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Mariana Moreira

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A coragem, brados…

09/07/2014 às 09h39

Aos homens e sua coragem todo o nosso tributo. A coragem não expressa em gestos tresloucados de arrogância e prepotência. Gestos e atitudes que destroem, matam, aniquilam, anulam. Mas coragem manifesta em singelas atitudes de altivez diante da vida, sem arroubos ou covardias. Mas apenas com o engenho da dignidade e da vontade de viver a plenitude de todos os momentos, com os laços e nexos que, trançados com os semelhantes, nos torna humanos e verdadeiros.

A coragem que move e orienta aqueles que, submersos em atribulações, enxergam beleza e esperança entre torvelinhos e nevoeiros. Aqueles que são capazes de construir amanhã quando o que lhe resta como matéria prima para os sonhos são apenas tristezas e incertezas de ontem. Aqueles que têm a capacidade de erguer castelos apenas com suaves brisas e grãos de areia e, mais subversivos ainda, dão aos castelos os tons e formas da consistência e da perseverança. 

A coragem que alimenta a alma e fortalece a matéria daqueles que são capazes de cultivar gestos verdadeiros de afeto e amizade e, na grandiosidade de sua simplicidade, reconhecer erros, manifestar arrependimento, acolher o errante, asilar os peregrinos, alimentar os famintos de pão e gentileza. Coragem, sobretudo, para caminhar quando as pernas fraquejam, quando os olhos embaçam, quando o senso embaralha, quando a vida se esvai. Coragem para a convivência com as doenças e fragilidades que a vida interpõe em nosso percurso, sem as lamúrias e os queixumes dos derrotados e fracos.

A coragem de Manoel que, até o derradeiro momento, não apagou dos olhos e da alma a esperança da vida e da alegria. Mesmo quando esta mesma vida parecia se estilhaçar em milhares de fragmentos ao impacto de doenças, dissabores, perdas e traumas, ele traduzia um gesto de confiança no risco de um sorriso que lhe sapecava a cara e o espírito, contaminando a todos e apostando na esperança como importante estratégia de caminhada. Trazia o mesmo nome do tio, meu avó, na casa de quem morou algum tempo, para frequentar a escola. 

Com Betina, minha mãe e sua prima, manteve uma amizade desinteressada e verdadeira. Amizade daquelas que chegava para passar um final de semana sem a exigência do aviso prévio. Amizade para partilhar um pedaço de pamonha com café como combustível de uma prosa saudável enquanto o tempo se esgueirava pelas frestas da janela na direção de um poente dourado pelos derradeiros raios do dia que era engolido pela boca da noite que se anunciava como mais um momento para a celebração da coragem simples de pessoas que apenas manifestavam o desejo de viver o verbo gente.

Para você Manoel, que nos deixou com a leveza da coragem marcada em seu rosto como a prosseguir a vida naqueles que te amam e que, por aqui, ainda continuam seguindo tua corajosa trilha.

Mariana Moreira

Mariana Moreira

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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