uma ação indenizatória para a família de Maria Louize.

Feridos atropelamento
Oito pessoas permanecem internados em dois hospitais municipais. Entre eles, um turista australiano, que está em estado grave no Hospital Miguel Couto, no Leblon, na Zona Sul.

Antônio Almeida Anaquim, o motorista que atropelou as pessoas no calçadão, vai responder em liberdade por homicídio culposo (quando não há intenção de matar).

Segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Antonio está com a carteira de habilitação suspensa desde maio de 2014. Em nota, o órgão afirmou que o motorista terá o documento cassado, porque dirigir com a carteira suspensa configura crime de trânsito.

Ao ser conduzido para a delegacia, Antonio alegou que sofreu um ataque epilético. Ele, porém, negou ao Detran que sofria de epilepsia em um questionário assinado em 2015, no ato da renovação de sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH). No documento, afirmou nunca ter sofrido “tonturas, desmaios, convulsões ou vertigens”, bem como não ser acometido por doença neurológica.

G1

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