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Após 3 anos de crise, Brasil perde 2,8 milhões de empregos com carteira

País fechou 2017 com 20,8 mil vagas formais a menos.

Por Luzia de Sousa

28/01/2018 às 06h45 • atualizado em 27/01/2018 às 14h46

Cajazeirenses querem mais emprego

O Brasil perdeu 2.882.379 empregos com carteira assinada entre 2015 e 2017, anos de crise econômica, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho.

No ano passado, o país criou 14,635 milhões de vagas formais, de acordo com os números divulgados nesta sexta-feira (26), mas foram cortadas outras 14,656 milhões. O saldo final foi de 20,8 mil empregos a menos.

Foi o terceiro ano consecutivo de queda, após o corte de 1,326 milhão de empregos em 2016 e 1,534 milhão em 2015.

Apesar da queda, o ministro substituto do Trabalho, Helton Yomura, comemorou o resultado.

— Para os padrões do Caged, esta redução em 2017 é equivalente à estabilidade do nível de emprego, confirmando os bons números do mercado na maioria dos meses do ano passado e apontando para um cenário otimista neste ano que está começando.

Avaliação parecida faz o professor de economia da Universidade Metodista de São Paulo Sandro Maskio.

— O que a gente observa em 2017 é que parou de piorar. Não significa que melhorou, mas parou de cair.

Indústria e construção com pé no freio

Considerando os setores da economia, as atividades de extração mineral, indústria da transformação, serviços industriais de utilidade pública, administração pública e construção registraram o terceiro ano seguido em que as demissões superaram as contratações.

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O destaque negativo é a construção civil, que perdeu 103 mil empregos formais no ano passado, após cortes de 361 mil em 2016 e 416 mil em 2015 — saldo negativo de 882 mil nos anos da crise econômica.

Mas quem mais perdeu com a crise econômica foi a indústria da transformação, que acumulou 956 mil vagas a menos nos três últimos anos. O setor, contudo, registrou queda menor no ano passado, com corte de 19,9 mil vagas, ante 324 mil em 2016 e 612 mil em 2015.

“O setor industrial tem melhora localizada em alguns setores, mas ele não se recupera de forma veloz. O volume de emprego no setor industrial demanda tempo e fôlego”, afirma Maskio.

— Já a construção civil sente os efeitos de dois grandes baques e vai demorar mais tempo para comemorar [recuperação], mais até do que a indústria. Ela sofre com o investimento público em crise, já que o governo investe pouco. E também sente o efeito da queda da massa de renda, com o volume de desemprego alto.

Comércio e serviços em alta
Os setores de comércio e serviços, por outro lado, estancaram em 2017 as quedas dos dois anos anteriores. Comércio criou 40 mil vagas no ano passado ante cortes de 197 mil e 212 mil vagas em 2016 e 2015, respectivamente.

Já em serviços as contratações superaram as demissões em 37 mil empregos de carteira assinada. Em 2016 a redução no setor foi de 392 mil e, em 2015, de 267 mil.

“Como em 2017 parou de piorar, a massa de renda se estabilizou. Com essa desaceleração da piora do mercado, o comércio tem um respiro”, diz Maskio.

— Para o setor de serviços é semelhante, mas com uma ponderação. Boa parte dos serviços, principalmente em regiões metropolitanas, são vinculados à atividade industrial. Como tem apresentado melhoras na produção industrial, isso aponta melhora também no setor de serviços. Puxado também pelo cenário pouco melhor do mercado de trabalho.

R7

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