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“Qualquer que seja o resultado, continuarei lutando”, diz Lula ao chegar a Porto Alegre

Lula disse ter ido à capital gaúcha mais preocupado com o país do que com resultado do julgamento

Por Luzia de Sousa

24/01/2018 às 07h32

Comércio baixou portas mais cedo

Enviado especial a Porto Alegre (RS) – Os manifestantes pró-Lula saíram em marcha do acampamento Anfiteatro Pôr do Sol, rumo à Esquina Democrática, tradicional ponto de mobilizações populares no centro da capital gaúcha, no fim da tarde desta terça-feira (23/1). Ali, o ex-presidente fez pronunciamento sobre o processo que enfrentará nesta quarta (22), quando a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) analisa se mantém, extingue ou aumenta a pena de 9 anos e 6 meses de prisão imposta ao político pelo juiz federal Sérgio Moro.

Embora tenha chegado ao local do ato por volta das 18h17, Lula começou a discursar – a um público estimado em 60 mil pessoas pelos organizadores – em torno das 19h45 e só terminou às 20h18. “Hoje estou aqui para dizer que não estou aqui preocupado comigo, mas com o que está acontecendo em nosso país: eles estão desmontando tudo o que fizemos”, disse, atacando a gestão Michel Temer e a direita em geral.

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“Eles sabem que, se tem alguém que sabe cuidar do Brasil e do povo, somos nós. Erramos, mas, em muito e muito tempo, esse país não vivia a harmonia, a alegria, a crença que vimos em nosso governo”, destacou, relacionando essa afirmação ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e ao seu próprio julgamento. Segundo Lula, houve um momento quando o PT se encolheu, devido às críticas resultantes das ações contra seus dois ex-presidentes e às investigações de corrupção que tiveram petistas como alvo, “mas esse tempo passou”, afirmou.

“Eu não sei se é medo que eles têm de o Lula voltar, mas, se for medo, é bom. Porque eles não se conformam em ver a filha da diarista estudando medicina… A direita não tem candidato”, ressaltou o ex-presidente, que descartou ter cometido qualquer crime. “Qualquer que seja o resultado, continuarei lutando. Quando vocês quiserem desanimar, têm de lembrar de mim. Tenho 72 anos, mas energia de 30 e tesão de 20 para lutar e conquistar o melhor para o povo brasileiro”, encerrou, despedindo-se da militância e desejando boa sorte nas ações previstas para esta quarta. Logo após o discurso, o político foi para o aeroporto: ele volta, ainda nesta terça, para São Paulo, onde acompanhará a sessão do TRF-4 que decidirá seu futuro.

O ato foi aberto pelo cantor Chico César. A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, o ex-ministro da Saúde do governo Dilma Rousseff Alexandre Padilha e a própria ex-presidente da República discursaram antes de Luiz Inácio Lula da Silva.

“O país está sendo estraçalhado. O ato do golpe é impedir que Lula se candidate. Enquanto aqueles que andam com mala pra cima e pra baixo estão livres, ele [Lula] está sendo acusado de algo que não fez”, apontou Dilma. “Eles [direita] não têm candidato à Presidência da República e, por isso, têm medo do Lula. Não importa que seja com uma injustiça, mas querem retirá-lo do páreo”, destacou.

Incidentes
Enquanto Dilma Rousseff discursava, uma senhora passou mal, e a ex-presidente da República, do alto do carro de som, orientou o atendimento à militante: “Tragam a companheira pra cá, ajudem aí. Deem uma força pra ela”, pediu.

Bem diferente do incidente registrado na chegada de Lula ao local da manifestação. O veículo quase atropelou uma mãe com uma criança e o repórter fotográfico do Metrópoles, Michael Melo, enviado especial a Porto Alegre. “Tive que pegar a criança e passar ela para um segurança do outro lado da grade, ou seríamos esmagados”, contou o fotojornalista.

Medo de tumulto
Mais cedo, durante a marcha da militância entre o acampamento montado na capital gaúcha e o local do ato com o ex-presidente, o comércio da cidade fechou as portas. Lojistas temiam que houvesse quebra-quebra. Vários estabelecimentos encerraram as atividades antes das 17h (o horário normal é 19h).

Gerente de uma loja de enxovais de bebê, Romancir Alves da Costa, 47 anos, temia que o estabelecimento fosse alvo de depredação caso os manifestantes pró-Lula cruzassem com eleitores contrários ao petista. “Já vimos eles quebrando tudo em outros estados. Melhor perder um pouco de dinheiro e fechar mais cedo do que correr o risco de um prejuízo material muito grande”, afirmou.

Os comerciantes resolveram finalizar o dia de trabalho em suas lojas, desesperados com a aproximação da chamada “onda vermelha”. As agências bancárias protegeram suas portas com grades e tapumes de madeira, também temendo depredações. Os próprios policiais da Brigada Militar orientavam os lojistas que ainda mantinham comércios abertos a fechar as portas imediatamente, por motivo de segurança, durante a caminhada petista.

Metrópoles

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