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Fantasma das quartas volta, Brasil cai para a Holanda e dá adeus ao sonho

Se vencesse, a equipe seria a primeira do continente americano a ir tão longe em Jogos Olímpicos

Por Luzia de Sousa

16/08/2016 às 15h02 • atualizado em 16/08/2016 às 15h12

Fernanda tenta parar Estavana Polman no ataque (Foto: AP Photo/Matthias Schrader)

Não faltou entrega. Não faltou luta. As meninas do Brasil correram por 60 minutos, brigaram, se jogaram no chão da quadra da Arena do Futuro. Todo o esforço, porém, não foi suficiente para bater a atual vice-campeã do mundo. Na primeira Olimpíada em que entrou como favorita a um inédito pódio, a seleção feminina de handebol mostrou nervosismo, errou nos momentos em que não podia e ficou pelo caminho. Caiu diante da Holanda por 32 a 23 (assista aos melhores momentos no vídeo acima), novamente nas quartas de final, assim como em Londres 2012, no revés para a Noruega. Se vencesse, a equipe seria a primeira do continente americano a ir tão longe em Jogos Olímpicos, só que o peso da responsabilidade de atuar com tanta pressão por um resultado grandioso pesou.

Além da eliminação, a derrota marca a despedida de uma geração que mudou o patamar da modalidade no Brasil após o histórico título mundial em 2013, na Sérvia, mas que no Mundial seguinte, em dezembro passado, caiu nas oitavas para a Romênia. A capitã Dara já havia anunciado a aposentadoria. Dani Piedade, a mais experiente do grupo, é outra que se despede. E Alê Nascimento também revelou que pretende deixar o esporte para ser mãe daqui a uma temporada. Estreando em Olimpíada, a Holanda, que cresce na modalidade a passos largos, espera agora o vencedor do jogo entre França e Espanha, que duelam ainda nesta terça-feira.

Para vencer a seleção, a Holanda fez uso justamente da principal arma brasileira. Derrotadas pelo país no Mundial de 2013, as europeias aprenderam a marcar. E fizeram isso como nunca. Lá na frente, atacaram como sempre, com eficiência, e venceram o até então paredão chamado Babi. Apesar da despedida precoce e de novamente encontrar o fantasma das quartas de final em Olimpíada, as meninas do Brasil deixaram a quadra ovacionadas e aplaudidas pelo público. Não conseguimos chegar nem perto do handebol que apresentamos na primeira fase. Sinto muito com isso
Morten Souback, treinador do Brasil.

Angela Malestein comemora gol em jogo que eliminou o Brasil da Olimpíada (Foto: Reuters)

Ângela Malestein comemora gol em jogo que eliminou o Brasil da Olimpíada (Foto: Reuters)

Visivelmente decepcionado, Morten Souback lamentou a falta de poder de fogo do Brasil durante os 60 minutos. O treinador apontou também a sequência de punições que deixou a equipe com um jogador a menos por dois minutos como determinante. Foram seis no total.

– Não conseguimos chegar nem perto do handebol que apresentamos na primeira fase. Sinto muito com isso. Durante a Olimpíada, fomos o melhor ataque dos sete anos que estou na Seleção. Nunca foi tão legal, tão bom, tão efetivo. O time ficou um pouco ansioso no início. Por isso, pedi tempo, mas fomos atrás e ficamos um gol atrás no primeiro tempo. Voltamos no segundo e tomamos dois minutos de novo. Acho que tomamos muitos dois minutos e isso fez uma grande influência no jogo.

Uma das mais serenas diante do jornalista, a ala esquerda Fernanda garantiu que não houve qualquer tipo de salto alto após a primeira colocação na fase de grupos e com todo apoio da torcida.
– Sabíamos que não era um time fácil. Independentemente de acharem que somos amigos ou não, sabíamos que todos os jogos iam ser pau a pau. São 11 seleções que podem ser campeãs. É mata-mata, quem errar menos ganha. Elas erraram menos e estão aí. Todas as chances que tiveram com um jogador a mais, elas fizeram o gol. É isso. Acabou!

Abbingh voa para afazer um golaço (Foto: Getty Images)

Abbingh voa para afazer um golaço (Foto: Getty Images)

O JOGO
A Holanda começou melhor a partida. Marcando bem, as europeias evitaram os primeiros ataques do Brasil. Com quatro minutos, elas venciam por 1 a 0. As meninas empataram com Alê em jogada na ponta, mas o duelo começou bem nervoso. Smeets e Malestein colocaram 3 a 1 para as holandesas no minuto sete. O segundo gol brasileiro veio apenas aos nove, com Fernanda em outra jogada na ponta. Em linda jogada na ponte aérea, Ana Paula passou a bola para Alê, que no ar, “levitando”, empatou em 3 a 3. Com 13 minutos, Ana Paula virou a partida para a seleção.

Na metade do período, a Holanda voltou a colocar dois gols de vantagem com tentos de Snelder e Heijden. Malestein, no contra-ataque, ampliou para 7 a 4 com 17 minutos de primeiro tempo. Lutando contra uma defesa que muito lembrou a do Brasil, o time seguia com dificuldades. Babi pegou pênalti de Estavana Polman, mas na sequência, Smeets colocou 8 a 5. A seleção, porém, não desistia, e dois gols seguidos, de Fran e Deonise, trouxeram a diferença para 8 a 7. Nos últimos minutos da primeira etapa, o Brasil seguiu correndo atrás da Holanda e foi recompensado. Fernanda fez mais um gol de pênalti e o time foi para o vestiário perdendo por 12 a 11.

Na volta da segunda etapa, a Holanda parecia mais ligada. E isso se reverteu no placar. Com quatro minutos, a seleção ainda não havia feito gol, e as holandesas marcaram quatro vezes, colocando 15 a 11. Em sua melhor atuação na Olimpíada, Fernanda anotou mais dois gols, chegou ao sexto, e o Brasil colocou em 15 a 13. Além da dificuldade em quadra, a arbitragem irritava as meninas. Duda levou suspensão de dois minutos, o técnico Morten reclamou e levou cartão amarelo. A ansiedade chegou em quadra e o Brasil errava passes bobos. Na metade do período, perdia por 20 a 15.

Com 18 minutos, Alexandra converteu pênalti e diminuiu a vantagem das europeias para 22 a 17. A defesa brasileira, contudo, não funcionava. Depois de tomar um gol, Fran foi rápida e de longe empolgou o público, mantendo a diferença em cinco: 23 a 18. Sem conseguir uma reação rápida, as meninas foram para os últimos oito minutos perdendo por 25 a 19. Fran e Alê rapidamente diminuíram para 25 a 21. No contra-ataque para trazer para a menor diferença, Fran sofreu falta, a arbitragem ignorou. Faltando quatro minutos, Ana Paula ainda dava esperanças ao marcar e colocar 26 a 22. Heijden e Malestein complicaram de novo com 28 a 22. Arriscando tudo, o time errou, muitas choraram antes da derrota, e o Brasil caiu para a Holanda por 32 a 23.

G1

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