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Gildemar Pontes

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Karate é uma Arte marcial que educa

14/06/2018 às 11h29

Projeto de Extensão na UFCG, Projeto Karate Campeão

Sou partidário da Educação inclusiva, da aculturação pela Arte e da disciplina pelo Esporte. Assim ocorreu comigo na adolescência. Praticava Karate e salto em distância e, algumas vezes, era chamado para correr 200 metros rasos. Pude perceber, com o tempo, que a minha intimidade com os livros me levava a lugares cada vez mais distantes na imaginação. Apreciei a poesia de cordel muito cedo, através do meu pai. E me tornei atleta amador treinando saltos nas poças d’água do bairro onde nasci em Fortaleza, no famoso Carlito Pamplona.

Da disciplina do esporte e do Karate herdei uma obstinação de lutar pela vida, pelos meus objetivos e por um mundo melhor. Fui me indignando, desde cedo, com a exclusão fruto da ausência do Estado na construção de uma cidadania plena. Como filho de pais pobres, meu pai era militar da Marinha e minha mãe era “do lar”, nunca entendi esta denominação como qualidade, mas como dominação e afastamento da mulher das atividades produtivas remuneradas – tive que me superar pelos estudos. E minha mãe era uma “Samurai” sem saber. Sua obstinação em viver com alegria me inspirou a dar boas gargalhadas! Foi a maior herança que ela me deixou, a alegria.

Pena que não tenha estudado. Como pobre, não alcançou e superou a barreira das dificuldades por que passam os pobres. Morreu cedo! Sua dignidade era exemplo para todos. Uma guerreira com as armas da alegria, uma fera quando lhe afrontavam a maternidade. Por isso, somos, eu e meus irmãos, leões de uma força e garra que em poucos vi. E temos ou sabemos ser doces. A poesia e a música acalmaram nossas almas.

Quando iniciei a prática do Karate, na década de 70, eram tempos de Bruce Lee no cinema. Além de ídolo, sua história indica uma das maiores determinações que já vi. Filósofo, pensador nas artes marciais e atleta de uma capacidade extraordinária de superação, Bruce Lee ouriçou a juventude da minha época. E foi inspirado nele que me tornei karateca. Naquela época, não existia essa coisa de pula-pula, de perninha doendo, braço na tipoia por qualquer pancadinha. O Karate forjava o corpo e o espírito do praticante que se dedicasse aos treinos e aos estudos. Lamentável que parte dos praticantes não quisessem ou pudessem estudar para desenvolver também a civilidade. Eram homens brutos, em sua maioria, que ensinavam através da dor e da teimosia.

Com a evolução das sociedades, o Karate ganhou polidez, mas perdeu em filosofia, budô como alguns conhecem. E entraram em cena os cartolas do Karate. Fundaram-se inúmeras federações, confederações e a essência foi sendo diluída nos egos dos senhores do Karate. Hoje, com o Karate na Olímpiada, dificilmente será recuperada a essência perdida. O comércio que gira em torno do esporte vai coisificar o Karate e torná-lo um negócio rentável, como já vem sendo feito, em outros esportes.

Ainda crendo na possibilidade de se treinar um Karate de raiz, guardando a essência da origem e a tradição, voltei a treinar há 15 anos, depois de um período afastado por conta da minha dedicação ao estudo e ao trabalho. E treinei intensivamente, porque sabia dos benefícios que o Karate poderia me proporcionar. Parece que adivinhei que meu corpo precisaria de um fortalecimento para enfrentar uma cirurgia grave como a que me ocorreu. Duas safenas e uma mamária num coração obstruído seria fatal, caso meu corpo não estivesse preparado para uma auto recuperação.

IV Copa Yoshitaka

Recebi a faixa preta e abri uma academia, o Torayama Karate Clube. Mas era preciso ir além disso, troquei os poucos trocados que recebia dos alunos por um Projeto de Extensão na UFCG, Projeto Karate Campeão. Como tem o caráter extensivo, o Projeto de Karate que coordeno e ministro aulas é gratuito e atende a muitas crianças e jovens de escola públicas e privadas de Cajazeiras. Fundado em abril de 2013, o Projeto Karate Campeão formou uma faixa preta, três faixas marrons, oito faixas roxas e inúmeros atletas de faixas menos graduadas.

Depois de alguns cursos realizados por mestres reconhecidos no Karate Nacional, o Projeto Karate Campeão está colhendo frutos e proporcionando alegria aos pais dos alunos. Tivemos campeões brasileiro, norte/nordeste, paraibano e regionais, tendo destacada a atleta Catarina Ferreira Pontes, bicampeã brasileira pela CKIB, e que integrou a equipe brasileira campeã mundial, no 4º WJKA Word Championship, que ocorreu na cidade de Remscheid, Alemanha, obtendo dois quartos lugares.

Recentemente, estivemos em Barbalha, participando da IV Copa Yoshitaka, de onde trouxemos muitas medalhas na bagagem. O detalhe inspirador é que três dos atletas participantes nunca haviam competido em campeonatos. Como recompensa pelo esforço de treinarem com dedicação, trouxeram não só o título de campeões em suas categorias, trouxeram orgulho para os pais, para o Projeto Karate Campeão e para a cidade de Cajazeiras. Oss!

Gildemar Pontes

Gildemar Pontes

Escritor, Poeta. Ensaísta e Professor de Literatura da UFCG. Editor da Revista Acauã e das Edições Acauã. Tem 18 livros publicados. É traduzido para o espanhol e publicado em Cuba nas Revistas Bohemia e Antenas. Ministra Cursos, Palestras, Oficinas, Comunicações em Eventos nacionais e internacionais. Faixa Preta de Karate Shotokan 2º Dan. Presidente da Federação de Karate Marcial Interestilos da Paraíba.

Contato: gilpoeta@yahoo.it

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Gildemar Pontes

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Escritor, Poeta. Ensaísta e Professor de Literatura da UFCG. Editor da Revista Acauã e das Edições Acauã. Tem 18 livros publicados. É traduzido para o espanhol e publicado em Cuba nas Revistas Bohemia e Antenas. Ministra Cursos, Palestras, Oficinas, Comunicações em Eventos nacionais e internacionais. Faixa Preta de Karate Shotokan 2º Dan. Presidente da Federação de Karate Marcial Interestilos da Paraíba.

Contato: gilpoeta@yahoo.it